terça-feira, julho 5

um lugar

Partilhar



(a foz do Rio Teixeira no Rio Douro...)



(...palco de brincadeiras em tempo de férias)

Numa súbita carência, recordo com saudade os grandes tempos em que as brincadeiras de garotos se faziam na rua, nos quintais, no campo da bola. Davam um tom colorido a um mundo a preto e branco, eram a alegria das aldeias. Era o pião, as caçadinhas, a cabra-cega, a bola, o “aí vai milho”. Era a ansiosa expectativa de finalmente sair o “raro” e as persistentes negociações na troca de repetidos para completar a caderneta de cromos. Era o intercâmbio cultural de livros do Patinhas e do Asterix. Era a excitação do momento em que chegávamos às aldeias dos nossos avós. Era o momento de viver como Tom Sawyer. Era a canseira boa de correr, só por correr, de subir às árvores para provar a fruta madura e até a verde que sabia tão bem. Eram os saltos para o rio. Eram tardes e tardes a pescar bogas à mosca. Era pedalar e jogar horas a fio. Encenávamos batalhas terríveis, joelhos esfolados e travessias a nado em jornadas de contínua e olímpica irresponsabilidade... até decidirmos, ou alguém por nós, mudar de brincadeira. Das brincadeiras de pequenos, na rua até às tantas, raramente resultava prejuízo para algum. Uns com os outros dizíamos o que não lembrava ao diabo, eram zangas de minutos que davam amizades para o resto da vida. E aos adultos sempre se “desfarrapava” uma desculpa, mesmo a mais descabida, porque éramos uns traquinas. Resta um lugar, muitos lugares preservados na memória.

7 comentários:

Teté disse...

É, muitos desses lugares e companheiros de brincadeiras têm lugar cativo na nossa memória. Direi mais, mas nossas melhores memórias de infância...

Não tinha rio por perto, mas nas férias também havia um rio onde tomávamos banho, quer mais junto à sua foz, quer nos campos cobertos de macieiras de maçãs verdes e a cheirar a elas... Era o Âncora, mais estreito que esse, pelo menos no Verão, que nasce na serra de Arga e desagua em Vila Praia de Âncora! :)))

Boas recordações, essas! :)

Rui da Bica disse...

Curioso ! Estive há muito pouco tempo a passar um fim de semana a 50 metros à direita, na Quinta da Ermida, juntinha à Estação de caminho de ferro da Ermida e tirei umas fotos exactamente neste Arco !
:))
.

Nanny disse...

E não fomos, e somos, uma geração muito mais saudável e menos mimada, mas preparada para a vida...?

Eu gosto de quem sou, e muito resulta de ter vivido a infância que vivi...

Nanda disse...

Paulo, que bom lêr as tuas recordações da infância na aldeia, pois recordo tambem quando eu era criança e ia passar férias para casa da minha avó ( tua bisavó).
Eu sei como tu e o teu irmão,eram traquinas eu em criança tambem era uma maria rapaz mas às meninas não eram permitidas tantas traquinices
como aos rapazes.
Que saudades.
Muitos beijos

ψ Psimento ψ disse...

Ainda há pouco falei com alguns colegas sobre as brincadeiras de criança que tínhamos. E curiosamente reparamos que apesar de termos todos crescido em locais diferentes tínhamos as mesmas brincadeiras. O jogo do camaleão,as caçadinhas, o cola e descola, os berlindes e os tazos...
Bons tempos.
Reparei que também és fã de Deolinda ;)
Um abraço

Kok disse...

Que distância deste teu post às consolas de hoje onde se pode jogar (??) uma partida de ténis (por exemplo) sem sair de casa...

Que saudades da bola de trapos...

1 abraço!

Tó (Mano) disse...

Boa Mano...essa memória fotográfica é um espetaculo....lembras-te das corridas de bicicleta que faziamos á volta do bairro em Fanzeres??? e quando eu me estatelei, e andei uma semana a dormir de pijama (com uma caloraça...) para o Pai não ver as minhas feridas!!
Infelizmente agora os putos têm "computadores"...e agora vivem na ilusão do virtual.
Abç mano