segunda-feira, maio 10

bruxo!...

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quarta-feira, maio 5

reencontrão

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Após uma noite inquietada pela ansiedade do que me esperava, calo o despertador e salto da cama para um revigorante duche e preparação de um esperado reencontro. No ar sentia uma temperatura amena e o Sábado, mesmo que nublado, parecia prometedor. Com os bilhetes já comprados, tomo um cafezinho apressado no bar da estação e embarco no comboio regional com destino a Mós do Douro, levando o meu filho numa viagem tão tranquila quanto aquele amanhecer.



Os baloiços da carruagem queriam me embalar no sono nos primeiros quilómetros da linha do Douro, calcorreados ferozmente pelo cavalo metálico, mas eu não deixei. A cada paragem os passageiros iam entrando e acotovelando-se na ânsia de encontrar um assento livre. Já na descida para a Pala sou retirado dos meus pensamentos com os “uaaaaauuuus” boquiabertos dos turistas, deslumbrados com as primeiras imagens que viam do rio.


A manhã iluminava-se devagarinho de um azul quente que enfeitava o céu e o Vale do Douro. A linha ferroviária alinhada entre o rio e as montanhas, as vinhas a perder de vista e o sol nascente, causavam imensos reflexos em suaves gradações cromáticas, e em mim uma emoção tão forte como se fosse aquela a minha primeira viagem.



Cinquenta minutos depois estava parado na estação da Régua, numa carruagem já quase esvaziada de gente e toda por minha conta. De máquina fotográfica em riste esperei pelo recomeço da marcha e deixar-me encantar com a mágica beleza da segunda etapa da viagem.


Mas o melhor de tudo aconteceria na minha chegada à terrinha. A expectativa, a inspiração, a vontade enorme de conhecer o Doutor Quadrado de quem já gostava muito através dos seus escritos, o Carlos Pedro cantor e artista dos seus blogues, o "dasMós" e o intenso Varanda do Tempo, que recomendo vivamente uma visita, o Luís "Corticeiro" e a jovem e bonita vereadora camarária Andreia Almeida.


Saber que iria reencontrar quem já não via há quase trinta anos e que até então, depois de eu ser redescoberto pela Cristina, só havíamos trocado e-mails e comentários. Seria o primeiro olhar desde a nossa adolescência, e aconteceu, e superou a expectativa. Quando imediatamente nos reconhecemos e fortemente nos abraçamos sentimos que a admiração era grande e que a saudade era mútua. Depois de uma tertúlia duradoura, ouvindo histórias e sábias anedotas, saímos à noite por algumas horas e calcorreamos as ruas tortuosas e desertas da bela terra dos nossos pais, tirando fotografias e recordando momentos passados em conjunto. Foi pena ter durado tão pouco, mas tenho certeza de que nos encontraremos lá novamente.



É de facto uma emoção redobrada e sentida sempre que percorremos caminhos e lugares que noutros tempos foram palcos das nossas aventuras e brincadeiras de criança. Há por ali um sentimento puro de nostalgia e ao mesmo tempo “um enchente” de calor humano ao revermos os mesmos rostos e sorrisos que o tempo ajudou a envelhecer. Ao fim de tantos anos voltei a sedimentar essa emoção e nostalgia, voltei a um dos meus paraísos e deixei-me levar pelas mais puras recordações.



O comboio, o rio, as paisagens, os campos floridos, os caminhos, a ribeira, o pão, os aromas, as hortas, as velhas casas de xisto, as andorinhas, os seus ninhos e os seus chilreios são elementos inesquecíveis, que apesar dos anos permanecem ali, como que a convidar ao meu regresso.



A aldeia das Mós, toda ela, emana memórias e recordações, do trabalho duro do campo, das folias da festa, dos jogos tradicionais, dos serões em família, do baloiçar no lombo dos animais, da lágrima que sempre escapava no adeus, de algo que se perdeu no tempo.



Mas a memória tem o dom e o condão de ressuscitar esses momentos, de condensar esses instantes, esses lugares que como tal viverão dentro de nós para sempre. E as fotografias que fui colhendo vão dar uma ajuda.





