terça-feira, fevereiro 8

reposte 8 [13 de Março de 2099]

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Lembra-nos o Google que hoje se celebra o aniversário de Júlio Verne, o génio da ficção científica. Assim, e sem melhor assunto, é reposto este texto que foi editado nogabinete a 13 de Março de 2009, uma sexta-feira 13. A tecnologia evolui e evoluirá de uma forma lógica e gradual enquanto o ser humano continuará e ser influenciado de maneira transcendental e irracional pelas suas superstições. (Segui a sugestão que o Rafeiro deu na altura e rebaptizei o robot, protagonista da história, para Magalhães).

13 de Março de 2099. Após a grande revolução andróide, que se tornara o único sistema operativo para todo o sistema solar, a sociedade era a família e educava uma criança de uma forma mais colectiva, sob a influência do pós-humanismo. Assim, como os seus amiguinhos, Félix recebeu o seu primeiro robot educativo, recheado de recursos e programado para ser o seu “big brother” que permitia, entre muitas outras funções, a sua mãe monitorizar todos os passos que dava assim que saísse de casa. Para um miúdo de apenas quatro anos, Félix demonstrava ser bastante inteligente e perspicaz, e dentro da sua inesgotável curiosidade queria conhecer melhor todas as potencialidades do seu novo companheiro. O pai programou o Magalhães para registar e reportar em tempo real tudo o que faziam, o que levou Félix a perguntar-lhes: E se eu não quiser que saibam onde estou? O pai riu, olhou para a mãe e brincou: Oh meu maroto, e eu posso saber como é que um menino do teu tamanho vai andar por aí sem que os pais saibam onde estás? É só para tua segurança, filho… Félix começou a olhar desconfiado para o seu robot. Se ele saía da escola e parava no parque para brincar, logo a mãe ligava a voz do Magalhães e lhe pedia para ter cuidado. Se aceitasse o convite de um amigo, a mãe cobrava explicações por ter trocado o seu caminho normal por outro que não era habitual. Ao longo do tempo, ele foi aceitando o robot, uma caixinha brilhante que já o conhecia bem, cada vez com maior amizade e carinho. Magalhães cumprimentava-o com cordialidade, perguntava se queria jogar xadrez com ele e, quando passavam junto de uma nave de gelados, o robot vibrava e avisava que o Mega de Morango, o gelado preferido do garoto, estava em promoção! O que deixava o Félix ainda mais curioso era mesmo saber como aquela máquina estranha podia fazer aquilo tudo, e isso para ele era uma fixação.

A grande revolução andróide foi-se tornando o padrão mundial. Utilizado por todos os governos, monitorizava os humanóides, adoptando o uso de implantes, uma tecnologia desenvolvida para a colocação de um nano-chip, o Chipo, sob o couro cabeludo incorporado no crânio das pessoas, que através dele podiam fazer mil e uma coisas, desde controlar sistemas de reconhecimento, compras com débito instantâneo e reciclagem dos fluidos corporais. Nessa época, os implantes eram logo inseridos nos bebés mal nasciam. Assim, tanto os desaparecimentos, como abusos e maus tratos envolvendo crianças, foram simplesmente apagados do planeta. A pedofilia foi extinta e a violência quase passou à história. Todas as actividades humanóides que envolvessem identificação e localização do indivíduo eram realizadas com a rapidez do omnipresente Chipo. O planeta Terra tornara-se um local pacífico e bom para se viver. É claro que haviam algumas excepções! Algumas organizações rebeldes resistiam em países do antigo terceiro mundo e recusavam-se a adoptar a nova tecnologia. Teimavam em viver numa pré-história tecnológica. Ocupavam regiões longe do desenvolvimento do mundo real, numa espécie de reservas naturais, tentando aqui e ali sabotar e limitar o sucesso do sistema operativo, introduzindo alguns vírus maliciosos da velhinha Internet.

Naquele dia, Félix estava numa aula de Autonomia Privativa, a disciplina que menos gostava. Ele assistia à aula da sua mesa, numa ampla sala com vista para um imenso monitor transparente. Haviam um sem número de comandos na sua mesa, e o Chrome, uma superfície sensível à sua íris, exibia uma tabela de questões que teria de responder para ultrapassar mais uma etapa da sua formação. Félix estava cada vez mais pálido. Magalhães reconheceu-lhe imediatamente uma brusca mudança na sua pulsação e mesmo antes que ele instruísse o primeiro comando, abriu uma janela privativa no Chrome e propôs ao sistema um intervalo para dúvidas de ingenuidade. Receptivo a esclarecer dúvidas de ingenuidade, menino Félix?, questionou. Não é nada disso Magalhães! Já reparaste que dia é hoje?

É 13 de Março de 2099, sexta-feira 13!!! Porquê?!




4 comentários:

EMA disse...

Sem melhor assunto???

Júlio Verne é sempre um óptimo assunto!!!

Volto já!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Só uma dúvida, Paulo. Nessa altura ainda haverá mesas e cadeiras, ou já todo o mundo levita?

Teté disse...

Tanta tecnologia, um mundo tão "perfeito" e afinal ainda existem superstições em crianças de 4 anos??? :)))

FM disse...

Isto é muita evolução cá para o "Je". (risos com sotaque Francês)
Abraço.