quinta-feira, dezembro 30

aproveitando o balanço...

Partilhar ... o que foi 2010?

Pois bem, pessoalmente não me posso queixar muito. 2010 foi para mim um ano muito positivo. Embora o blogue tenha andado um pouco murcho, ao longo de não sei quantos postes por mim publicados fui transmitindo sinais de tranquilidade, emoções e realizações pessoais. Quanto ao que se passou no país e no mundo é um déjà vu! De ano para ano vivem-se as mesmas crises, anti-crises, antíteses de uma sociedade pobre de valores e mascarada para a realidade.

E o que será 2011?

"Mistééérioooooo..." Como qualquer português que se preze, eu também gosto de dar os meus palpites. É um costume típico, bem português, mandar uns palpites para o ar. Fazer adivinhações / previsões / antevisões de muitas coisas do que se vê e ouve no nosso quotidiano. Aliás, todos nós gostamos de dar largas ao Zandinga que cada um tem dentro de si. "Brucho!!!" Ora, é claro que na esmagadora maioria das vezes são tiros no escuro e só saem imprevisões! Quase sempre somos traídos pelo sexto sentido que acomodamos na consciência ou pelo dedo mindinho, o tal que adivinha tudo. No entanto, das poucas vezes em que se acerta um palpite, quando as probabilidades se contam pelos restantes dedos, é ver o pessoal a vangloriar-se, "Vês pá! Eu sabia. Só não acerto no Euromilhões!!!" (aplica-se também ao Totoloto, ao Totobola e às presidenciais da tasca). Eu cá não nego à partida ciências que desconheço mas não tenho tido muita sorte no paranormal. Só um céptico superficial poderá negar os poderes que uma bola de cristal tem para adivinhar / prever / antever o que o novo ano nos reserva. E a bola prevê que muita coisa vai mudar, para pior, diga-se, mas tal como eu ela não quer avançar com o resultado final porque sempre que fez este tipo de previsões caíram em saco roto e o mais certo é errar novamente. No entanto deixa uma mensagem de esperança prevendo um aumento da polémica, com muita troca de acusações, pantufadas e entradas por trás.

"2011, dá-me a tua camisola".


Vamos desejar 365 dias de boa sorte, alegria e saúde na nossa conta pessoal, mas temos que administrar tudo muito bem para que dure e perdure.

FELIZ ANO NOVO!



quarta-feira, dezembro 29

mobilidade que contagia

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Assim que vi este cartaz no metro pensei cá com os meus botões: "olha pá, chegas atrasado 30 anos". No tempo em que eu calcorreava Fânzeres e Rio Tinto, de casa para o colégio na camioneta da Gondomarense e do colégio para casa de autocarro e troleicarro, ou então era assim, fazia longas caminhadas, entre aventuras e coisas de rapaz, só para poupar umas moedas para gulodices. Nesse tempo é que o metro me teria dado jeito, pensei eu! Bom, é certo que agora também me dá, e que jeito, só que a viagem é na direcção oposta. A finalidade da mobilidade, de um sistema de transportes eficaz nas cidades, é a movimentação de pessoas e não de veículos. É sempre bom saber que a mobilidade urbana se está a expandir para um dos concelhos mais populosos da área metropolitana e muito deficitado em meios de transporte.

Segundo a Metro do Porto, ao longo de cerca de 60 quilómetros de extensão da rede, nestes oito anos o metro transportou 275 milhões de passageiros e percorreu cerca de 32,7 milhões de quilómetros, o que corresponde a 2.500 voltas ao diâmetro da Terra. A nova Linha Laranja (Linha F), a sexta linha do Metro do Porto é inaugurada e entra em operação comercial regular no próximo Domingo, dia 2 de Janeiro, ligando O Estádio do Dragão a Fânzeres e passando a servir o concelho de Gondomar mas, conforme se previa, não chega ainda à sede do concelho. Com o novo percurso, que representa um investimento de 135 milhões de euros, a Metro do Porto totaliza 80 estações ao longo de 67 quilómetros de linhas. As estimativas indicam que a Linha Laranja implicará mais de 12 milhões de passageiros por quilómetro, apontando benefícios sociais e ambientais na ordem dos 176 milhões de euros, ao longo de 20 anos.

