quarta-feira, janeiro 12

uma questão de juízo

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Um gajo começa a notar que está a ficar velho quando atende as dúvidas do filho:
- Oh pai, onde está o Tantum Verde? - Na casa de banho, porquê? - É que me dói a gengiva e está a inchar! - Ora deixa cá ver... Ahhh, sabes o que é? Estás a ficar com juízo, é o que é.
- Estou o quê!!!...


Quem nunca estremeceu só de ouvir pavorosas histórias dos famigerados dentes do siso? Pois eu ainda ranjo os dentes só de lembrar tudo pelo que passei por causa desses “adoráveis” dentes que chegam no fim da adolescência, logo a avisar: “Afastem-se que queremos passar”.

O siso é conhecido como o dente do juízo, supostamente por surgir numa idade em que o jovem tenha um mínimo de juízo, lá para os 16 anos. De facto, há casos e casos, mas no meu caso, eu só tive algum juízo muito depois de atingida a maioridade e de uma forma deveras traumatizante. Para meu sofrimento, os meus sisos inferiores nasceram inclusos, deitados num berço acanhado, totalmente fixados à mandíbula, e não romperam totalmente a gengiva. O mais complicado foram as inflamações, as dores, e a desagradável dificuldade em mastigar. Só tinha comida pastosa à disposição e bebia por uma palhinha, no mínimo por uma semana. Mas estar esfomeado até que não era o pior. Pior foi não conseguir falar direito e ter que fingir que era mudo, anotando tudo num papel. Mesmo não sendo um grande falador, nada foi tão constrangedor.

A extracção foi a solução e o martírio começou. Um a um, foram sendo arrancados e, porque o médico fez questão, passei por aquilo quatro vezes. Puxa daqui, abana dali, para meu espanto tudo se passou na maior das tranquilidades. Só até sair do consultório! No fim de tudo, eu com a cara toda inchada e babada, em casa, já sentia as dores do “parto” e compreendi o porquê de tantos remédios, anti disto e anti daquilo. Foram-se os sisos e com eles todo o meu juízo, pois nunca mais abri a boca para um dentista. O meu rapaz, que tem também um teclado direito como o meu, já foi ao dentista mais vezes do que eu. Mas como devemos encarar as coisas pelo lado bom, acho que vou contrariar o velho ditado e vou com ele mostrar-lhes os dentes. Rrrrrrrrrr...


5 comentários:

Teté disse...

Acho que nunca tive dentes do sizo. Por falta de espaço para nascerem ou coisa, já que as restantes favolas são grandes. Ou eram, porque algumas já marcharam. Ou então foi mesmo por falta de juízo! :)

Enfim, mas as melhoras aí para os dentes do rapaz! O juízo pode esperar... :D

Rui da Bica disse...

O estranho é que sendo nós aparentemente perfeitos, somos dotados sesses 4 apendices que não servem para mais nada a não ser para dar dinheiro ao dentista ! :))
.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

O siso é o dente qu nos dá cabo do juízo, quando decide aparecer...

Rafeiro Perfumado disse...

Acreditas que eu não me lembro desses dentes? Espero que não seja uma daquelas recordações tão dolorosas que está escondida a um canto do meu subconsciente.

Abraço!

Kok disse...

É pá, até parece que foi combinado escrever "à volta" de dentistas...
Esses tais dentes do siso não faço ideia o que sejam já que:
ou eles nunca me nasceram,
ou nasceram tão de mansinho e nem dei por eles.
Mas para apanhar uma dose dessas, vai-te embora azar!!!!!!

1 abraço pah!

§-tu não estás ficando velho; tens é cada dia mais conhecimentos... ô_ô