domingo, maio 31

dobradinha à moda do Porto

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Acabadinho de chegar de outra conquista do clube do meu coração.

E bibó Porto caragoooo...

sexta-feira, maio 29

naturalmente

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Na próxima segunda-feira será o início oficial de mais uma época balnear. Daí até Setembro, ao longo de toda a orla marítima, começarão as romarias às praias, as estradas ficarão compactadas de automóveis que passarão uma ou duas horas só para estacionar, os areais serão disputados palmo a palmo por corpos sedentos de sol, besuntados de dezenas de índices protectores, vistosos guarda-sóis irão colorir o areal e proteger a inseparável geleira azul cheia de frescas minis de cerveja e rissóis de camarão, vizinhos do lado torcerão narizes às sacudidelas de toalhas para cima do jornal e das revistas Maria, corajosos e heróicos banheiros vigiarão os banhistas com os pés de molho.

O Verão está a chegar e, mesmo sem esperar por ele, com o calor que já se faz sentir, muitos passarão o fim-de-semana a trabalhar pró bronze, não dando tréguas ao sol, pelo menos até ao primeiro escaldão na derme!



E, naturalmente, desejos de um fresquinho fim-de-semana.

quinta-feira, maio 28

há habitos que não se perdem...

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Acostumado que estou a uma parte bem movimentada da cidade, onde para mim tudo tem um roteiro, tudo tem um horário certo, à hora das refeições a escolha onde almoçar é bastante variada, mas com caras que me habituei a conhecer e a tratar pelo nome próprio, todos os dias da semana entro no Café Universidade para me deliciar com umas comidinhas simples e caseiras. Só espero que a sorridente Dona Irene e a simpática cozinheira Dona Maria José me perdoem esta minha pequena traição, a minha falta de comparência à mesa, mas hoje assim que saí à rua para almoçar fui atraído pelo saboroso aroma de pimentos e sardinhas assadas que aquecia e perfumava o ar!


quarta-feira, maio 27

não vais dar tilt, pois não?

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Já sabes que para cumprir com o meu dever preciso de ter a certeza que não me vais falhar! É verdade, estou para aqui a ter um téte à téte com o computador. Ter um sempre disponível, sem crises emocionais e perguicites agudas, é das condições de trabalho mais importantes que temos como adquiridas, só que estas máquinas com mais memória do que nós de vez em quando gostam de nos pregar umas partidinhas. Desde manhã cedo tens estado disposto a colaborar sem manhas nem manias e basta te desligar por uma hora para fazeres birra. Já sabes que não te posso levar comigo, e escusas de me fazer perder tempo olhando para o monitor a contemplar o teu ambiente de trabalho, e só para me lembrares que lá fora está uma linda tarde de sol. Não é que a minha vontade de gozar umas férias, numa praia paradisíaca como essa, seja enorme mas preciso mesmo de ti para me ajudares a despachar o expediente. Acho que hoje resolveste fazer da resistência passiva a tua arma contra mim e finges ter problemas só para não me deixares contactar com os meus amigos no gabinete. Isso é feio! Claro que não me vais responder. Seja o que for que te peça, fá-lo-ás com uma lentidão tal que ainda acabo por te desligar de vez, vais ver!… Ah, finalmente conseguiste abrir o tal programa que eu tanto precisava! É sempre assim, de repente tudo fica bem e voltas ao normal como se nada tivesse acontecido. Pois se até as pessoas têm manias... porque raio haveriam os computadores de ser diferentes!

p.s: e é por culpa dele a falta de visitas e comentários da minha parte, juro jurinho...

