quarta-feira, novembro 9

os corvos

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O que distingue a espécie humana dos restantes animais não é apenas o cérebro ou os polegares opostos. O que nos diferencia é a linguagem, a nossa capacidade de comunicar por palavras. Descobri recentemente que no mundo das aves nem só o papagaio tem a aptidão de comunicar. Por exemplo os corvos são aves dotadas de um elevado grau de inteligência e que, para além de outras capacidades arguciosas, emitem um som diferente quando se aproxima um ser humano ou um gato da vizinhança. Fiquei a saber também que um corvo do continente faz um som diferente dos da mesma espécie das ilhas, mas isso pode ser apenas por terem um sotaque diferente!

Pelos vistos, os corvos têm uma comunicação simples que evidentemente não se assemelha à sofisticação da comunicação humana, pois para além da capacidade da fala temos também o dom da escrita. Pessoalmente prefiro a palavra escrita. O velho ditado: “A palavra é de prata e o silêncio é de ouro”, muitas vezes é aplicado por mim. "Falar é fácil" ou "palavras leva-as o vento" são outras expressões comuns mas aplicadas aos palradores que falam por horas e não dizem nada de jeito. Alguns políticos fazem disso uma forma de arte. Aquilo a que se chama de artimanha. São palavras baratas, desprovidas de valor e que nos dizem pouca coisa. E a palavra errada no momento errado pode lhes custar muito caro, já se sabe.

Pessoas que falam incessantemente perdem em vez de ganhar. Quando se é um fala-barato, que não permite aos outros retorquir e expressar as suas opiniões, depois não pode reclamar que a outra pessoa não a está a ouvir. É somente por ouvir os outros que a comunicação compensa, pois um pensamento vindo de fora da nossa própria mente pode desencadear uma inteira nova forma de pensar.

Tenho certeza que os pássaros e os outros animais têm os mesmos sentimentos que nós: alegria, tristeza, raiva, compaixão, no entanto, eles só não usam palavras para expressar esses sentimentos. Por exemplo quando alguém nos diz algo desagradável essas palavras ferem e ficam trancadas no nosso banco de memória para surgirem abruptas de quando em vez. As boas lembranças são relembradas e contadas com agrado. As más tendem a ser contadas em exagero, muito piores do que foram na realidade. As linhas do pensamento recontam-nos a história, não do que foi realmente ouvido mas sim o que gostaríamos de ver colocado em prática. As palavras podem ser poderosas e prometedoras mas se emitidas desprovidas de honra são gralhas, são vigaristas.


3 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

O que mais me preocupa é que o corvo é um pássaro normalmente associado à morte. Bicadas já nos andam a dar...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Nunca gostei de corvos, pelas razões invocadas pelo Rafeiro Perfumado.
Quanto às gralhas dão-me cabo dos ouvidos. Tudo junto, faz-me lembrar a Tugalândia, não sei se já lá foste...

Teté disse...

Epá, mas isso político que fala que nem gralha sem ouvir os outros, quantos queres só cá no burgo? Da direita à esquerda, sem excepção de nenhum partideco. E ainda têm a capacidade de ficarem caladinhos que nem ratos (de esgoto, que são!) quando se trata de defender o povo... :P