Durante esta semana, entre o Natal e o Ano Novo, as viagens são gratuitas nos sete quilómetros de extensão e visam permitir à população das zonas servidas pela nova linha um primeiro contacto com o metro. As composições circulam sobre um tapete de relva, projectado pelo arquitecto Bernardo Távora, tendo sido criados 123 mil metros quadrados de zonas verdes. Estão a ser plantadas 2241 árvores e 3693 arbustos e trepadeiras ao longo da nova linha. O objectivo é sempre aumentar a qualidade de vida e a mobilidade de toda a população da zona envolvente. Hoje mesmo vou experimentar esta nova linha e voltar a calcorrear alguns dos locais da minha infância. E muito provavelmente, um destes dias voltarei lá com mais calma a passear na minha bicla.

terça-feira, dezembro 28

no sapatinho

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Quase todos chegavam num embrulho muito bonito, atados com fitinhas e laços coloridos, por alturas do Natal, ou mais tarde no aniversário. Outros vinham numa simples caixa de papelão castanho, empacotados. Houve alturas em que chegavam inexpressivos, reduzidos a notas de quinhentos escudos, dentro de um envelope não registado. Poucos ficaram amassados no correio, atrasados. Alguns estavam envoltos em embrulhos de papel, rasgados de impulso. Noutros era fita-cola que nunca mais acabava, e que desesperava! Surpresa? Hummm, nem sempre! Valor? O que interessa isso se é dado por amor. Muitos confundem o presente com a embalagem ou a embalagem com o presente, mas todos eles eram valiosos. É para mim!? Oh, não era preciso. Ahhh, muito obrigado... pelas meias! É que estava mesmo a precisar... A sério!



segunda-feira, dezembro 27

farrapo velho

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Antes de mais nada espero que os meus amigos tenham passado uma noite de Consoada e um dia de Natal com uma pontinha adoçada de satisfação. E o meu, perguntam vocês? Pois parece que me portei bem este ano e fui afortunado por mais um BOM NATAL, por mais uma celebração familiar que me permitiu retemperar energias de felicidade, todos à volta da mesa acompanhando o mastigar compassado das batatas e do bacalhau (ou da pescada para os mais esquisitos) e das doçuras da mamã.


E na calma do dia seguinte, até para "esmoer" as calorias natalícias, saí pela manhã enregelada a pedalar para me aquecer e deixar-me esvoaçar com as recordações da noite anterior. Deixar o pensamento percorrer na presença das grandes figuras do presépio da nossa existência, no sorriso lindo da avó Nanda, na sua constante preocupação que tudo estivesse bem saboroso, e do avô Eduardo que desta vez recebeu uma prenda minha para ler o Porto. Da cada vez mais amorosa e necessária companheira da minha vida e do meu filhote. Tudo num ambiente pachorrento de paz e amor, com o desembrulhar das prendas entre as traquinices da cadela Fofa e do gato Cookie.


Mas passados estes dias frenéticos de sorrisos, de compras, de barretes, de essémesses, de televisivas mensagens hipócritas de bom Natal, vai voltar tudo ao mesmo... vai voltar a crise, o debate político de tasca de aldeia, as manchetes televisivas qual "carrinha do peixeiro", os jornais de caserna, o miserabilismo nacional, a falta de confiança, a falta de ideias, e a culpa que é sempre dos outros... o farrapo velho de sempre!


sábado, dezembro 25

um filme de natal

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Era já de noitinha. Meio sonolenta e cansada, depois de um árduo dia de preocupações e preparativos em casa, caminhava agora por uma cidade deserta. Generosa deixou os filhos em descanso com os avós e vai em paz, pensando na vida, nas suas maleitas, observando quem nunca dorme, as árvores e as pedras da calçada. O seu destino é a igreja e o desejo de se juntar ao coro para cantar canções natalícias na missa do galo. As portas das lojas há muito que estão fechadas, as pessoas reunidas em suas casas, e nas ruas restam alguns resquícios de urbanidade: lixo ainda não varrido, passeios ainda não lavados, jornais do dia anterior por recolher, folhas secas levadas pelo vento, sonhos não trocados, sonos ainda não dormidos e despertares ainda não acontecidos. Dobra a esquina e passa junto à porta de um banco, um dos maiores. Do meio de alguns caixotes de cartão, acumulados a um canto, escuta tosse, muita tosse. Era impossível não dar com ele e observá-lo no seu sono e no encolhimento do seu corpo, acolhendo-se em si mesmo naquela posição fetal em que nos deitamos quando estamos desprotegidos ou abandonados. Ele dorme ali, escondido por um cão que lhe cobre as pernas encolhidas, e uma manta colorida que lhe serve de cobertor para o dorso e para o rosto. Generosa abranda o seu caminhar e aproxima-se lentamente.