terça-feira, maio 26

oitavo andar

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Foto tidada aqui

Na minha casa prezo bastante a privacidade e a vida que há nas casas dos outros também. Pelos vistos hoje o dia foi destinado a ser o dia europeu do vizinho. Do vizinho!!! As memórias que tenho das brincadeiras de rua com os amigos de infância, do convívio e amizade entre vizinhos, dos sons e cheiros característicos dos quintais, da entreajuda porta-a-porta, das conversas de pátio e de janela, da conta aberta na mercearia da Dona Emilinha, são felizes e saudosas. Nunca me habituei a viver num edifício de 10 andares. De baixo muita coisa vem. Há até quem fique por cima e seja fumeiro do cigarro do vizinho de baixo. É o meu caso neste caso. De cima agora nem viva alma. Desde que as simpáticas mãe e filha, mais o cão Shar Pei, se mudaram para parte incerta até estranho o silêncio que vem do tecto. Sinto até a falta do som apressado dos tacões femininos e o tilintar das unhas caninas no soalho, que se tinham já tornado parte integrante do meu despertar matinal. Noutros dias eu dispenso a plenos ouvidos os gritos esganiçados da vizinha do apartamento em frente e as marteladas na parede tipo código morse que alguém, algures, por descargo de consciência traduz em ritmos musicais fora de moda. Onde está o “ó vizinha, tem um raminho de salsa?!” ou o “o vizinho não me poderia fazer um favor?!”. Para além dos administradores de condomínio e os donos dos cãezinhos que conspurcam as zonas verdes e as partes comuns do prédio, não conheço mais ninguém. E vizinhos não me faltam! Saibam no entanto, meus caros vizinhos deste maravilhoso blogobairro, que através destes catalisadores de interacção que são os blogues conheci uma simpática vizinha do meu bairro. A agitação da vida actual e o individualismo instalado na nossa sociedade, geraram um sentimento de isolamento e indiferença em relação às pessoas que vivem mais perto de nós. Eu que cresci numa rua cheia de casas, de quintais, de pessoas amigas e de vizinhos que se fizeram amigos, ainda não me habituei a viver tão longe do chão, sem a porta para a rua.


segunda-feira, maio 25

um porto agridoce

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Talvez estranhem só agora publicar o meu postinho d’hoje e lhe dar este título mas isso tem uma boa justificação. Depois de assistir ao último jogo do campeonato no Dragão, fomos levados por um mar azul e branco e celebramos até às tantas mais um S. João antecipado nas ruas do Porto. Revivemos a alegria que o nosso Futebol Clube do Porto nos proporciona a cada vitória, e o autocarro da glória desfilou desta vez em plena baixa tripeira o que não acontecia há alguns anos.

"É o tetra, olé, olé", "Quem bate palmas é tripeiro, é tripeiro, é tripeirooo!" A cidade deitou-se de madrugada. Exausta e feliz, mas...

Mas eu ontem vivi um dia de contrastes com os clubes da minha cidade. A convite do meu primo Berto, durante a tarde, fui assistir no Bessa ao derradeiro jogo de uma época muito difícil para o clube axadrezado, onde o meu filho é atleta de judo. Bastava conseguir um resultado positivo frente ao Covilhã para o Boavista se manter na Liga Vitalis. Milhares de cachecóis e bandeiras pintavam as bancadas e os adeptos desenhavam uma expressão de confiança numa tarde de festa que não se vivia há bastante tempo, para dar o calor humano e incentivo aos jogadores na conquista da última vitória. A partida não correu de feição para as hostes boavisteiras, o Boavista perdeu e bem o jogo, acabando assim ingloriamente relegado para a 2ª Divisão, que na prática é a 3ª, sendo a primeira vez que tal acontece a um campeão nacional! Chega assim ao fim uma época de muita luta, em que os jovens boavisteiros sempre mostraram a sua abnegação e amor ao clube por todo o país. Nem mesmo o presunto que a Dona Lurdes da Tasca da Badalhoca oferecia para premiar o primeiro marcador de um golo boavisteiro foi suficientemente galvanizador e moralizador. A missão era complicada, as dificuldades financeiras que o clube atravessa são bastante graves e os obstáculos que se lhes depararam durante a época foram imensos. A equipa é demasiado jovem e inexperiente. O pesadelo do “apito dourado” marcou-os definitivamente. Acho deveras curioso, ou talvez não, o facto de o Boavista descer de divisão juntamente com o Gondomar, mas isso são conspirações para outras teorias. No final do jogo, a tristeza e o desânimo tomaram conta de jogadores, dirigentes e adeptos. Vários saíram do estádio lavados em lágrimas, bastante emocionados, num clima de consternação mas também de alguma resignação, sem no entanto se calarem as vozes de apoio e incentivo ao Boavistão. Força Boavista. Estou certo que este grande e digno clube se erguerá de novo com a dedicação, força e jovielidade dos seus atletas e adeptos.

sábado, maio 23

gabinetêvê [11]

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Coitado! Se continuar a reclamar tanto assim um dia ainda vai massajar os jogadores da selecção. O mundo é mesmo injusto!...

sexta-feira, maio 22

menina bonita

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...menina madura, mulher menina.


