sexta-feira, março 25

um passeio que poderia sem bem mais alegre

Partilhar

(foto do blogue porto do crime)

O Jardim do Passeio Alegre é um dos jardins românticos do Porto e um dos locais à beira-rio de visita obrigatória. Goza de uma personalidade própria. Está localizado na Foz do Douro, junto ao Castelo de S. João Baptista, ponto de passagem pela marginal do Douro em direcção a Matosinhos. É um jardim oitocentista, com uma extensa área, tem uma forma triangular envolvido pela Av. Carlos I (junto ao rio), a Rua de Dom Luís Filipe (de onde saíam os exames de instrução automóvel – quem se lembra?) e a Rua do Passeio Alegre (que dá nome ao jardim). Possui variadas espécies vegetais, como as suas famosas palmeiras, árvores de copas e plantas ornamentais. Possui chafariz, candeeiros de ferro fundido, obeliscos, da autoria de Nicolau Nasoni levados da Quinta da Prelada, um coreto metálico e um mini-golfe, onde outrora passei verdadeiros momentos de entretenimento. Tem algumas fontes decorativas, o Chalet Suíço (quiosque de música), monumentos e bancos para um aprazível descanso.

Entre muitos valores patrimoniais e culturais da chamada Foz Velha, assume particular interesse pela sua singularidade, a zona do Passeio Alegre, dada a harmonia do conjunto que se estende desde o Castelo da Foz, até à chamada zona dos Pilotos, onde se situa a Torre de S. Miguel o Anjo.

A Rua do Passeio Alegre foi recentemente objecto de intervenção pela CMP (da responsabilidade da empresa municipal Águas do Porto) em toda a sua extensão. A meu ver foi uma uma oportunidade que se perdeu, pela falta de ambição de projectos e vontade deste executivo, que deveria ter valorizado e revitalizado toda zona envolvente, da Cantareira à Foz do Douro, reservando tudo o que tem de bom, e que já é dado de forma natural, privilegiando obviamente o eléctrico. Mas não! em vez disso, removeram os carris (o que infelizmente impossibilitou a ligação de eléctrico desde o Infante até à Rotunda do Castelo do Queijo). Podiam ao menos manter a linha à volta do Castelo da Foz, e ligá-la à existente, permitindo a sua passagem de volta pela Avenida das Palmeiras (Av. de D. Carlos I). Em vez disso a CMP optou por obras baratas, como cimentar passeios e a repavimentação de algumas ruas daquela zona (para quê gastar dinheiro se o que interessa é que fique baratinho…!). Ao menos lembraram-se de construir a via ciclável na Rua Coronel Raul Peres. Mas isso não chega. Entre os novos molhes até aos pilotos, a Avenida das Palmeiras permanece na mesma. Mantém um estado degradado, preenchida de carros (e quartos) virados para o rio, sem uma ciclovia digna da função. Toda a zona requer uma intervenção urgente, que adopte um critério de disciplina urbana visando a sua preservação e característica original, e isso passa pela impreterível retirada dos automóveis e a construção de uma via que dê uma continuidade tranquila ao passeio das bicicletas. Quanto aos ciclistas que chegam pela via ciclável existente, tanto quem vem junto ao rio como quem chega vindo da Avenida Brasil, (no meu caso montado numa bicicleta equipada com pneus de 20mm), dificilmente arrisca pedalar num piso lunar de granito onde supostamente se encontra a ciclovia (!!!), ou no paralelo irregular da avenida, e opta pelo asfalto da rua rejuvenescida. Outros, equipados com pneus BTT, pelo menos têm uma boa alternativa que é atravessar os caminhos sombreados pelas árvores do jardim.

A zona do Passeio Alegre tem valores históricos e artísticos que deverão ser considerados, não apenas como elementos urbanos mas sim como fazendo parte de um todo que deve viver em estreita relação com a natureza. A preservação da moldura do jardim é importante, e é necessário o seu enquadramento com o rio, numa visão moderna que acautele os espaços e a sua qualidade. A cidade e todos nós só teríamos a ganhar.

(Poste clonado de um gajo que anda por aí na bicicleta.)


4 comentários:

Rui da Bica disse...

Não podia estar mais de acordo ! As fotos revelam bem esse "atentado" ao que podia ser bem mais alegre !
.

Teté disse...

Obras baratinhas é no que dá: remendam um buraco aqui e ali, sem ambição e desinteressados da paisagem onde se enquadram e das vantagens ou desvantagens para a população. Não será só no Porto que isso se passa... mas um pouco por todo o país. A cambada do costume!

Bom fim de semana! :)

Tó disse...

Vai um joguito de minigolf???
Abç Mano

Patti disse...

Verdade, é um mal extensível a muitas zonas do país. Onde deveria haver uma preocupação de recuperação feita com consciência,responsabilidade e conhecimento, prefere-se o "meia bola e força"!