terça-feira, maio 26

oitavo andar

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Foto tidada aqui

Na minha casa prezo bastante a privacidade e a vida que há nas casas dos outros também. Pelos vistos hoje o dia foi destinado a ser o dia europeu do vizinho. Do vizinho!!! As memórias que tenho das brincadeiras de rua com os amigos de infância, do convívio e amizade entre vizinhos, dos sons e cheiros característicos dos quintais, da entreajuda porta-a-porta, das conversas de pátio e de janela, da conta aberta na mercearia da Dona Emilinha, são felizes e saudosas. Nunca me habituei a viver num edifício de 10 andares. De baixo muita coisa vem. Há até quem fique por cima e seja fumeiro do cigarro do vizinho de baixo. É o meu caso neste caso. De cima agora nem viva alma. Desde que as simpáticas mãe e filha, mais o cão Shar Pei, se mudaram para parte incerta até estranho o silêncio que vem do tecto. Sinto até a falta do som apressado dos tacões femininos e o tilintar das unhas caninas no soalho, que se tinham já tornado parte integrante do meu despertar matinal. Noutros dias eu dispenso a plenos ouvidos os gritos esganiçados da vizinha do apartamento em frente e as marteladas na parede tipo código morse que alguém, algures, por descargo de consciência traduz em ritmos musicais fora de moda. Onde está o “ó vizinha, tem um raminho de salsa?!” ou o “o vizinho não me poderia fazer um favor?!”. Para além dos administradores de condomínio e os donos dos cãezinhos que conspurcam as zonas verdes e as partes comuns do prédio, não conheço mais ninguém. E vizinhos não me faltam! Saibam no entanto, meus caros vizinhos deste maravilhoso blogobairro, que através destes catalisadores de interacção que são os blogues conheci uma simpática vizinha do meu bairro. A agitação da vida actual e o individualismo instalado na nossa sociedade, geraram um sentimento de isolamento e indiferença em relação às pessoas que vivem mais perto de nós. Eu que cresci numa rua cheia de casas, de quintais, de pessoas amigas e de vizinhos que se fizeram amigos, ainda não me habituei a viver tão longe do chão, sem a porta para a rua.


12 comentários:

Si disse...

Não sabia qual dos posts comentar, se o do andar de cima, se o do andar de baixo, mas o elevador do blogger indicou-me que este era o que estava disponível...
Ó vizinho, já reparou que as pessoas falam mais aqui neste mundo virtual do que cara a cara?
Exacto...
Pelas mesmíssimas razões que o levaram a escrever aquele post de há dias...

E, já agora, boa semana, vizinho tripeiro!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Também me custou muito a habituar viver num prédio, porque cresci em liberdade. Ainda hoje, quando vou ao Porto, gosto de viver o prazer de uma casa independente. Como em tudo na vida, acabamos por nos habituar, mas tenho saudades da minha rua...

Almeida disse...

Morar num oitavo andar quando podiamos ter ficado num segundo andar foi asneira,mas paciencia.

Kok disse...

Moro no último andar! E se alguma vez ouvir o toc-toc de saltos altos no "andar de cima", acagaço-me todo!

E não é estranho "falar-se" mais aqui no blogobairro do que em presença. Porque diariamente todos "correm" para algum lado o que não deixa tempo para os tais 2 dedos de conversa...
Mesmo porque quase todos assumimos um semblante fechado que afugenta quem nos aparece pela frente.
A um "BOM DIA" sujeitamo-nos a uma resposta do género: SÓ SE FOR PARA SI!!!!
Oops...

Akele abraço,pah!

Ka disse...

lá, ó vizinho :D

que estou no prédio que tu sabes e num 3º andar :D

E sim sou eu a vizinha e sempre que quiseres salsa pode não haver mas há sempre uma porta aberta (e manjericão que é a minha última criação...hehe)

Beijinho prós vizinhos simpáticos :))))

paulofski disse...

Ó Pai, o oitavo andar foi bem escolhido pois sempre tenho melhores e mais amplas vistas sobre a cidade. Tivessem vocês morado em prédios de apartamentos e perceberiam-me melhor.

Beijos.

paulofski disse...

Olá vizinha Ka, quando precisar de uma ervinha aromática para temperar a sopinha sei onde bater à porta, ou melhor, tocar à campainha!

Beijinho pra simpática vizinha.

paulofski disse...

É verdade vizinha Si, fora uns bons dias e umas boas tardes à entrada e saída do elevador pouco se fala com a vizinhança do prédio. A vizinhança do mundo virtual está longe mas perto de nós, à distância de um clique.

Boa semana vizinha tripeira.

paulofski disse...

Sim Carlos, parece-me que quanto mais habitações tiver um prédio maiores são os problemas de coabitação entre vizinhos. Pelo menos onde moro vivo em tranquilidade.

paulofski disse...

Também eu me acagaçaria Kok, é porque estariam a chover pedras ou até um poltergeister na cobertura do prédio! Tens razão, quantas vezes só recebo silêncio à minha cortezia mas deixa estar que não terão resposta da minha parte.

Já estás restabelecido dos litros de soro e pronto para umas cervejinhas fresquinhas? Espero bem que sim!

Akele abraço pah!

Tó (Mano) disse...

A sorte que eu tive neste tema foi brutal...o vizinho do lado está sempre disponivel para ajudar em qualquer tipo de bricolage (pintar, etc..) ainda faz questão de me trazer um peixinho sempre que vai à lota, e quando me vê regar o jardim com a água da companhia fica zangada pois ela tem um poço e está sempre disponivel a passar-me a mangueira para o meu lado.
O outro vizinho do lado tem um pequeno quintal e faz questão de partilhar as colheitas (legumes, frutas, etc..)

Sorte de não morar num prédio, e num sitio recatado, quase como uma pequena Aldeia no meio de uma Cidade.

Abç

Teté disse...

Bom, para ser sincera sempre vivi em prédios, suponho que não me habituaria a viver numa vivenda. Mas em prédios antigamente também havia esse pedinchar de pé de salsa, de um ovo, de uma cebola, whatever. Só que com um bocadito de azar, também se apanhava muita gente coscuvilheira e metediça. E por tal ter acontecido, quando mudámos de casa a minha limitou-se a breves e educados cumprimentos à vizinhança e mainada! Atitude que também adoptei, até porque alguns vizinhos me parecem bem chanfrados.

A coisa é de tal forma que o vizinho de baixo morreu em Janeiro e só soube em Abril, pela porteira. E era dos poucos que eu, pelo menos, conhecia o apelido... ;)

Beijocas!