O teu sorriso encanta e me hipnotiza, o teu beijo me vicia, o teu olhar terno e acolhedor nos conforta.

Faz-me sentir bem.

Faz-me querer ser uma pessoa melhor e pensar só em coisas boas.

Quando abro os olhos depois de um beijo teu só tenho vontade de os fechar de novo.


Porque eu quero que nunca acabe.

Quando embirramos eu me acho um parvo, um ignorante e me arrependo um segundo depois.


Porque te amo.



Feliz aniversário meu amor.




quinta-feira, maio 21

uma clássica

Partilhar Ouvi dizer que um estudo conduzido pela Universidade de Lisboa, mas que não é tão recente como dizem, mostrou que cada português anda a pé em média 440 km por ano.

Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, um português bebe 26 litros de cerveja por ano.

Sendo assim, significa que cada português consome em média 5,9 litros aos 100km, ou seja...


é económico!

Talvez por isso naquela manhã conheci tantos aficionados de uma Lambretta fresquinha!

quarta-feira, maio 20

aforismos

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No intuito de exemplificar a actual situação económica aos mais leigos, a nós que somos burros, os economistas costumam recorrer à analogia das despesas domésticas. Um país funciona mais ou menos como a gestão do orçamento familiar, não pode gastar mais do que ganha. É evidente que qualquer orçamento tem de ser responsável e realista, mais nas despesas do que nas receitas, senão um país como uma família vai à falência. Ora bem, podendo ou não viver em família, todos temos de gerir os nossos orçamentos, portanto até é fácil compreender os tais economistas. Esta analogia faz renascer a nostalgia que vive em mim, chegando ao ponto de me fazer recordar aqueles simples exercícios aritméticos que fazia na escola primária. Se uma mãe com 5 filhos gasta o seu dinheiro na compra de 4 pães, quantos filhos ficam sem pão! É claro que as contas se tornam mais complicadas quando se troca o ambiente familiar pelo orçamento partidário para uma campanha eleitoral, por exemplo. Até não é necessário recorrer a muita imaginação para que uma família-modelo viva subitamente uma infeliz realidade: Um pai que é um exemplo de gestão e sobriedade sonhou um dia em adquirir habitação própria e, não tendo outra forma de o fazer, endividou-se, contraiu um crédito à habitação. Responsável que ele é, paga religiosamente as prestações com o salário do seu trabalho, do seu esforço. Uma incontornável fatalidade surge na sua vida, a empresa onde trabalha encerra e assim vê-se subitamente como mais um dígito nas estatísticas do desemprego. Com escassos rendimentos uma tragédia familiar ocorre e, um dia, ele é obrigado a escolher entre alimentar os seus filhos ou continuar a pagar a sua dívida. Qual o exemplo que ele deverá dar aos seus filhos? E a nação? A escolha da nação como se gerir perante esta recessão económica não é exactamente a mesma que a do nosso pai de família imaginário, mas não andará lá muito longe da realidade.

Por isso, reformulo o velho aforismo popular e interrogo-me: Em casa onde não há pão, todos ralham e os culpados onde estão?

terça-feira, maio 19

comentem...

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Eu sou dos que falam pouco. Há uma grande diferença entre o falar e o escrever, entre o dizer e o contar. Gosto de pensar no que quero expressar e a escrita dá-me tempo para reflectir, para sentir. Dá-me tempo para me fazer entender sem ter de as improvisar. Utilizo as palavras com parcimónia, reduzindo-as ao mínimo indispensável. A minha vida é feita de silêncios, de algumas palavras e talvez por isso eu fale pouco. Digo nada e por vezes nada é importante!


