quarta-feira, março 23

um pingo de bom senso, no mínimo!...

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Arrancou, recentemente, o Censos 2011, o maior levantamento estatístico sobre a população portuguesa. Esta mega-operação feita porta-a-porta tem por principal objectivo traçar um retrato fidedigno dos portugueses, tanto a nível individual, como familiar e perceber como somos, onde vivemos, como vivemos e em que condições trabalhamos. Disseram-me que poderia responder ao inquérito pela net a partir do dia 21 mas avisou-me o bom senso para não ir logo na conversa e desatar a congestionar e entupir o serviço online, como de facto aconteceu logo no primeiro dia. Mas passando os olhos pelos formulários, eis que surge a questão nº 32. Informam o inquirido que: se trabalha a recibos verdes, mas tem um local de trabalho fixo dentro de uma empresa, subordinação hierárquica efectiva e um horário de trabalho definido, ou seja, de forma ilegal, a opção a assinalar será "trabalhador por conta de outrem"! Então, quer dizer, a entidade patronal usa e abusa do “colaborador”, age em desacordo com a lei, e as pessoas têm de assinalar a cruz que indica exactamente o contrário? Para quê? Para ficar bonito nas estatísticas do governo? Ou apenas para camuflar os falsos recibos verdes de trabalhadores com plenos direitos sociais? E colocar uma cruz numa “outra situação” uma hipótese vaga que não reflecte a realidade de muita gente, de uma subordinação laboral imposta ilegalmente. Andei eu, na década de 90, quatro anos a passar recibos verdes ao Estado, de uma forma ilegal, e afinal era trabalhador por conta de outrem, sem contrato como deveria ter, com os benefícios/obrigações que daí deveriam resultar! Que parvo que eu fui.

Não bastando isso, agora leio isto: “Sem-abrigo recenseados em habitação de luxo. Dormem na Gare do Oriente e são recenseados nas Torres São Rafael e São Gabriel, as duas torres emblemáticas do Parque das Nações.”

Belisquem-me, ó faxabôre! Estas pessoas merecem mais respeito. Coragem era saber quantos são, como vivem, porque estão nesta situação! Continuam a querer obrigar-nos a enfiar a cabeça na areia. Somos um povo que vive na ilusão, na aparência e mais uma vez estes "Censos" que deveriam fazer um recenseamento que retrate minimamente a realidade e nos faça perceber como somos, onde vivemos, como vivemos e em que condições trabalhamos, apenas servem para fazer uma "cosmética estatística" ao real estado deste País!


6 comentários:

Rui da Bica disse...

Também a mim me surpreendeu ontem essa informação sobre a residência (a mencionar) dos sem abrigo, que dormem nas caixas de cartão.
Autêntica vergonha esta de não querermos mostrar a realidade, com medo das estatísticas. Acontece com isto e com muitas mais coisas !
... e é disto que vivemos : aparências !
.

Rafeiro Perfumado disse...

A minha alma está parva...

Teté disse...

Um beliscão virtual serve? Então cá vai... ;)

Já conhecia a história dos famosos recibos verdes que afinal são trabalho por conta de outrem, o que só por si é escandaloso. Mas real! Porque na verdade é o que acontece: patrões a quererem safar-se de dar regalias aos trabalhadores, mas a querer tratá-los como tal. E o Estado a pretender mascarar a realidade da precariedade laboral não passa de um embuste.

Essa dos sem-abrigo, parece-me outro: então vivem na rua e depois são dados como a viver em prédios de luxo? Mesmo que não fossem de luxo e apenas uma barraca, não é diferente da realidade que constatamos diariamente?

Temo que a maquilhagem do INE e dos nossos governantes não pare por aqui! Cum raio! :S

ψ Psimento ψ disse...

Apesar dos métodos quantitativos serem mais eficazes para dissolver a subjectividade, quando queremos ter determinados resultados pode-se sempre fazer estas batotas infelizes. Pessoalmente nem vi o que o meu pai preencheu. O dele foi por papel…
Um abraço já enviei então o e-mail, obrigado pela ajuda.

Inês Brito disse...

Isso é realmente ridículo. Conheço um senhor a quem obrigaram a inserir dados menos verdadeiros para "evitar confusões". Ele vive num barraco, com uma única divisão, anexo à casa de uma idosa que pouco consegue fazer por ele. Enfim...

Bj,
(i)

Laura disse...

Ena, eu tinha ficado a olhar pró ar quando li que os sem abrigo deram a morada de apartamentos de luxo, pode? fiquei assim tótó, mas ao ver a foto e ao ler o que dizes, ai, ai, ai...

Balham-nos mais o censo, se tivessem antes o bom senso de por o País a andar...

Um beijinho a ti.

laura