quinta-feira, outubro 1

carta para um filho

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Há tempos, recebi de um amigo, via e-mail, um texto em português brasileiro que me deixou emocionado e a pensar na vida, em tudo o que ela nos reserva.
Guardei-o numa pasta criada para o efeito, para arquivar os textos mais marcantes, como se fosse uma herança de vida. Decidi ir abri-lo, adaptá-lo ao nosso português e publicá-lo neste dia que é para os idosos um dia igual a tantos outros.



No dia que este teu velho já não for o mesmo, tem paciência e compreende-me.
Quando eu entornar comida sobre mim e me esquecer de como atar os atacadores, tem paciência comigo e lembra-te das horas que passei ensinando-te a fazer as mesmas coisas.
Quando conversares comigo e eu repetir as mesmas histórias, que já sabes de cor, não me interrompas e escuta-me. Quando eras pequeno, para que dormisses, tive que te contar milhares de vezes a mesma história até que fechasses os olhinhos.
Quando estivermos juntos e, sem querer, fizer as minhas necessidades, não te envergonhes. Compreende que não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar. Pensa, quantas vezes, pacientemente, troquei as tuas roupas e teimei contigo para que tomasses banho e estivesses sempre limpinho e bem cheiroso.
Quando me vires inútil e ignorante na frente das novas tecnologias, que já não poderei entender, peço-te que me ajudes o tempo que for necessário para eu as aprender. Lembra-te que fui eu quem te ensinou tantas coisas, como, comer, vestir e enfrentar a vida, como tão bem o fazes hoje.
Se em algum momento, quando conversarmos, eu me esquecer do que falávamos, tem paciência e ajuda-me a lembrar. Talvez a única coisa importante para mim naquele momento seja o facto de te ver perto de mim, dando-me atenção.
E quando as minhas pernas falharem por estarem tão cansadas e eu já não conseguir mais me equilibrar, nem aguentar o peso do corpo, com ternura, dá-me a tua mão para me apoiar, como eu o fiz quando começaste a caminhar com as tuas perninhas tão frágeis.
Se algum dia me ouvires dizer que não quero viver mais, não te aborreças comigo. Haverá de chegar o dia em que entenderás que isto não tem a ver com teu carinho ou com o quanto te amo.
Compreende que é difícil ver a vida abandonando aos poucos o meu corpo e que é duro admitir que já não tenho mais o vigor para correr ao teu lado como fazia antes.
E, até quando eu me for, construirei para ti outra rota noutro tempo, mas estarei sempre contigo e zelando por ti.
Da mesma maneira que te acompanhei no início da tua jornada, peço-te que me acompanhes para terminar a minha. Trata-me com amor e paciência e eu te devolverei sorrisos e gratidão, com o imenso amor que sempre tive por ti.
Atenciosamente,

O teu velho

(de Autor Desconhecido)

Hoje é o Dia Internacional do Idoso

9 comentários:

liamaral disse...

É fantástica... E sem querer parecer "convencida" será assim que tratarei os meus "velhotes" que tanto amo! Devo-lhes tudo e estarei cá para me "cobrarem tudo o que fizeram por mim!
:) Beijinho e obrigada por, mais uma vez, acenderes "luzes" nas nossas cabeças!

BlueVelvet disse...

Não sabia deste dia, mas para mim são todos.
Adoro idosos. Vou aproveitar para ir dar um beijo aos meus idosos preferidos: os meus pais.
Tenho estado afastada da net, mas em boa-hora vim aqui.
Este belíssimo texto emocionou-me às lágrimas.

mjf disse...

Olá!
Já o conhecia, acho-o fantástico:=)))

Beijocas

Gi disse...

Também já tinha lido este texto.
A mim deixa-me sempre a pensar a pessoa horrorosa e má que sou: enquanto tenho imensa paciência para bébés, não tenho paciência nenhuma para os idosos.
Sou mesmo uma grande porcaria.

Patti disse...

Olha, nem de propósito, outro grupo votado ao ostracismo. É revoltante.
Linda homenagem, Paulo.

Tenho muitos velhos importantes na minha vida. Não gosto de dizer idoso, terceira-idade e muito menos velhinhos. Gosto de velhos.

Teté disse...

É tão verdade! Mas que também é difícil de ver os velhinhos a perderem capacidades e faculdades de dia para dia, também... ;)

Beijinhos!

Lua disse...

Adorei...
Depois de ler o post e interiorizar...Vejo que já fui "má" e pouco compreensiva...Nos esquecemos que também vamos passar pelo mesmo...Mas temos que ver, que há "velhos" e "velhos"...e alguns são bem complicados...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Já conhecia este texto e acho-o lindíssimo. Tal como a Patti, também eu escrevi hoje lá no Rochedo que não gosto de idosos. Gosto de velhos, que é uma palavra muito mais bonita, embora possa não ser politicamente correcta.

PB disse...

Simplesmente fantástico esse texto. Obrigado pela partilha. E um dia chegará o nosso dia, se Deus quiser...