Sim, comentem, aqui e em todo lado! Quaisquer palavras que fazem um bem danado a quem escreveu. Meras palavras de retorno que significam que não se escreveu um texto idiota e sem nexo, ocupando megabytes de memória de um servidor que nem é nosso, para alguém ler, para ninguém entender. Às vezes um olá escrito sabe tão bem!

segunda-feira, maio 18

20 anos de carreira

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2ª feira, 8 horas da manhã, chegado à portaria da instituição para dar início a mais uma semana de trabalho, uma multidão ruidosa o aguarda, o aclama em euforia. Ele pára espantado, olha em volta procurando a razão de tamanha confusão e fica estático ao notar que não tem ninguém atrás de si. Era dele o uníssono grito, do seu nome, e isso retirou-lhe qualquer dúvida. Para além de muitos desconhecidos empunhando cartazes de saudação, amigos entre colegas de trabalho, comunicação social e câmaras de televisão, destacava-se o conselho de administração em peso com o presidente em destaque, empunhando uma brilhante salva de prata. Nervoso e apático, absorto pela recepção, avança lentamente tacteando com a ponta do sapato a cada passo na passadeira vermelha. Flashes são disparados e dezenas de microfones disputam a sua boca esperando as primeiras reacções contidas em palavras de comoção. O que são para si estes 20 anos de carreira xôr funcionário? Nenhum ser humano é igual a outro, começa por responder, cada qual possui particularidades, características, uma visão própria do mundo, atributos e talentos. Uns nascem com uma habilidade extraordinária para jogar à bola, outros exibem atributos para o estrelato no audiovisual, alguns têm oratória para a liderança política, muitos para viver à custa do outro, mas para cada ocupação há um talento específico, uma vocação, que faz com que o seu possuidor se destaque dos demais. Há quem chegue aos vinte anos de uma profissão, de dedicação numa carreira e nela continue sem grandes possibilidades de progressão…

Ahhhh... logo agora que a esta imaginação estava tão interessante tinha de tocar o telefone!

sexta-feira, maio 15

definitivamente aos papeis

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Onde raios guardei o papel? Rodeado deles e sem paciência para eles, procuro sem encontrar, descubro e não descubro. Onde fui deixar o texto para publicar no blogue que trazia na mão? Mas que papelão! Já perdi tanto tempo no meio de resmas de obrigações, preocupações, atrapalhações que assim acabo por me esquecer qual o meu papel principal. Às vezes até dá vontade de os queimar mas isso não é solução. No mínimo se não são mais necessários, amasso-os, rasgo-os, envio-os para a reciclagem. Sei que o guardei nalgum sítio, onde? Afinal porque arquivo tanto papel? Dizem que a informática serve para reduzir o seu uso, o que concordo em absoluto, mas o papel será sempre a matéria-prima, a função e o suporte de ideias do meu sofrível desempenho. São cortadas milhões de árvores, transformadas em folhas de papel, impressas e depois atiradas para o lixo sem sequer serem lidas. Grande parte do papel que nós consumimos é dado gratuitamente, sem o pedir-mos. É o correio não solicitado, são catálogos e jornais gratuitos que nos entregam em casa e na rua, um desperdício! Reduzir o impacto ambiental no planeta gastando menos papel seria uma boa medida, mas isso já nós sabemos, não é novidade nenhuma. Quase perdendo a paciência, volto a folhear, a separar, a abrir, a espreitar, definitivamente entregue à papelada. Desisto, já ando aos papéis há demasiado tempo. Volto já!



Acabou-se o papel!? Outra vez... Espera aí, o que é isto!? Shiuuu… Parece incrível, este tempo todo e o texto aqui bem dobradinho no bolso das calças! Mas que papel!

Qu'é que estão praí a pensar seus imaginativos? Vá, tenham lá um bom fim-de-semana. Com licença...

quinta-feira, maio 14

faneca

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Como nasceu e viveu num bairro de pescadores, o mar não era exactamente uma novidade para ela. Todos os dias bem cedo dava um pequeno passeio pela praia. Brincava entre poças de água que se formavam com a maré baixa, rodopiava na brisa marinha, caminhava lentamente por ali e acolá, por tudo o que lhe fizesse demorar no início da tarefa infantil, das mais importantes e produtivas, a escola como se sabe.

Do mar, Marina só sabia da água dourada, azul e verde, do nome que dava às pedras, algas esponjosas, brilhantes de sal e luz. Nos finais de semana, a praia demorava mais, com direito a ter o avô pescador mais tempo por perto, refazendo redes que os peixes rompiam. Fingia que lhe ligava enquanto ela olhava curiosa para ele. Num desses sábados demorados, ela, já cansada de estar quieta, arriscou mais uma vez e pediu-lhe que a levasse no barco. “Faneca” era o pequeno barco de pesca que lhe tomava a vista, ondulando e chamando por ela. Marina pedia sempre e ele sempre lhe negava. A pequena que nada conhecia, julgava que insistindo um dia conseguiria o seu desejo. E não se enganou.