Agacha-se com as mãos juntas por entre os joelhos dobrados, com cuidado para não o acordar, mas o seu coração dispara sobressaltado com o latido alarmante do cão. - Não se assuste minha senhora, ouve de uma voz cavernosa, ele é mesmo assim, assustadiço. - Peço perdão se lhe invadi o sono e o acordei, lamentou-se ela. - Ah, não faz mal, eu não estava a dormir e até estava de olho em si, diz-lhe o homem ao mesmo tempo que se revela, erguendo-se do leito improvisado. Mas subitamente o coração dela dispara e um nó aperta a sua garganta que seca. Vê um peluche numas mãos pequenas a sair do cobertor. Detêm-se sem palavras, desalentada com aquela cruel realidade. - É a minha filha, diz ele, já tão crescidinha e ainda brinca com bonecos, veja só! Generosa senta-se num banquinho perto da criança que dorme profundamente. A imagem daquela menina, já uma pré-adolescente, ali exposta aos rigores da madrugada fria, deixa-a dividida com um milhão de palavras e sentimentos que gritam na sua mente, imaginando como pode, se ela tem cama, casa e amor para dar aos seus filhos? Como é horrível estar-se assim!? Está na presença de uma sobrevivente, distante do seio materno, do aconchego do colo da mãe. - E a mãe, pergunta-lhe sôfrega? - Já cá não está… responde ele secamente. Não se preocupe minha senhora, já nos habituamos a aguentar o frio. - Mas e essa tosse? - Ah, quando chegamos a uma certa idade, qualquer pontinha de vento ou de humidade não perdoa, mas não vai ser esta maldita bronquite que me vai derrubar. - Devem estar com fome? - Não, obrigado por se preocupar mas não temos fome. Lá no albergue não nos faltam com nada e felizmente comemos sempre bem. Desta vez até trouxemos uns docinhos que sobraram da ceia de Natal...

Quedou-se em silêncio...

Eu sei o que está a pensar. Não é um presépio perfeito, pois não é! Não o escondo e nem tenho medo de admitir que já tive de mendigar. A má sorte e uns quantos vigaristas fizeram-me cair nesta miséria. E há por aí tantos como nós, mas ao contrário de muitos eu não me perdi na depressão e me entreguei à bebida ou às drogas. Não desisti de mim. E não desisti de procurar um futuro para ela... diz-lhe, enquanto ajeita o cobertor. Generosa escuta-o comovida - As portas fecharam-se para mim, sabe? É verdade, não desejo bom Natal a ninguém, não desejo... nada!... Estou amargurado porque só nesta época é que se lembram de quem precisa. Ela ouve-o agora com outra expressão. - Para mim isto do espírito natalício não faz sentido e até o considero hipócrita. Eu sei que nos outros dias não se anda a desejar mal uns aos outros mas será assim tão difícil ser-se solidário durante o resto do ano? Eu penso que não. Quando a saúde nos falta é que se torna tudo mais complicado. Mas quantos e quantos têm saúde, e vivem na pobreza? Quantos e quantos têm forças para trabalhar e vivem tristes e fracassados? Pessoas simples, que lutam muito, mas pouco conseguem. Quantos e quantos vêm o esforço de uma vida inteira desaparecer de um dia para o outro... e olha de soslaio para o edifício bancário. - É preciso erguer a cabeça, digo para mim mesmo. É lamentável quando confiamos e acreditamos piamente nas pessoas que depois, sem razão, nos viram as costas. Para quem apenas o dinheiro tem valor... De mim já espero pouco mas não como um fracassado. Espero viver o resto da vida de cabeça erguida e não vou sossegar enquanto não alcançar o cume desta montanha. Os grandes vencedores não são os que acertam à primeira, mas os que persistem até vencer. E olhe que paciência não me tem faltado...

Volta a imperar o silêncio. E ela, sem nada dizer, ouve mais isto da boca dele:

Vá minha senhora, siga o seu destino. Mantenha essa pureza de sentimentos, acredite em si. Tenha paciência e não desista. Não olhe só para os seus defeitos, mas reconheça as suas virtudes e qualidades. Não importa onde está o ponteiro do relógio da vida. Apesar de não haver sorrisos e presentes o ano todo, é só querermos e conseguimos manter acesa a chama da bondade e da generosidade dentro de cada um de nós.

