terça-feira, janeiro 27

uma questão de tamanho

Partilhar

Tentar entrar no território dos adultos não é tarefa fácil para um adolescente. Reclama que já não é nenhuma criança e não entende que tem ainda muito que aprender e compreender. A sua vida, tanto afectiva como económica, dependente ainda da família e do modo como se integra no contexto familiar e social.

Ser filho pressupõe relacionar-se com a mãe e com o pai. Ele é a concretização dos desejos, fantasias e expectativas paternais, que mesmo antes de nascer já escolheram o seu nome. Essas escolhas prosseguem sempre no sentido de proporcionar o melhor para a criança, com o que brincar, com o que vestir, qual a melhor escola para ele frequentar. O filho vê nos pais a autoridade e a fonte próxima da sua aprendizagem, da sua educação e, com orgulho, diz aos seus amiguinhos que o pai é o seu herói, o seu melhor amigo. O pai sabe sempre tudo. Na infância o desejo mais importante da criança é identificar-se com os pais, imitando-os nas suas brincadeiras, nos seus hábitos e rituais.

E o tempo passa, passa tão depressa que os pais nem se dão conta. - Ai como este menino cresceu...! De repente começam a acontecer coisas estranhas. Escutam do filho uma voz diferente, rouca e apessoada, o corpo reivindica os S´s e os M’s da moda, estão na cara os primeiros sinais de acne e no corpo nasce uma pelugem máscula. Os recém adolescentes buscam ocupar um espaço, o seu território no contexto familiar, com os primeiros sintomas da puberdade e os enigmas próprios da juventude. A rotina familiar é revolucionada e os pais percebem que têm um pretendente a adulto a emergir dentro da própria casa. Aos 14 anos de pacata convivência, essa descoberta coloca-os perante algumas situações inesperadas para as quais terão de procurar rivalizar e saber lidar. Educar à medida que o jovem vai crescendo, alargando gradualmente os limites com compreensão, amor e carinho. Se ele percebe que a mãe lhe renova as peças do guarda-roupa, dá-lhe para vestir camisolas ainda novas, herdadas de um adulto da casa que se descuidou e alargou o perímetro abdominal, ele vê nisso uma evolução no seu estatuto familiar. Aí ele parte à descoberta de um novo mundo, experimenta sensações e experiências há muito desejadas, como usar a máquina que o pai esfrega na cara todas as manhãs. Já tem os seus gostos próprios e reivindica para si um estatuto na camada de roupa passada a ferro: - Óh mãe, o pai anda com as minhas meias outra vez! A mãe sempre atenciosa tenta perceber o problema: - Pois é, bem se vê porque desaparecem misteriosamente as meias que ele gosta mais! Eu já te tinha dito, as meias onde bordei uma marca branca são as dele e as que têm um bordado vermelho são as tuas. Ao que isto já chegou!!!


Bob Marley - One Love


14 comentários:

Vekiki disse...

Sei do que falas :)
Por aqui, roupa de Mãe e de Filha já quase não se distinguem...passam de um corpo pra outro sem queixas. Quanto às meias, sim, tanto o M.M.1 como o 2 já vão à gaveta do Pai em busca de socorro quando nas suas gavetas não encontram o que precisam para abafar os pés!!! :)

Patti disse...

Concerteza, não há-de o miúdo refilar.
Isso tem algum jeito, um 'cota' de perímetro abdominal alargado, andar para aí armado em chavalo com a roupa do filho?

DANTE disse...

Isso cheira-me a crise da meia idade. Deixa a roupa do gaiato homem!! lolololol

Um abraço Paulofski

Si disse...

E quando, mesmo com essas trocas e baldrocas de roupas que passam de pais para filhos e de filhos para pais, há uma ocasião especial qualquer e os vemos vestidos a rigor?
Quando olhamos para a nossa menina, que só usa sapatilhas, de repente enfiada nuns saltos altos, num vestido preto de cerimónia, com um pouco de maquilhagem e cabeleireiro a domar os caracois rebeldes?
É aí que nos olhamos ao espelho, nos lembramos de como nós éramos e deixamos cair a baba e o ranho de orgulho...

Carla disse...

uiiii se ue sei o que isso é...custa-nos vê-los crescer, mas tem de ser assim e é importante que o façam em consciência, com liberdade e responsabilidade...entretanto larga as meias do miúdo ehehehhe
beijos

Tó (Mano) disse...

É o velho problema do "Chulé"(será que está bem escrito???) quando as tuas cheiram tão mal, vingas-te nas do Chavalo..eh...eh.
Ainda não tenho esse problema, porque a minha filha só chateia a mãe, mas daqui a uns anitos.!!!!!

FM disse...

Texto muito, muito interessante e, pelos vistos, sem "meias-medidas". (risos)
Abraços para Ambos.

paulofski disse...

E isso pode ser um drama, Vekiki. É como não encontrar o par da meia.

Ahah, isso queria eu Patti! Até ver a única roupa dele que me serve são as meias!

Dante, ainda bem que a meia idade não cheira a chulé. Um abraço.

Si, ainda não consigo visionar o projecto de homem que crio usando uma gravata.

Carla, já as larguei! Agora já conheço o truque.
Beijos.

Tó, meu irmão, bem sabes que os meus pés cheiram a água de rosas. Pois, pois daqui a uns anitos o Dé gama-te as chuteiras, vais ver.

FM, considera este texto como um auxiliar para os pais de futuros adolescentes. Abraço.

Por entre o luar disse...

Beijinhos e sorriso=)

Pedro Barata disse...

Pois é Paulo, o teu filho está a ficar um homem e tu um velhote!!! Eheheheh Brincadeirinha!
Abraço

mjf disse...

Olá!
Percebo-te perfeitamente.
A minha filhota de 17 anos, tem a mania de me pedir emprestadas as minhas malas ( minhas queridas malas...) as minhas botas e a maquilhagem ;=(
A minha bébé ;=) tornou-se numa linda adolescente e...com bom gosto..
ehehehehe


Beijocas

Rafeiro Perfumado disse...

Tenho de confessar que pensei que ias falar de outra coisa...

Inês Brito disse...

Isto parece a minha matéria de Sociologia :O

Bj,
(i)

Gi disse...

Lá em casa tenho 2 em disputa!
Vá lá que nunca quiseram usar a roupa da mãe.