Naquele dia, ele pegou nela ao colo num jeito de carregar um cabaz de peixe e, num só movimento, carregou-a até ao pequeno barco onde ela exultou de pura alegria. Tudo o que ela queria era entrar no mar a bordo do Faneca junto com o avô. Lentamente entraram os três na suave rebentação que os levaria ao íntimo salino e espesso do mar. Embriagada de felicidade só pedia ao avô que a segurasse forte. O mar puxava muito e agora enfrentavam a desarmonia das ondas que os brindava com súbitas explosões aquáticas. Depois de cada uma delas ficou de cabelos e olhos molhados, encharcados de água e sal.

Para trás ficou o seu mundo que viu dali pela primeira vez, um quadro intenso e acolhedor, banhado por uma grandeza azul e grave que explodia forte e espumante nas pedras, cortando o espaço volátil do ar. O vento de Norte cortava tanto que o céu vibrava sem nuvens. De repente estava ali, cheia de medo mesmo não estando sozinha. Os seus olhos abertos mediam distâncias. O espaço aumentava o seu medo, embalado pelas terras lá longe, tão sozinhas e pequenas quanto ela se sentia. Agarrou e apertou forte a mão do avô, procurando essa sábia suavidade de quem sabe tudo do mundo. Ele entendeu a sua aflição e explicou-lhe que daquele lado, do outro lado que ela não podia ver, também existiam tantas outras coisas, outras pessoas e mundos, países, territórios, tempestades e noites. Tudo igual como aqui, disse ele, só que não os podes ver. Aquilo acalmou-a um pouco e o horizonte arredondou-se ainda mais para ela. O mar ficou mais pequeno e começou uma nova história.

Mais tarde naquele dia, o avô deu-lhe dois presentes que guardou bem guardados. Um, o tamanho do medo, esse espaço aberto e imenso que respeitou. O outro, o conforto de um amor que traça mapas e faz sentido. O medo, esse, foi ficando menor até desaparecer, o amor ficou do mar com o avô.

quarta-feira, maio 13

dívidas não cobram tristezas

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Estamos carecas de saber que o Estado é o maior caloteiro e que deve aos contribuintes, às empresas, às câmaras, aos tribunais… Os serviços camarários por sua vez devem aos fornecedores, às empresas construtoras, outras de serviços… Depois as empresas devem aos trabalhadores, aos fornecedores, ao Estado… Todos devem a todos e todos devem a quem? Tcharaaammm… Aos bancos, pois ‘tá claro!
É vergonhoso viver num país de caloteiros em que os compromissos assumidos são, na maioria das vezes, deliberadamente esquecidos, mas de que vale reclamar se isso foi sempre assim! Pelo menos desta vez, mais ou menos desde o início do mês, foi no meu caso e sei que de muitos outros também, o Fisco começou a reembolsar os contribuintes que entregaram a declaração de IRS pela Internet em Março. O meu já cá canta. Fica pelo menos o exemplo desta medida de justiça num tempo de vacas magras mas que não se julgue que desta forma o Estado deixou de dar o calote ao zé povinho. Serão estes os nublosos tempos de mudança ou então porque será que cada vez mais me cruzo com automóveis caracterizados com o logotipo do cobrador de fraque?

terça-feira, maio 12

ó comadre

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Por mais que eu procure uma foto tua nas pastas de fotografias do meu pêcê este quadro insiste em se expor aqui, e não é que a pose faz lembrar alguém! :)

Que este seja um dia de aniversário maravilhoso para uma pessoa muito especial e querida, que com o seu jeitinho carinhoso, simpático e simples, nos conforta e preenche de amizade.

Muitos parabéns e um grande beijinho para a minha cunhadinha Mónica.