Nota de adenda: O sono e a falta de cuidado levaram-me a esquecer algumas referências que entretanto inclui e alterei parte do texto alusivo à publicação.
Grato pela visita.



segunda-feira, maio 3

mãe, não há só uma...

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Para não deixar passar em branco... e que fique claro que não me esqueci!... qualquer dia serve para dizer palavras carinhosas a todas as mães. Às mães de primeira, às mães de segunda, às mães de muitas viagens, às mães de aluguer, às mães sogras, às mães biológicas, às mães galinhas, às filhas da mãe, às mães Natal, à santa mãezinha, à mãe Natureza... E outro grande beijinho às mães da minha vida, a mamã Nanda, a Tia Silvia e a Carlinha, com quem passei um belo Dia da Mãe, recheado de histórias de alegria, de saudade e de amor.


sexta-feira, abril 30

vou "apanhar um enchente"

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Havia muito tempo que não entrava naquela sala de estar. É como se tivesse reencontrado um mundo de caminhos percorridos que olho para a pequena biblioteca do meu pai. Ali estão guardados alguns dos livros que foi coleccionando ao longo da vida. Sem estar propriamente à procura de um livro, apenas olho para eles com a curiosidade de quem passeia à espera de encontrar e saudar velhas amizades, histórias antigas, nomes familiares guardados naquelas prateleiras. Passo pelos romances, encontro-me com os científicos, analiso as enciclopédias. Rasgo um leve sorrio na medida em que vou recordando tempos de infância, tempos de estudante, tempos de sonhar, tempos que vivem. Naquela estante, a do meio lá em cima, há um caos combinado. Desordenada, expõe títulos variados sem um tema comum, o que aguça ainda mais a minha curiosidade. Talvez seja a cor predominante ou a aparência que me traz algo familiar, não sei, só sei que por momentos algo me faz estar ausente. De repente um livro chama por mim. E chama mesmo, não pede apenas a minha atenção: “Estou aqui, vem cá”! Estico o pescoço, tento enxergá-lo e mal dou por ele. Descubro-o a um canto, pequenino, modesto, entalado entre clássicos e didácticos. E porque chama ele por mim? Será pela fotografia que ostenta na capa? Será pelas lembranças que encerra? “Anda, leva-me”! É na prateleira das memórias que por vezes se descobre o que não se imaginava encontrar e se aprende a não resistir a um título chamativo. Pego-o delicadamente, abro-o nas mãos, deslizo os dedos pelas páginas e leio duas ou três. É uma monografia, uma história verdadeira contada por Joaquim Augusto Castelinho, por quem tem um intenso orgulho das suas origens, por quem ama profundamente a sua Terra e a suas gentes, o povo humilde, crente e trabalhador de S. Pedro de Mós do Douro. Uma povoação rodeada de montanhas no coração transmontano. Uma terra de sacrifício, de cultura do espírito e de gente simples. A mesma Terra que os meus avós revolveram para dela retirar o volfrâmio e o sustento. A mesma Terra que viu o meu pai nascer, crescer e partir para os estudos. A mesma Terra que recebeu dois irmãos, rapazinhos que vindos da cidade visitavam os avós e os tios para lá viver uns dias de férias. Essa Terra boa que amanhã me voltará a receber de braços abertos num reencontro de saudade. De comboio e na companhia do meu filho, reviverei uma viagem mágica e inesquecível ao lado do velho e pachorrento Rio Douro até Freixo-Mós. Vou menino, e, como se fosse pela mão de meu avô, vou com o pequeno livro pela mão e ele me contará a sua história, com a simplicidade de um pequeno amigo.


"Apanhar um enchente": expressão popular usada por pessoas desejosas de qualquer manjar. Exp: apanhar um enchente de arroz-doce".
Bom fim-de-semana.


quinta-feira, abril 29

dedico o dia à arte...

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...no dia mundial da dança.

