quinta-feira, dezembro 2

e bibó luxo

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Estou sentado num varandim da “área alimentar” de um dos mais tradicionais shoppings da cidade, onde me refugiei enquanto espero uma boleia que me levará a casa. Sinto-me como um peixe fora de água. Tento acordar do marasmo numa chávena de café, observando o reboliço dos corredores. Lá fora um vento outonal que sopra forte, trazendo as agruras do Inverno para quem anda na rua. Cá dentro parece que ninguém tem esse problema. Parece que ao transporem a porta automática deixam os problemas do lado de fora, enquanto acumulam dívidas nos cartões de crédito. Reparo no luxo das lojas, das que consigo ver, com montras que mais parecem guarda-roupas de alta costura, joalharias de reluzentes tentações e ostentações, estilizados televisores e computadores hightech, um luxo estampado em cada detalhe dos escaparates. De verdade ou de aparência, a maioria dos clientes também desfila o seu luxo. Que muitas pessoas podem e merecem viver rodeados de luxo eu não coloco em dúvida. O que não pode, a meu ver, é os ricos acharem que o mundo se restringe ao seu espaço e o dinheiro a única mola que move o mundo, esquecendo-se que a vida é uma comunidade. Que ninguém, mas ninguém mesmo, merece viver do lixo e no lixo, não me resta a menor sombra de dúvida. Espero que um dia as pessoas tenham consciência que entre o luxo e o lixo há um sonho dourado que se pode desfazer à mais pequena distracção. Vem aí o Natal e a afluência de fluxos de gente aos centros comercias, às mecas do consumismo. Somos consumistas, está-nos no sangue. Consumimos do que precisamos e, principalmente, o que não precisamos. Que cada um viva a sua vida com bom senso e responsabilidade, na construção de uma sociedade mais humana e fraterna, e que a esmola seja coisa do passado agora substituída pela partilha. Que venha o luxo na medida certa das posses financeiras e que o lixo nunca seja o destino de um ser humano.


3 comentários:

Nanny disse...

Este ano vou restringir as compras aos mínimos... se calhar porque já gastei demais para mim... :P

Teté disse...

É natural que as montras exibam o que têm de mais bonito, para assim chamarem a atenção dos potenciais clientes. Para que é que serve a montra afinal?

Já não se percebe é que com tanta gente aí a queixar-se (e com razão) destes tempos difíceis, depois corra à mesma para as lojas a gastar o dinheiro no desnecessário. Queres apostar que o iPad vai ser um sucesso de vendas este Natal??? Claro que há quem o possa comprar sem abalo para a sua economia doméstica, mas alguns só se vão endividar mais...

Eu com isso? Nada, evidentemente! Por aqui as lembranças são quase todas constituídas por uns chocolatinhos, umas bijuterias para as adolescentes, um livrito e pouco mais. Que, aliás, já estão quase todas compradas! Roupa só cá para casa, naquilo que seja mais necessário... ;)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

As pessoas queixam-se da crise, mas não resistem.