E, sem compreender muito bem o que tinha acontecido, Generosa lá foi de passo acelerado para as cantorias da igreja, pensando se tudo o que viu e escutou não passou de um sonho ou a mais pura realidade.


"Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação."

Charles Chaplin

Banda sonora: Foo Fighters - Home (Echoes, Silence, Patience and Grace)


quinta-feira, dezembro 23

last chance workout

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Pois é, mais um ano, mais um Natal, mais um pequeno sacrifício para se largar alguns a€reos para o nosso querido Pai Natal que, tal como eu, anda nas lonas… Está a aproximar-se a data limite para as compras de Natal e, como um bom tuga que me prezo, também me é tradicional completar a lista de presentes mesmo à última da hora, mas desta vez não. Desta vez resolvi encurtar a minha lista, de forma a sobrar-me tempo e dinheiro, até para outras coisas, como por exemplo manter a boa forma.

A todos um bom Natal, festas felizes, paz e saúde, blá blá...blá e preservem o bom humor e o espírito natalício, ó faxabôre, até para enfrentar o maralhal que entope o transito e as entradas e saídas dos shoppings. Isto é que vai uma crise!



terça-feira, dezembro 21

"os medrosos anónimos"

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“Teatrando” é um projecto do Centro de Educação e Terapia (CRIAR) de teatro e expressão dramática para adolescentes e jovens adultos que pretendem associar ao seu desenvolvimento e autonomia, uma formação e orientação na realização das suas actividades comuns. Este grupo de jovens conta já com quatro peças originais, apresentadas no Pequeno Auditório do Teatro Municipal Rivoli: "Conflitos", "Auto da Barca da Escola" e "Comunicando".

“Toda a gente tem os seus medos, são uma emoção central na nossa vida! Alguns são medos racionais e protegem-nos, outros irracionais e não sabemos lidar com eles...” Este foi o mote da reflexão que, perante muitos convidados, o Teatrando levou, ontem à noite, à cena na peça “Os Medrosos Anónimos”... Tem gente que tem medo de trovão e andar de avião. Outros temem os bichos e a escuridão. A criança tem medo do polícia e a velhinha do ladrão. E tu, de que tens medo? Eu, eu tenho medo de injecção. "Oh, pá, quem tem cu tem medo!..." ou "Quem tem medo compra um cão!..." Quando o medo começa a atrapalhar as nossas vidas, a solução (quase sempre é simples na teoria mas difícil na prática) é levantar a cabeça e compartilhar. É importante descobrir que outros sentem os mesmos temores e saber como enfrentar os seus medos.


Procurar através da arte dramática, da criatividade e convivência destes jovens, no desenvolvimento das suas necessidades e potencialidades, foi a forma que Teresa “Tecas” Madureira, encontrou para os orientar como protagonistas de um desafio que é representar. No grupo “Teatrando” simplesmente não existem diferenças, todos são estimulados a identificar as suas capacidades, a encarar os obstáculos e vencer os desafios que a vida e a sociedade lhes impõe. Juntos eles aprenderam a compreender o outro, convivendo com as suas personalidades de uma forma harmoniosa. Trabalham os aspectos da socialização, da cognição, o falar sobre as experiências do seu quotidiano, hoje eles conseguem ver que são especiais e bem mais capazes do que se viam antes. No palco passaram a ver a vida com outros olhos.

Elenco:
Afonso Carvalho
Andreia Cunha
Beatriz Valente
Daniela Viana
Maria João Silva
Pedro Sousa
Rafael Almeida
Tomás Babayans
... mais o Hugo que entrou de improviso. Os meus aplausos a todos, especialmente ao Rafa.


segunda-feira, dezembro 20

postal de boas festas

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... e assim decidi também vos enviar por e-mail!


sexta-feira, dezembro 17

lá fora...

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Não está frio nem orvalho. Está um grizo do... até me fez arrepiar caminho e chegar mais cedo no gabinete. Ahhhhh... e cá dentro estou tão quentinho! Estarei a ficar velho!?

Adenda músical ao poste (a este e ao anterior):

Oh Paulofski, se cá nevasse fazia-se cá ski...




o pagador de promessas!

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Há cerca de três anos, o discurso de José Sócrates sobre a nova Lei da Nacionalidade surpreendeu os que prestavam atenção às palavras do primeiro-ministro. Isto porque, no meio das frases da praxe, Sócrates pediu o esforço de todos por um país mais... pobre!



Passado este tempo todo, pelo menos não o podem acusar de não cumprir aquilo que prometeu...