Pronto, agora o video já tá a "funceminar"!!! Estas coisas, às vezes, também precisam de um tempo de aquecimento mas se quiserem podem arrepiar caminho. Vejam a partir dos 2 minutos e meio que até lá são só preliminares... para a dança, é claro!


quarta-feira, abril 28

confortar o ego

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Por vezes, quando ficamos furiosos com alguém, sentar sobre o problema, meditar sensatamente, considerar os prós e os contras, ponderar calmamente numa solução… acreditem, pode ajudar bastante!


segunda-feira, abril 26

ai este calor

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Até que sabe bem este súbito calor primaveril e que bom é sentir na pele o sol luminoso que faz lá fora. Um calor raro porque afinal ainda estamos em Abril! Aproveitei, e para ajudar a digerir o almoço fui dar uma volta pela ruas da cidade. Mas depois, ao ter de regressar de novo para o resto do expediente, acho que endoideci! Eu sei que o calor provoca várias reacções. Algumas agradáveis, como a de neste momento desejar estar numa praia, esparramado ao sol a tentar ficar bronzeado. Outras reacções podem ser estranhas, como é estranho para mim este alívio que sinto em estar aqui sentado a trabalhar no fresquinho do gabinete!


sexta-feira, abril 23

olá, eu sou um livro

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Os que me conhecem melhor suspeitarão da minha presença aqui, mas eu não escondo o meu apego aos leitores, aos que me recebem nas suas mãos e procuram em mim pistas para pensar, para despertar o conhecimento. Os electrónicos vidros frios dos computadores nem de longe nem de perto conseguiriam traduzir o calor das minhas palavras. Não vos seria possível lamber o dedo e folhear uma página. Ou entranhar entre elas o vosso marcador de páginas favorito. Nem tão pouco sentir o cheiro guardado no encardido papel como se guardasse um segredo. Entre esta capa de cartão encerro um relicário do saber, da fantasia, da minha história, que com as suas narrativas narram também a vossa história. Um título, uma imagem, a cor que me escolheram permite-me sentir vivo e passar a ideia de que não serei apenas um objecto de decoração, mas talvez de consideração. Eu faço imaginar, viajar, levo a pensar e partilho novos mundos. Estou disponível, entrego-me, crio laços de amizade e de companheirismo. Denunciando o carinho que sentem por mim, nada supera o que eu sinto na palma das vossas mãos, a graça de me aconchegar contra o vosso peito. Depois de ser folheado, ser olhado com olhos de ver, de exibir as minhas ilustrações, noto que deixo no ar alguma suspeita e atiço uma apetitosa aventura apelativa à leitura. E à medida que vou sendo aberto é como se todo um universo de relações pessoais se enredasse entre mim e o leitor. Não sou mais que um livro, para as crianças aprenderem, para os jovens rirem, para as senhoras sonharem, para os chorosos chorarem, e até para me rasgarem, porque ao abrir um livro, novo, usado, velho e gasto, como na vida, chega-se mais além. Sim, sou um velho livro que jaz entre outros, num lugar sublime, uma estante de biblioteca, entre camadas de poeira numa fila de lombadas coloridas, e que aguarda paciente o dia em que volte a ser aberto e as suas folhas se soltem como fruta madura pelo tempo.


quinta-feira, abril 22

seu cabeça na lua, despassarado, destrambelhado...

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...pronto! Já todos sabem que hoje é o dia da Terra? Pois sabem, sendo assim apaguei o que estava agendado para publicação, que é mais ou menos o que já aqui foi dito, e tomei de assalto este blogue. Decidi reclamar para mim o direito de postar aqui a minha revolta. Sim, estou de volta, sã e salva, e para que percebam melhor passo a explicar o sucedido em discurso directo, e demonstrar outra vez como é tão esquecido este meu dono, o xôr paulofski:



Olha-me pra este turista! Ai agora chegas assim aliviado e ao mesmo tempo esfuziante a reclamares-me de volta, não é? Olha que escusas de me pedir desculpas com esse ar de parvo, tás a ouvir. Vai lá, faz lá a prova de que te pertenço, vai, que depois teremos uma conversinha, pá!

