sábado, novembro 14

i gotta feeling

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music from Black Eyed Peas


Let's do it!


sexta-feira, novembro 13

miiaauuuu....

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Namoriscando o proibido, seus olhos pirilampiscavam. À medida que avançava, seu coração tiquetaqueava. Sóquando desaguou na outra margem do tempo ele ousou despersianar os olhos. Nada sobrava de sua anterior gateza. E o escuro, triste, desabou em lágrimas. E os olhos do escuro se amarelaram. E se viram escorrer, enxofrinhas, duas lagriminhas amarelas em fundo preto. Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro mora quem lá inventamos. _ ... Somos nós que enchemos o escuro com nossos medos. Metade de seu corpo brilhava, arco-iriscando. Quando a mãe olhava o escuro, a mãe ficava com os olhos pretos. Pareciam cheios de escuro. Como se engravidassem de breu, a abarrotar de pupilas.

De “O gato e o escuro”, Mia Couto.




quinta-feira, novembro 12

gabinetêvê [12]

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O anúncio publicitário português «Cinco Razões para não usar preservativo» foi considerado o melhor anúncio governamental europeu de prevenção da Sida num concurso internacional – dinamizado pelo governo alemão «European AIDS Video Clip Contest - Clip & Klar europe 09», segundo anunciou hoje a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida.

O júri do concurso foi constituído por um conjunto de profissionais destacados da área cinematográfica, dos média e da prevenção da infecção VIH. A entrega do prémio ao governo português teve lugar hoje em Colónia, no âmbito da Conferência Europeia de SIDA que se realiza nesta cidade alemã até dia 14 de Novembro.

O spot premiado de promoção da utilização consistente do preservativo foi exibido nas televisões portuguesas em Outubro de 2007 e conta com a participação de diversas figuras públicas nacionais: Vítor Norte, São José Correia, Pacman, Cucha Carvalheiro, Sara Prata, Rita Salema, Bruno Nogueira e Alberto Quaresma. O anúncio vai agora voltar a ser exibido.

Fonte: Ciência Hoje





quarta-feira, novembro 11

público, publico

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Conhecem? Já os ouviram cantar? Sabem do que estou a falar? "De todos para um" (clica aqui para ver o vídeo), são funcionários cantores de um departamento da autarquia de Portimão, como poderiam ser enfermeiros mágicos de um centro de saúde, professores malabaristas de uma escola primária, polícias bailarinos da esquadra de Cedofeita ou actores dramáticos numa repartição de finanças. Colocaram-se a jeito, é degradante, que péssimos cantores, dizem por aí. O que quer que digam, estes funcionários públicos não deixam de ter alguma imaginação, espírito de grupo e tom de voz, no mínimo discutivel. Diz o povo que quem canta seus males espanta. Pois diz, cantam mal e espantam!
Aqui em privado, que ninguém nos ouve, com vontade e verdade eu, público, publico que é pelo facto de julgarmos o todo e não o individuo que paga o justo pelo pecador. Então, já que têm a fama, pelo menos que tenham algum proveito:




Numa repartição estão 4 funcionários chamados Toda-a-Gente, Alguém, Qualquer-Um e Ninguém.

Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria. Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez. Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente. Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria. No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.

Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, outro funcionário para evitar todos estes problemas.

(Para melhor entender a anedota clica na imagem, depois no "START" e de seguida, uma a uma, nas actividades até ao "EXIT". Têm tempo até às 17 horas para acabar o expediente.)

segunda-feira, novembro 9

berlim

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Livre! Já és livre. És livre porque te reinventaste na coragem. És livre porque estás viva. E como estás viva esta noite… Mais viva que a própria vida! Louca de alegria, numa loucura incontida que voa cada dia mais alto em busca do infinito, que o infinito não te basta. Fica-te bem um pouco dessa loucura, dessa liberdade. És livre porque com as tuas próprias mãos, com o teu sangue, derrubaste as paredes da vergonha. Quebraste amarras farpadas dessa cortina de ferro. Destruíste em cacos de memória o cimento da infâmia que te separou os filhos. Que te tirou o futuro, tão grande lá do outro lado, onde se voa e não se rasteja. Os homens são ocos, tão ocos que já não sabem ser loucos, quando ser louco é só ser humano.




Há muito que esse muro merecia cair. Ao fim de vinte e oito anos de vergonha, o Muro de Berlim caiu por terra, pelo seu próprio peso. Com ele caiu toda uma ideologia política, um sistema autoritário, um capitalismo de estado. Com a Glasnost e a Perestroika na URSS, durante o governo de Mikhail Gorbachev, deu-se o início ao processo de abertura política e de novas liberdades dadas à população e que contribuíu definitivamente para a ruína de todo o sistema soviético. Há vinte anos o muro desapareceu quase tão depressa como surgiu. Irmãos que foram separados à força reuniram-se em família, como um povo, uma cidade, um país, um velho continente. Mas a vergonha continua espalhada em muitos outros locais. Muros invisíveis que não foram construídos à nossa volta, mas dentro de nós. Muralhas difíceis de derrubar que quando pensamos já demolidas, os alicerces ainda restam profundos, espetados nas nossas vidas. Muros mais altos e intransponíveis que foram erguidos desde 1989. Enquanto restar alguma pedra, conservaremos o ódio, a indiferênça, o medo, o egoísmo, o racismo. Outros muros, outras lamentações. Há ainda tantos muros por derrubar.

sexta-feira, novembro 6

é melhor parar por aqui!

