quarta-feira, fevereiro 2

um eléctrico chamado velho [1]

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(Dentro do 22 à espera do 18 para o transbordo de passageiros)

Li ontem na imprensa que no Porto os eléctricos andam mais cheios. Congratulo-me que este meio de transporte colectivo urbano e tradicional se mantenha em franca actividade. Em 2010, viajaram a bordo das três linhas de carros eléctricos da STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto) 390.000 passageiros, um aumento de cerca de 30% relativamente a 2009. Trata-se de um número recorde de pessoas transportadas desde a abertura ao público da Linha 22. O carro eléctrico é um meio de transporte recordado com saudade por muitos tripeiros. É com nostalgia que muitas vezes entro no 22, ao Carmo, atravesso o jardim da Cordoaria, desço os Clérigos, passo na Praça, subo a 31 de Janeiro, Santa Catarina, e desço na Batalha ou nos Guindais.

(Dentro do 22 a descer a Rua dos Clérigos)

A primeira linha de eléctricos da Península Ibérica foi inaugurada no Porto a 12 de Setembro de 1895. Nestes 116 anos, a rede de linhas de eléctricos teve um importante desenvolvimento, cobrindo praticamente todo o território da cidade e chegando aos concelhos limítrofes, a que se seguiu um processo de declínio que, designadamente na década de 80, levou a que este tipo de transporte passasse a ser praticamente marginal. Aos poucos, os eléctricos foram sendo postos de lado, desaparecendo das ruas. Começaram a aparecer os tróleis, depois os autocarros e o metro. Apenas o 18 se manteve em circulação, entre o Carmo e Massarelos, fazendo ligação com a Linha 1 que circula na Marginal do Douro, entre o Infante e o Passeio Alegre. Fica entretanto, e infelizmente apenas pela vontade, o desejo de ver o eléctrico chegar ao Castelo do Queijo, de o 19 voltar a subir e a descer a Avenida da Boavista, e a ligação entre o Infante e a Estação de São Bento pela Mouzinho da Silveira.

(O Turístico outra vez "bloqueado" em frente ao Hospital de Santo António)

O ressurgimento da Linha 22 e a Linha T, a turística Tram City Tour, foram uma mais-valia para a cidade. Costumam dizer, e com razão, que o “velho” torna a cidade mais bonita. Este é um meio de transporte muito agradável, não poluente e arejado, contemplativo, adequado ao turismo e à fruição de importantes espaços paisagísticos do Porto. Permite que as pessoas se movimentem no centro, melhorando a mobilidade e ajudando a retirar os carros dos passeios... quer dizer, isso quando os xôres automobilistas não se lembram de deixar os seu popós sobre os trilhos (o que é recorrente), estorvando ou mesmo impedimento a circulação. Em 2009 esse comportamento desadequado teve como consequência a imobilização dos veículos que totalizou 372 horas, o que corresponde a uma perda efectiva de 647 viagens de carro eléctrico.

(Ali um Audi devidamente "electrificado" com um "bilhetinho" lá para casa)

Para terminar só informar que anualmente o Museu do Carro Eléctrico organiza um belo cortejo com carros eléctricos históricos que desfilam pela linha da marginal relembrando assim o passado.

No próximo poste contarei a viagem mais radical da época da minha inconsciente, ou inconsistente, adolescência, vivida a bordo (!!!) de um eléctrico da Linha 19.



7 comentários:

Catarina disse...

Como gostei do que li... vou aguardar pelo próximo post. Abraço.

ematejoca disse...

O texto "Um eléctrico chamado velho (desejo)" também foi muito do meu agrado, e aguardo a segunda parte com grande interesse.

Nanny disse...

Não conheço as linhas de eléctrico do Porto, mas conheci bem as de Lisboa e recordo-as com saudade...

Ainda vai havendo uma (ou 2, não sei), mas funciona basicamente para turistas, e que passeio...!

Beijoca

Teté disse...

Bom, sem conhecer as linhas de eléctrico do Porto, sei que em Lisboa também só existe em passeios mais ou menos turísticos, nas zonas antigas da cidade (e nem em todas).

Porque a saudade de ver os velhos carros amarelos é relativa: são esteticamente bonitos, recordam viagens de outras épocas em que o stress ainda não abundava, mas são tão lentos e entopem tanto o trânsito...

Hoje em dia, tanto quanto sei, são quase exclusivamente utilizados por turistas ou para curtas viagens de reformados residentes nas zonas onde circulam. C'est la vie! :)

Laura disse...

Olá.

Gostava muito de andar de eléctrico, um dia destes desafio a Soledade para irmos as duas por aí na passeata...

Ena o carro nas linhas devia ser rebocado, não têm mesmo receio que o elétrico lhes bata e os risque...

Um beijinho e diverte-te e conta lá a história dos teus belos tempos.

laura

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Também tenho saudades. Ano passado andei no da Marginal e que bem me soube, observar o Douro e o casario através da vidraça de um eléctrico!

Fábio Paulos disse...

interessante, é bom saber que o antigo também é usado.