terça-feira, março 15

eu não acreditei...

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Todo este movimento de massas movido por uma população à rasca, levantou múltiplas questões aos que são ainda mais jovens. Ao meu filho assolaram dúvidas sobre o seu futuro, se escolheu o curso adequado (tem 16 anos, está no 11º ano de um curso técnico-profissional), se deve seguir a formação académica ou entrar logo no mercado de trabalho. Se valerá a pena continuar a estudar. Se alguma vez terá um trabalho estável. Se eu sou feliz na minha carreira! Muitos ses que eu “enrolei”, argumentando sem no entanto lhe garantir uma resposta definitiva. Agora, quanto a ter uma carreira!

Num ponto de vista frio e superficial, quando se fala em "carreira" normalmente pensa-se num método dinâmico e contínuo do relacionamento produtivo entre o ser humano, como agente em função do seu trabalho, e a sociedade, como beneficiária da sua actividade. Numa visão mais lírica da coisa pode-se considerar que o maior benefício para o trabalhador ao prosseguir uma carreira é aliar os seguintes ingredientes: objectivo, trabalho, realização. É legítimo.

Escolher uma actividade profissional nem sempre significa fazer uma opção. A formação por si só não garante um emprego, nem tão pouco uma carreira na sua área de interesse. Esta escolha não é simples nem sequer justa. A maioria das pessoas necessita de ter uma actividade que, para além da componente financeira, também faça parte da realização pessoal a que cada um tem direito.

A ambição é benéfica mas não deve ser desmedida porque torna as pessoas insatisfeitas, invejosas e frustradas. Quem arregaça as mangas, trabalha com afinco e satisfação, atinge mais facilmente os objectivos a que se propôs, promove a estabilidade da entidade laboral, cria relacionamentos saudáveis, rende mais e, portanto, tende a ser mais bem reconhecido e remunerado.

Naturalmente que podes construir uma carreira estável, disse-lhe. Em quanto tempo? Isso não importa. Não te preocupes com isso. No presente deves construir os alicerces da construção concreta da tua vida, dia após dia, estudando e colhendo ensinamentos, desafios e novidades, construindo uma boa preparação para um bom futuro e uma boa carreira, mesmo se não para toda a vida, pelo menos por um bom tempo.


3 comentários:

Rui da Bica disse...

Que vale a pena seguir uma formação académica, isso acho que está fora de questão, até pela presente falta de oferta de trabalho, mas não só. Será sempre muito útil uma avaliação de aptidão psicoprofissional e um aconselhamento sobre a área/s em nos possamos sentir mais felizes no trabalho que iremos desenvolver.
Uma das grandes falhas do Estado português é não haver uma informação claro sobre as áreas de formação que poderão ter procura nas próximas décadas. Daí, haver uma enorme quantidade de jovens que se licenciaram e não encontram trabalho na sua área porque a procura é maior que a oferta.
Certo é também que o emprego para toda a vida acabou. Resta-nos pois estar bem preparado na área em que nos sentimos felizes, para trabalhar naquilo que gostamos e preparados também para vir a prestar esse serviço em múltiplos empregos. Isso acontece lá fora, em que é dado muito mais valor a quem já trabalhou em vários empregos e não num só.
De resto, cada vez mais o mercado de trabalho é global e as fronteiras abertas, havendo a possibilidade de alargamento de oportunidades.

Há no entanto uma coisa que é fundamental e já focado em anteriores posts: é preciso que os pais dos jovens (nos 40’s 50’s) mantenham condições de os poder manter até lá e para isso não podem estar sujeitos a perda de emprego.

Teté disse...

Essas dúvidas chegam a todos, em todas as gerações, não serão de agora! Há que incentivar a aprender, estudar, trabalhar, seguir um rumo, mesmo sem certezas no futuro. Alguém as tem ou teve?

A ambição de um bom emprego, bem remunerado e com realização profissional é legítima, mas cada vez mais escassa. Mas cruzar os braços, não resolve nada! Pelo menos, é isso que digo ao meu filho (pouco mais velho que o teu), que teoricamente nem se importava nada de ir trabalhar para fora do país, embora suponha que não tem a nítida consciência do que é ser "emigrante". Se depois mudar de rumo, logo se vê, que os tais alicerces já lá devem estar...

Pai ou mãe pode fazer mais alguma coisa? Não me parece... ;)

Kok disse...

Não é fácil encontrar a solução para o actual estado de coisas.
O que é certo é que as mudanças estão a chegar com anos de atraso.
Porque as mentalidades não evoluem tão rapidamente quanto deveriam.
Não basta ter um curso académico e nem um curso profissional.
Nem mesmo ambos!
Porque o que uma sociedade procura e exige não é exactamente o que ensina e o que promove.

Akele abraço pah!