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Quando uma porta começa a fazer creeeeeck, creeeeeck, sempre que a abrimos ou fechamos, provavelmente está na hora de lhe olear as dobradiças. Decidi dar este exemplo mas serviriam muitos outros para que, de algum modo, eu introduza aqui o tema da gestão doméstica sobre o ponto de vista masculino. Frequentemente, quando percebemos que alguma coisa está avariada, decidimos enfrentar logo o problema antes que ele se agrave, ou que alguém reclame. A questão é que a nossa definição de problema é diferente da definição de problema das mulheres. Se a lâmpada fundiu, isso não é um problema. Se a lâmpada ainda não foi trocada, isso já é um problema. Quando um procedimento doméstico precisa, ou terá necessidade de ser realizado, nós agendamo-lo de acordo com a nossa disponibilidade para um horário conveniente. Nunca no horário do futebol, quando se está na net, nem à hora da sesta. Nós temos o senso da prioridade e mais a mais é tudo uma questão de caixa de ferramentas. A louça não vai fugir e pode perfeitamente esperar que se faça uma soneca no sofá após o almoço. É que uma sesta adiada é uma sesta perdida! Se a tampa da sanita está erguida e precisamos de nos sentar, nós baixamo-la. Se estiver fechada e precisamos de fazer pontaria, então abrimo-la! Não há motivo para se fazer disso um drama. Amanhã é sábado, ora deixa cá ver: arrumar a roupa, limpar o pó, aspirar… Uiii, é melhor parar por aqui!


Queen - I want to break free


Bom fim-de-semana


quinta-feira, novembro 5

moleza

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Quando me faltam palavras para os sentimentos do dia, é como se um nó cego se formasse nos dedos e me impedisse de transformar as palavras em poesia. Hoje fico-me por aqui, a mirar ao redor e a sorver as vossas palavras, de amigos, escritores, poetas com os seus humores. Palavras que consolam o coração de quem as lê e que bem longe nos transportam, nem sei bem porquê! Palavras que amigos blogueiros libertam e que me dizem muito. Assim, aproveito este sentimento, ou momento, que me trespassa para fazer um agradecimento, especial e sincero, a todos os que estão sempre presentes, de todas as maneiras. Também aos que não estão, porque não? É apenas moleza, disso podem ter a certeza!

quarta-feira, novembro 4

querem que vos conte?

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Eu conto. Quando dei por mim, estava eu de pé, perdido, com um papel na mão e um olhar inexpressivo para um mapa que, supostamente, me iria ajudar a decifrar o meu enigma: Como raio iria sair daquele labirinto. E ainda por cima a minha primeira e única aventura nesta giga-mega-multi-empresa começou com a inocente necessidade de adquirir um simples banquinho que fosse leve, confortável e regulável em altura. E deram-me esta ikea… digo, ideia: – Ó Paulo, porque não perguntas à Anna lá no site dos gajos? E assim foi. Virtualmente, dei com dito objecto, mesmo à medida das necessidades da minha cara metade. Nada que o nome com que o banquinho foi baptizado, de VITAMIN, não me tivesse sugerido que poderia até ser um iogurte ou um creme dermatológico em vez do nome de uma aldeia piscatória da Suécia ou de uma qualquer tribo do Senhor dos Anéis e fomos lá, comprá-lo.
É claro que tudo começou muito bem! Aquilo é enooooorme. Logo ao cimo das escadas rolantes, mesmo à entrada, oferecem espaço para a alimentação. Fiquei confuso. Até existe lá uma creche! Deve ser para que inconveniências como crianças ou fome não atrapalhem as compras, pensei! Lá mais para a frente, no final da minha aventura, até achei que nem seria má ideia se houvesse também um serviço de relações conjugais ou aconselhamento matrimonial! Li inclusive, há dias, que na Noruega o Ikea oferece a possibilidade dos clientes pernoitarem. Não sei se ficaria mais barata a estadia caso tivessem de montar as próprias camas! Assim até teriam de ficar uma semana! Adiante.
Entro num intrincado sistema de corredores, de sentido único, e percorro tudo o que não me interessa até chegar ao dito banquinho. Embora de início tenha ficado com dúvidas para que serviria, felizmente não aceitei o enorme saco amarelo que me foi proposto. O Ikea diz-nos o que podemos encontrar e quem quiser alinha, libertando assim espaço na sua vasta colecção de coisas para encher com mais coisas. Pelos vistos não foram só os portugueses que se deixaram enfeitiçar pelo negócio. Aquilo estava cheio de casais espanhóis que cá vêm entupir o parque de estacionamento e os corredores da loja, dando um colorido sonoro à experiência. Antigamente, íamos nós ao Corte Inglês! Mudam-se os tempos... E bem que se podiam inspirar na arrumação cuidada e minimalista dos espaços onde são recebidos, mas não! Circulam descuidados e animalescos (dando razão aos meus receios), de mãos dadas, a passear por cenários utópicos, imaginando-se num quarto Aspelund, confortavelmente deitados numa cama Camila, envoltos em têxteis Beata, admirando a textura dum móvel Bestå. É de facto uma loja multifacetada, tem tudo o que não precisamos num sitio só. Ali, “hombres” viris, machos latinos, transformam-se subitamente em dedicados elfos do lar, com particular interesse nas panelas, nos abat-jours ou em tábuas de engomar.
No meio do processo fiquei sozinho, como uma criança perdida, e fui salvo no último momento ao socorrer-me do GPS de bolso. O que me valeu foi o telemóvel para reencontrar a família. Munido do talão de encomenda, percorro, soando as estopinhas, todo o longo percurso que me iria devolver à natureza. As indicações levam-me até um descomunal elevador e, sem saber bem como, saio para um armazém tipo hangar de aviões, repleto de prateleiras cheias até ao tecto. Mais ao fundo, vislumbro finalmente uns raios de luz e aí as minhas esperanças de sobrevivência renovam-se. Uma vez chegados às caixas foi só seleccionar ,das 4 que estavam abertas, a que tivesse uma fila menor e esperar uma meia hora. O cheiro gorduroso que vinha da esplanada de alimentação, mesmo em frente, fez-me então perceber que já passava da hora do almoço, e o quanto a resistência pode ser fútil. Pagamento feito, ainda faltava um pequeno e relevante acto final, recepcionar o objecto motivador de toda esta epopeia. E o que é que era mesmo? Ahhh… o banquinho VITAMIN. Com a caixa debaixo do braço, seguimos cambaleando até ao carro, exaustos e aliviados por termos escapado à tortura. A nossa relação sobreviveu à provação do IKEA, bem como o banquinho que ainda resiste, não tivesse sido eu a montá-lo!