Quando quiseres podes cantar, digo, abrir o presentinho...





segunda-feira, maio 11

tenho um andar novo

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Não suas mentes perversas, não é o que vocês estão a pensar. Eu não mudei de casa. Desde a manhã de Sábado que exibo um novo andar, tipo T2 pato bamboleante, isto é a dois ritmos, um normal e o outro agarrado à anca direita, balançando o corpo da forma mais ridícula que possam imaginar. O que me intriga é como só depois de um dia, e após oito tranquilas horas de sono, fiquei com fortes dores na articulação coxofemural. Que me lembre não caí da cama! Como é possível que uma simples aula de Total Condicionamento, uma espécie de treino militar feito a assobiar onde aqueles músculos que ninguém fazia ideia que existiam ganham vida, logo seguida do meu p’raí 245º treino de RPM, que são muitas pedaladas em 50 minutos, me deixaram com este gingar tipo movimento sexy do quadril? Estarei a ficar totalmente condicionado com a PDI? Nada disso, simplesmente fiz alguns exercícios que raramente faço e acabei com uma tendinite de esforço dos ligamentos da anca. Obrigado a tal, cancelei a pedalada de fim-de-semana, mas ontem à noite depois de subir e descer alguns degraus, uma retemperadora caminhada à volta do estádio do Dragão, e o constante levantamento do rabo da cadeira para os devidos aplausos, já estou bem melhor. Agora é só completar a minha dieta de anti-inflamatórios e amanhã voltarei ao ginásio para a completa recuperação em cima de uma bicicleta estática numa aula de RPM, que isto de estar parado é prós preguiçosos.


obrigado

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We are the Champions - Queen

sexta-feira, maio 8

ando pr'aqui a pensar

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Isto dos blogues tem muito o que se lhe diga!...

Ahhhh, antes de mais nada devo avisar que se desligares a aparelhagem só ficas a perder, ok? Aprecia lá as mocinhas do dêbêdê e depois volta cá para ler o resto… Não Patti, estas não são as
filarmónicas.


The Saturdays - Just Can't Get Enough


Já está? Muito bem, continuando. Isto dos blogues tem muito que se lhe diga. É difícil manter um quando se tem trabalho, família, bicicleta... Por vezes o tempo é escasso, nem sempre surgem ideias novas e acontecem poucas novidades para contar numa vida tão rotineira. E quando o bichinho aperta e nos aguça a curiosidade dá aquela vontade comichosa de visitar o blogobairro todo e comentar até mais não.


Há tempos deu-me para isto dos blogues. Na altura pensei e porque não? Motivaram-me e criei este buraco negro que agora me torna numa espécie de surfista cibernético. Um blogueótara nada anónimo. A princípio, sem saber muito bem o que postar aqui, fui desenvolvendo algumas ideias, misturando assuntos, tornei isto num passatempo e acabei por ser apanhado na rede social. Ao longo do processo fui sendo encontrado e descobri blogues bem elaborados, muito mais interessantes, autênticos best-sellers da escrita mas amadores como eu. Entretanto fiquei a saber que há muitos blogues por esse mundo fora que se dedicam afincadamente a ter receitas. São blogues e sites temáticos que, com o recurso à publicidade, ganham um dinheirinho jeitoso. E fiquei pr’aqui a pensar, porque não me tornar também eu num blogueiro profissional? Seria mais ou menos assim: Teria um horário de trabalho flexível onde postaria o produto final quando bem entendesse, trabalharia durante o horário que achasse mais apropriado bastando ter um desempenho segundo os meus interesses; Usaria de total liberdade de expressão e
estaria à vontade para escrever sobre qualquer assunto, sobre o chefe, ou seja eu, sobre o cão da vizinha, sobre a vizinha, sem constrangimentos e sem receio de ser despedido (do blogue pelo menos); Estaria sempre no topo da pirâmide hierárquica. Pouco me interessaria o sucesso do blogue pois bastava-me passar o dia a clicar nos anúncios e a fazer auto-comentários; Não precisaria de programar a altura para gozar férias, porquê, porque para um blogueiro profissional qualquer tempo é tempo; Seria sempre um profissional exemplar, omnipresente, porque poderia estar em qualquer lugar do mundo que estaria sempre no local de trabalho; Garantiria boa disposição quando lesse os comentários do blogue, mesmo com pouca audiência certamente daria umas gargalhadas com os auto-comentários. Pois é, pus-me pr’áqui a pensar e não vai dar, sabem porquê? Descobri que os blogues engordam! Vou mazé ter com as mocinhas pró ginásio...

