quinta-feira, dezembro 9

aniki-bobó

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"Aniki-Bóbó" é um filme português de 1942, realizado por Manoel de Oliveira, a sua primeira longa metragem de ficção. O filme inspirou-se no conto "Meninos Milionários" de Rodrigues de Freitas e foi quase totalmente rodado em exteriores, nas zonas ribeirinhas do Porto e de Gaia. Ilustra as aventuras e os amores de rapazes e uma rapariga numa viagem à infância através do olho da câmara, o olho da memória. Dois rapazes, Carlitos (Horácio Silva, actualmente com 80 anos) e Eduardinho (António Santos), mantêm uma rivalidade devido à afeição que nutrem pela mesma rapariga, Teresinha (Fernanda Matos, também com 80 anos). Para conquistar as suas boas graças, Carlitos decide roubar uma boneca, aproveitando a distracção do lojista. Quando o grupo de amigos assiste à passagem dum comboio, Eduardinho escorrega, rolando pelo morro, caindo a poucos metros da linha férrea, gravemente ferido. Todos pensam que fora Carlitos a empurrá-lo e tratam-no com desprezo, mas o lojista que tinha sido testemunha do acidente repõe a verdade.

Quando o filme estreou no Cinema Éden, em Lisboa, foi mal recebido pelo público que o vaiou. O valor e a importância da obra só foram unanimemente reconhecidos muito após a sua estreia, encarregando-se o tempo de tornar "Aniki-Bobó" numa obra-prima do cinema português, apesar de muitos dos protagonistas serem actores amadores.

Aniki-BéBé
Aniki-BóBó
Passarinho Totó
Berimbau, Cavaquinho
Salomão, Sacristão
Tu és Polícia, Tu és Ladrão.

"Aniki-Bóbó", a fórmula mágica que nas brincadeiras de crianças permitia determinar, sem discussão, quem era polícia e quem era ladrão. Outras fórmulas mágicas existiram e existem ainda em algumas brincadeiras e jogos de muitas crianças, as caçadinhas, as escondidinhas, da bola… Surpreendentemente "Aniki-Bobó" continua a revelar-se moderno face a algumas realidades da vida, de liberdade e de responsabilidade, do imaginário de meninos livres, pobres e aventureiros. Fascinado desde sempre por esta emblemática obra cinematográfica portuguesa, nela me revejo, outrora parecido com o Carlitos, tanto no aspecto físico como na sua timidez envergonhada, silenciosamente apaixonado, sossegado, distraído e amedrontado, na cidade que me conhece e em lugares e cenários que a minha memória e a actualidade habita.

O filme de Manoel de Oliveira volta hoje, numa nova versão restaurada e remasterizada, a ser exibido nas salas de cinema portuguesas e será também editado em DVD. Também a curta-metragem documental "Douro, Faina Fluvial" de 1931, será exibida nos cinemas em complemento à longa-metragem. No próximo sábado o cineasta celebra 102 anos de vida. É obra.




4 comentários:

Rui da Bica disse...

Ainda ontem falei nele ! É incrível como aos 102 anos se possa ter esta actividade !
Um homem extraordiunário !
.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Já escrevi tudo o que podia sobre este homem, no dia em que fez 100 anos. Hoje escrevi um post para um blog que celebra o segundo aniversário no sábado e me pediu uma colaboração e, por acaso, o tema foi o Manoel Oliveira.

ematejoca disse...

UMA OBRA PRIMA!!!

Tenho o vídeo, que gravei há uns anos da TV, mas quero comprar o DVD do filme restaurado, logo que chegue ao Porto.

... e ela também se chama Teresinha!

Teté disse...

Vi o filme há tantos anos, numa tarde cinema televisiva, ainda a preto e branco, que pouca coisa guardei na memória, muito menos a cena do filme que apresentas - afinal de contas, esses castigos de orelhas de burro, eram triviais...

Lembro-me do miúdo fanar a boneca, do outro cair e, do que me pareceu, na época, dos miúdos irem todos muito mal, a parecer que recitavam textos.

Mas isso até hoje ainda não se resolveu, que nas telenovelas brasileiras os putos representam com a maior naturalidade, mesmo sem saber falar, aqui não passam de "declamadores engasgados"... ;)

ps - obrigada pela dica da "boa notícia", que afinal parece ser falsa... que também é o pão nosso de cada dia! rsrsrs
ps1 - foi o filme (dos poucos que vi) do Manoel de Oliveira que mais gostei! :)