terça-feira, novembro 3

e agora, ainda estão faceiros?

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Face a isto e face àquilo, os últimos dias têm sido pródigos em novas facetas. Quem mais prevaricou? Quem mais vai, sem querer, dar a outra face? Ainda há muitas sombras nesta face oculta. Da investigação espero tudo menos um volte-face. Já estamos habituados a ver a lei fazer “faceliftings” de conveniência, cansados que a justiça tenha uma dupla face.
Pois o que este interface de notícias me dá a saber é que desta vez não deveriam ficar sentados com o livro a tapar a face. Espero que resolvam temperar a alface, isto é, investigar sem facilitar!



Será que me faço entender?


domingo, novembro 1

o som da frente

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Foi a companhia de uma geração, a arte de ouvir, uma marca registada. Foram noites bem passadas (não tinha hipótese de adormecer antes das três da matina), embaladas pelo vozeirão do grande António Sérgio! Pelas ondas hertzianas eu mantinha uma “conversa” com o radialista que me acompanhou em muitas madrugadas (e o que eu estudei a ouvi-lo!). Nesses tempos de adolescência ímpia e impune, ouvir O Som da Frente era uma atitude e uma alternativa. O Som da Frente (de 1982 a 1993) foi um programa de rádio que desempenhou um papel relevante na assimilação da música dos anos oitenta, numa forma alegre, intimista, psicadélica, onde ouvir era um vício, um estado de espírito do momento. Noite após noite, tocava as novidades musicais, contava histórias passadas ou futuras, num conceito oposto à estreia mundial, às tabelas de vendas e ao prato forte das “playlists” das estações de rádio. Propôs-se como um projecto de divulgação inovador, funcionou como um estaleiro de som, onde as ideias se transformavam em opiniões, o direito à diferença era simples e vanguardista. Uma tribo de fiéis seguidores chegou ao ponto de lhe dar um toque de magia, trazendo as mais recentes novidades de Londres e emprestando os discos, fazendo do Som da Frente uma montra de som enquanto experiência alternativa. Na época, o circuito de importação e a penetração da industria discográfica em Portugal não tinha a mesma expressão que tem actualmente. Na aparelhagem estava sempre uma cassete, dois dedos no "Rec" e no "Play" e assim fazia os meus “downloads” da época. A memória mantem uma saudosa lágrima de um programa de rádio que moldou alguns dos gostos musicais que ainda mantenho.

Com o passar dos anos a voz grave ganhou modulações, subtilezas e ressonâncias. Reservado e solitário, assim ficava António Sergio quando se sentava atrás do microfone nas quatro paredes de um estúdio de emissão, mas nunca se alheou da vida ou das gentes e sempre recusou estatutos especiais ou lugares privilegiados. O radialista faleceu. mas a voz por trás do microfone não deixou de estender o seu manto habitual.

Shriekback - "This Big Hush"(disco 1, faixa 17)