Tenham lá um fim-de-semana muita fixe, ó faxabôreee!


quinta-feira, maio 7

as mãos

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As mãos podem tantas coisas. Oferecem apoio no momento certo. Seguram firmes para amparar. Estendem-se abertas para consolar. As mãos saúdam, sinalizam, estabelecem limites. Dão carinho. Guiam. As mãos desenham no ar o "adeus" e o "tudo bem". Aquecem e curam feridas. Apertam e seguram de preocupação. Pintam. Há mãos que tocam, suaves. Que plantam, trabalham, realizam. Algumas permanecem trémulas e pedem. Prestáveis se doam. Escrevem. Mas outras não…

As nossas mãos podem tantas coisas, até dar as mãos!


quarta-feira, maio 6

um queixinhas...

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...é um tipo que à priori nunca está satisfeito e considera erradamente ter sempre razão. Como reclamar é a coisa mais fácil do mundo, queixa-se de tudo e de todos, reclama por tudo e por nada! Qualquer motivo serve. Por mim, digo-lhes que podem reclamar à vontade, desde que tenham em conta um problema básico de educação, a razão não se mede na base do grito. Generalizando, qualquer cidadão, a maioria é assim, quando procura um serviço público ou outro, pensa única e exclusivamente que está ali para ser servido. Numa fortíssima manifestação para se impor, intimida em vez de conversar e a deficiente comunicação leva normalmente a confrontos desnecessários que esgotam a energia das pessoas. Uma reclamação séria pode ser uma força poderosa que impulsione algumas mudanças e melhore comportamentos. Torna a sociedade mais interessada e aberta a sugestões só que, na maioria das vezes, as criticas são mal fundamentadas. Raramente as pessoas são tolerantes, assumem o princípio que houve um erro de comunicação, procuram ajudar no melhoramento dos serviços, reclamam em consciência sem choradeiras e gritaria. Afinal para que serve o livrinho amarelo?

A cultura do queixume forma uma dupla infernal com a cultura do palpite. Dar palpites está no sangue do típico tuga. Qualquer português que se preze gosta de tentar fazer adivinhações, previsões, antevisões, dar largas ao Zandinga que tem dentro de si. Ora, é claro que na esmagadora parte das vezes não acerta nos seus palpites, mas basta-lhe ter o prémio mínimo do Euromilhões para se vangloriar todo orgulhoso perante a plateia. Ele sabe tudo, até o que os outros deveriam ou não estar a fazer e o resultado é um mar de opiniões exacerbadas atiradas pró ar. Todos acabamos por ser treinadores de bancada, não só de futebol mas aparentemente de qualquer coisa. Somos uma nação de pseudo-especialistas. E quem tentar apontar a falta de conhecimento do reclamante mesmo com as melhores intenções, apresentando provas factuais, não conseguirá resolver o paradigma, como acabará por arder nas chamas da indignação e da teimosia de quem não tolera a menor possibilidade de ser contrariado.

De concreto não me estou a queixar de nada, apenas reclamo com o que vou assistindo na rua, no trabalho, nesta sociedade. Pelo menos no meu paradigma de cultura, seria boa educação não se falar do que não se conhece e admitir tranquilamente quando se está errado. Por que não somos capazes de algo tão simples?



terça-feira, maio 5

outros engarrafamentos

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Há pouco ouvi anunciar na rádio que hoje é o dia mundial do trânsito! Sabia que se comemorava aqui e ali o dia mundial sem carros, até tem lógica, agora o dia do trânsito é que não fazia a mais pequena ideia. Para minimamente entender qual o significado desta efeméride, meti-me no trânsito global do google e indaguei explicações. A mais interessante que encontrei foi esta: “Efeméride do mais acendrado interesse e vivência para toda a Humanidade este que assinala o «Dia Mundial do Trânsito», a ocorrer no dia 5 de Maio e que visa sensibilizar a atenção para a problemática da segurança rodoviária, das responsabilidades e das regras a cumprir, objectivando reduzir os muitos milhares de pessoas que, todos os anos, são vítimas desta trágica calamidade.”. Afinal faz muito sentido e concordo em absoluto.