Pois nem imaginam o que este cabeça no ar me fez passar desde anteontem à tarde. Este paulofski anda sempre no mundo da lua, não tem emenda. Ele quando precisa de mim sabe abrir-me, sabe usar-me, preocupa-se com o meu volume, emagrace-me de inutilidades, mas nunca tinha feito esta desfeita de me deixar ao deus dará. Abandonou-me sózinhinha num banco frio da estação do metro. E isso não se faz, logo eu que costumo tão estar juntinho ao seu coração... pronto, às vezes também vou parar junto da nádega direita, mas lá até é quentinho, tenho de confessar... Pois é, eu sou aquela a quem ele confia a sua identidade, a quem dá guarida às míseras notas de euro que tem, a que lhe arruma direitinho todos os cartões e a que se deixa engordar com aqueles horríveis talões do multibanco. Sniffff... Vejam só, esqueceu-se de mim à mercê de algum oportunista ou carteirista e, mesmo estando à vista, nem deu conta dos meus pedidos mudos de socorro. E agora chega aqui com esta cara deslavada, a agradecer mil vezes à simpática senhora que me acolheu, que tão bem me investigou à procura de saber a quem eu pertencia, que teve a amabilidade e paciência em descobrir o meu dono e de o avisar onde eu estava. Pois olhem que preferia mil vezes ficar neste Gabinete do Munícipe, moderno e espaçoso, ao lado destas funcionárias amáveis e simpáticas, do que ser outra vez enfiada no bolso das calças e ir com ele para aquele moquifo sujo e abafado que é o gabinetezinho deste senhor. Ah e tal, que andaste desesperado à minha procura, que deste parte do meu desaparecimento e que estavas já a perder as esperanças de me voltar a ver! O que tu querias sei eu. Tu estavas mais preocupado com estes malditos cartões de plástico e com estas notas sujas, que eu bem sei. Olha, se queres bem de mim vê lá então se tens mais cuidadinho. Embrulha...




quarta-feira, abril 21

para uma flor

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Acorda como todos os dias, cedo e com um livro nas mãos. Depois da rotina matinal, comum a tantas outras, reserva a manhã para cuidar do seu jardim. Abre a porta de casa, olha para o céu, azul cristalino como os seus olhos, e inspira suavemente o intenso aroma a maresia que lhe dá os bons dias. Lentamente pega em todos os apetrechos que necessita, as luvas, a tesoura, o regador. Sorri às flores abertas pelos primeiros raios de sol e agacha-se para sentir o perfume de cada uma delas. Sente há muito o peso da vida e o seu corpo reclama alguma prudência, mas não liga nada a isso e delicada dá lugar às suas paixões. As plantas chamam por si. Rega cuidadosamente os vasos, um a um, as orquídeas, os cravos, os lírios, as rosas, as flores do campo. Escava com cuidado a terra à volta das roseiras, poda-as e apanha as folhas secas. Prosa com as suas amigas, como são belas, como são tão frágeis e bonitas. Ajoelha-se por momentos na relva húmida e, ao escutar os pássaros que cantam em sintonia, começa a aparar os galhos dos arbustos verdes. Cuidar do seu jardim e em especial dar amor às flores faz de si uma pessoa feliz. Lembra-lhe como sempre cuidou de todos e como esses momentos alimentam a sua alma. Quanto mais o tempo passa mais bonito fica o seu jardim, e o danado do corpo que continua a reclamar por uma pausa.
Precisa então de descansar um pouquinho e refugia-se na sombra do alpendre. Dali vê como desabrocham os hibiscos vermelhos, como se fossem vaidosos bailarinos. Vê a bela e elegante estrelícia, como se fosse uma exótica ave do paraíso. Vê o seu jardim que floresce num mosaico de cores, aromas e texturas, como se ela mesma fosse mais uma das flores que tanto gosta. Prepara alguns arranjos florais com todos os tons de lilázes, um pouco de branco, amarelo e não faltam os verdes para dar um pouco de cor às frias pedras mármore das campas. Um carinhoso ramo de orquídeas está já arranjadinho para o Paulo levar à Carlinha. Volta a entrar em casa e embrenha-se na cozinha para fazer um bolo de laranja para os netinhos. Recebe as crianças com o sorriso de sempre, ouve-a atenciosamente sobre o dia na escola, ri com as diabruras do mais pequeno, assiste o seu programa favorito na televisão e então adormece, com a janela aberta para o aroma das rosas entrar…

Feliz aniversário mamã.