terça-feira, agosto 9

a título de desabafo

Partilhar


(clicar na foto para ver melhor)


Ao que parece na madrugada do dia 27 de Fevereiro cometi uma infracção. E qual foi? Ter tido o desplante de utilizar os prestimosos serviços do pavimento do IC24, A41, CREP, ou lá o que lhe quiserem chamar, durante 2 km e tal para levar a minha esposa ao aeroporto, sem pagar. Não obstante tal abuso, parece que passados alguns minutos reincidi gravemente na mesma infracção, no sentido inverso, tentando regressar a casa para voltar a adormecer. Às vezes parece que ando mesmo a dormir na forma porque em nenhuma das ocasiões que utilizei a via detectei o que quer que fosse. Hoje recebi uma amável carta registada, certamente para despertar a minha consciência, dando-me conta que ascendi à categoria dos caloteiros desta simpática empresa que é a concessionária de auto-estradas “SCUT” e “ex-scut” que tem entre os seus valores de “responsabilidade social”: «contribuir para o despertar das consciências para questões que dizem respeito à sociedade em geral e que afectam cada um de nós.» (!!!). Fiquei assim a saber que, sem saber, na referida via existem pórticos electrónicos que nos espiam e nos cobram pela passagem, coisa que não se fez no momento e nas diversas formas de pagamento de portagens que conheço, que é a um portageiro. Ultimamente não tenho conduzido muito, e muito menos para os lados de Pedras Rubras, como tal não entendo a necessidade de adquirir e colar no pára-brisas uma dessas máquinas registadoras que a referida empresa comercializa. Nos termos da legislação que invocam (!) estou notificado a efectuar voluntariamente o pagamento do montante em dívida, sob pena de coimas que se podem multiplicar. Ao que parece devo-lhes a exorbitância de 20+20 cêntimos acrescidos de 2.29+2.29 euros de custos administrativos (!) que representam 900 e tal por cento do valor da portagem. Deve ser isto a que chamam “explorar de forma inovadora e diversificada o negócio de auto-estradas.”


Não vou dissertar agora o facto de que o Governo encapotado nestas empresas esteja a cobrar a utilização de uma via que foi construída com os nossos impostos e com as verbas provenientes da União Europeia, porque esse infelizmente é assunto extrapolado pelas leis abusivas deste país. O que irrita é viver num país que disponibiliza uma determinada estrutura que caso as queiramos utilizar somos obrigados a pagar (o chamado principio do utilizador/pagador), mas que depois inventam estas modas tecnológicas e não disponibilizam nenhum funcionário para receber atempadamente o que se deve no final da utilização desses serviços, não sendo necessária a deslocação aos balcões dos CTT’s, que os substitui na cobrança. Pois se não cobraram na devida altura foi porque não estavam presentes no respectivo local quando eu passei! Seria o chamado “não deixemos para amanhã o que podemos receber hoje”. Mas não, esta é a cultura do “gamanço” institucionalizada, a passos largos para a ditadura financeira. Por mais que insistam eu não vou comprar nenhum desses dispositivos de cobrança, vias verdes e quejandos que tais. Posso realmente fazer o pagamento “postecipado”, conforme me notificam agora, mas que essa verba diga respeito às parcelas dos custos das portagens e... Custos Administrativos! Mais de 900%!!!


Ahhh, e não precisam de me lembrar, “paga e não bufes!” porque já bufei...

5 comentários:

Teté disse...

E bufaste muito bem, porque o que mais irrita é esta ladroagem que passa impune e a coberto de leis mais-que-duvidosas... Cambada!

Antigamente diziam "vão gamar para a estrada" e, pelos vistos há quem tenha tomado isso à letra! :p

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E ainda a procissão vai no adro...
Daqui a um ano as coisas estarão de tal forma, que até para andar a pé coreemos o risco de ter de pagar portagem. Mas o povo é sereno. come e cala.
Até um dia...

Rafeiro Perfumado disse...

Eu tenho receio que o próximo passo seja colocar-nos uma portagem à entrada de casa. Lá terei eu de começar a dar uso à janela.

Abraço, amigo bufador!

redonda disse...

Muito mal feito, e a prejudicar também o turismo.

Kok disse...

Custos administrativos?
Mas que raio de porra é essa?
-Atão um gajo vai ter que pagar TAMBÉM o aluguer de talheres e mais quem os lavará, quando for comer a um restaurante?
-Àh pois! E isso já aconteceu...
-Pois aconteceu, mas houve reclamação e coisa acabou.
-Mas neste caso, parece-me que por mais que bufes...

Akele abraço pah!