sexta-feira, julho 31

parabéns mano

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É na infância que descobrimos um mundo de aventuras, conquistas e amigos sem limites. Na nossa infância tudo é mágico, tudo é vida, desde lançar um pião até ao primeiro beijo. Na infância tudo é tão simples, a alegria e a felicidade apenas feitas de emoções nos bolsos e uma bola nos pés. Aprendemos o que é verdade e o que é mentira, ganhamos sonhos e decepções, percebemos que existe um momento certo para tudo. Num minuto choramos e no outro brincamos. Quem não se lembra daquele tombo da bicicleta ou do presente de Natal mais desejado. É a fase mais linda da vida, onde criamos a base para o nosso futuro. Onde não falta tempo para a brincadeira, para uma palavra amiga, um abraço acolhedor e uma história antes de dormir.

Ambos partilhamos uma infância maravilhosa. Os brinquedos, as brigas, o abraço dos nossos pais, a amizade e a sinceridade. Partilhamos tudo. Tu és o amigo que conheço há mais tempo!
Feliz aniversário mano.

quarta-feira, julho 29

bordado a carinho

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(A velhinha máquina de costura da avó Nanda)

Largou no chão a boneca e fantasias de gente pequena. Ficou especada observando a avó que bordava num pano de algodão. Os seus olhos arregalados mal conseguiam acompanhar os rápidos movimentos da máquina de costura que desenhava e atravessava o pano, ponto por ponto, num emaranhado de cores e linhas soltas. O que estás a fazer avó? Estou a bordar um paninho meu amor, gostas? E porque fazes isso? A avó senta a netinha nos seus joelhos. