terça-feira, dezembro 15

a ilha

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Alinhar à esquerda

Para pintar a tela, simplificou os traços do quotidiano e deu destaque ao movimento. Se prestarmos bem atenção, aqui ao lado, ouviremos o badalar de um antigo relógio de sala, trazido pelo murmúrio do vento. Do cimo da ponte, a escadaria ganha magia de diorama e o casario a cor forte do ocre que os telhados ainda seguram. Para a colorir foi generoso na intensidade da cor e na mística da sombra, inédita, que concedeu à luz matinal. A pequena aldeia onde as casas se aglomeram e os tectos se acotovelam, é um conjunto de velharias que coscuvilham, densas e compactas paredes com ouvidos, mulheres dentro da aldeia, da ilha, como que formando um corpo só. Estendeu a cor da vida de uma forma simples, com predomínio na família, para realçar a energia da gente tripeira no seu cantar original de pregões e palavrões. Uma suave brisa, vinda lá do fundo das margens do Douro, balouça os trapos remendados por amor, finas texturas encharcadas ao sol e roupas de domingo estendidas por mãos talentosas, libertando o perfume lavado do sabão azul e branco. E enquanto aperta pela ultima vez o botão, que regista aqueles passos aligeirados, deixa cair um sorriso inspirador, talvez de um sonho, talvez de um rumor, e voa livre um olhar de soslaio, para o cimo da ponte, como que repreendendo o fotógrafo lá no alto.

(fotografia encontrada na imensidão da internet)

Adenda: Pssss... eu logo vi! Não foi de propósito. Cliquei onde não devia e assim deixei a ilha fechada aos vossos comentários. Que granda nabo qu'eu fui!!!


8 comentários:

mjf disse...

Olá!
Pois...até parecia que estavas isolado numa ilha:=)))
Não querias que ninguem te conctatasse...

Beijocas

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Já pensava que tinhas fechado a porta ao Pai Natal!

Teté disse...

Por acaso também achei estranho.

Mas lembro-me de ao lado da casa da minha avó, em Vila Praia de Âncora, haver uma dessas ilhas - e de eu não compreender porque é que assim chamavam ao pátio para onde convergiam todas as portas. Assim um pouco ao estilo do Pátio das Cantigas, onde toda a gente se conhece e nada passa despercebido...

Beijocas!

CPrice disse...

verdadeira leitura poética da fotografia Paulo! Parabéns. Gostei muito :)

Gi disse...

Paulofskinho, as picadas têm te feito muito bem.
Gostei imenso desta tua ilha.

Sandra. disse...

:))

ófaxabôr, fizeste me lembrar de quando era miuda, na rua onde morávamos havia uma "ilha", bem, como todos nos conhecíamos, a rua era ma ilha :)))))

xinhinhuuuuuuuuuuus bizinhu

Patti disse...

Mas que ilha excelentemente escrita para se atracar!

FM disse...

Ilhas, tantas ilhas... para desbravar, em shitórias.
Abraço.