Lembraram-me que hoje, a partir das 15 horas, começa mais um cortejo académico aqui na Baixa do Porto. O cortejo académico é, por excelência, o momento alto da Queima das Fitas do Porto, sendo um símbolo da comunhão dos estudantes com a cidade, no seu maior esplendor, em que os finalistas da Academia se apresentam à cidade. Durante toda a tarde a vivacidade natural dos estudantes e a sua criatividade, bem patente nos carros alegóricos, encherá de estudantes, cor e alegria várias artérias da Cidade.

Estas duas notícias activaram a minha sirene mental de alarme. Logo mais, à saída do trabalho, vou fugir a sete pés dos impedimentos de trânsito e de algumas parvoíces estudantis. No Queimódromo durante a festança espero que se divirtam bastante, com comédia, energia e ressaca q.b., mas faxabôre não se metam em engarrafamentos, tudo para que levem a vida a sorrir.

segunda-feira, maio 4

obrigado senhor animação

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Cresci na companhia do Vasco Granja e dos desenhos animados que ele nos apresentava semanalmente, dos tradicionais Looney Tunes americanos aos estranhos e famosos filmes de animação com nomes esquisitos, provenientes da Europa de Leste, ele trazia-nos filmes que de outra forma não teríamos o privilégio de conhecer. Hoje tive a notícia da sua morte. Há muito tempo que não ouvia o seu nome e quero deixar um agradecimento pelos bons momentos que ele me fez passar em frente de um televisor a preto e branco.




Não havia era a necessidade de aparecer aqui o diácono mas não havia outro remédio!

sábado, maio 2

ser mãe trabalhadora

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Ontem foi dia do trabalhador e amanhã celebra-se o dia das mães. Pela proximidade e identificação com estas trabalhadoras, e enquanto filho de profissionais de enfermagem, vivi e acompanhei a sua dedicação a tão exigente profissão.
Vivo experiências diárias, decorrentes da minha actividade profissional, e de uma ou de outra forma sinto bastante esta realidade. A cada encontro diário tenho a possibilidade de constatar o que os meus pais sentiam no seu dia-a-dia, as alegrias, preocupações, satisfações ou insatisfações, resultado decorrente dos múltiplos papéis que assumiram.

O meu exemplo é a minha mãe, a melhor mãe do mundo. Pela proximidade e identificação com estas mulheres trabalhadoras, e enquanto filho de profissionais de enfermagem, vivi e acompanhei a sua dedicação a tão exigente profissão. Com elas convivo experiências diárias, decorrentes da minha actividade profissional e, de uma ou de outra forma, sinto bastante esta realidade. A cada encontro diário tenho a possibilidade de constatar o que os meus pais sentiam no seu dia-a-dia, as alegrias, preocupações, satisfações ou insatisfações, resultado decorrente dos múltiplos papéis que assumiam no trabalho e em casa.


Ser enfermeira apresentava-se como um desejo de realização enquanto mulher e trabalhadora, assumindo uma profissão, escolhendo o próprio caminho, escrevendo a sua própria história. A Enfermagem é uma opção profissional associada à devoção e dedicação à pessoa, ao próximo, a competências que vão muito para além do cuidar. Ao longo da sua vida profissional, superou diversos desafios, viveu sentimentos de alegria e felicidade, mas também de frustração e impotência diante de algumas condições de trabalho e inevitabilidades. Passaram-se os anos e tornou-se mãe. Um momento especial, mágico, repleto de alegrias. Não tardou a surgir a altura de ter de conciliar ser mulher e trabalhadora, nas funções exigentes da enfermagem, com a maternidade. Ser mãe é um evento importante na vida de uma mulher. É realização e completa doação aos seus filhos. É quando os diversos papéis por ela assumidos surgem múltiplos, simultâneos com momentos difíceis, plenos de dúvidas e de muitas solicitações. É um papel especial para qualquer mulher, para mulheres que exercem uma actividade profissional exigente, independentemente da categoria profissional à qual pertençam. Ser mulher e mãe não a relegou somente ao dever familiar e doméstico. O trabalho reforçou a importância que lhe cabia como mulher, a transmissão de conceitos e ideologias na participação activa da educação dos filhos, na valorização dos diversos papéis assumidos, na formação de homens e mulheres, transmitindo bases com alguns valores, conceitos para a educação e para o planeamento familiar. Ser mulher, mãe e trabalhadora comporta uma série de emoções, responsabilidades, sensações e dificuldades só conhecidas por aqueles que convivem com esta realidade.