sexta-feira, julho 1

é só o primeiro retirado da cartola

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Extraordinário! Segundo julgo saber este imposto andava já a ser condimentado aos cozinhados partidários da direita, faz tempo. Marinou o tempo suficiente entre um PEC e outro, este no entanto é bem mais refinado e à moda do chef. Depois, por um acaso, enquanto o povo choramingava e desmaiava nas ruas pela morte de um famoso, o Governo português anunciava novo assalto ao bolso dos contribuintes, ah não… deveria ter dito novo sacrifício, tsss… enganei-me!

A quem vai pesar mais, este roubo… ai que mania, sacrifício? Ora a quem! Àqueles a quem tem sido tirado tudo. Direitos laborais, direito à saúde, direito à dignidade. Como se sabe este imposto incide sobre os rendimentos do trabalho e das reformas, e sabemos bem que quem vive dos rendimentos do trabalho é que tem a massa que está em falta nos cofres do Estado. Seja como for, tudo foi preparado para que grandes empresas nacionais, grandes fortunas e a banca não sejam incomodadas nem sacrificados. Porquê? Ora, porque é indigno trabalhar, sobreviver com o suor do seu esforço. Mas já é de cidadania permitir toda a gatunice, receber umas migalhas e com elas honrar o custo de vida, para outro alguém ficar a criar riqueza. Os prémios pagos aos “quadros superiores”, que constituem, também, remuneração do trabalho, vão ser tributados (viram, não disse gamados)? É que eles representam uma larga fatia dos que oferecem prendas de Natal em géneros, como carros de luxo, cartões visa, viagens à neve. Vão ser tributados? Mas o mais extraordinário é que o Estado prepara-se para querer receber o tal imposto, mesmo a quem não recebe o tal subsídio. Sim, falo dos tais recibos, os verdes.

Pois é, já devem ter percebido que os que já ganham mal, além do costume, vão piorar a sua situação financeira na senda do interesse nacional e, como iremos estar em época natalícia, de paz e fraternidade, mais do que a quadra onde se trocam presentes será a época de doar e de investir na vã esperança. A eles que são tão pobrezinhos, coitadinhos, nós damos-lhes umas esmolas, umas sobrazitas que temos e íamos deitar fora!

(clica na foto para veres melhor)

"Pois, pois… melhor seria que todos os portugueses ganhassem 485€", pensam os patrões. "Assim ver-se-iam livres deste imposto".

5 comentários:

Kok disse...

Uma ideia que talvez possa ajudar a ultrapassar a crise:
Considerando que existem:
750 mil a receberem o sub. de desemprego,
750 mil sem trabalho e que recebem complemento de ajuda à pobreza,
5 milhões de reformados (+ coisa, - coisa),
É acabar com esta "tropa" reduzindo a população a (+ ou -) 3,5 milhões de portugueses.
Ou seja, ficariam só os que trabalham e por isso os pagam impostos.

Sei que acabei de escrever um disparate, mas toda a situação em que vivemos não é o resultado de um disparate continuado de uns quantos "iluminados" que têm vindo a fazer malabarismos com o dinheiro do "pagode"?

! abraço pah!

Teté disse...

Ainda não percebi é se as contas são feitas com o ordenado líquido, ou ilíquido! Fiz as contas com o líquido e dá-me mais ou menos o mesmo que nessa tabela...

Roubar também a quem trabalha a recibos verdes, e que portanto não recebe subsídio de Natal, parece-me uma anormalidade ainda maior!

Mas pelo começo (e não é que tivesse dúvidas), já estamos todos a ver o que nos espera... :P

Bom fim de semana!

Laura disse...

Té té, quem dá formação como o meu manel, em Agosto as escolas fecham..logo em Outubro não recebem nada, em Dezembro só trabalham uns dias, pagam-lhes esses miseráveis dias em Janeiro e em Fevereiro não há ordenado e ainda cortam mais agora, injusto, injusto...e os que muito ganham continuam a ganhar muito e ainda se queixam da misérias que lhes tiram..mal feito. mas, quem faz algo?

Beijinhos.

laura

Donatien disse...

Essa de sacar aos recibos verdes AINDA é maior roubo.
Será que os do RSI vão ter cortes?

Rui da Bica disse...

Pelo que me toca, vou pagar e acho muito justo !
Infelizmente não ganho os 20000 para "ter a sorte" de pagar os 9757.5 ! :)))
Tomara eu pagar o máximo ! :)))
Felizmente que o grosso da população portuguesa ganha o salário mínimo ou muito próximo disso e esses estão a "salvo" !
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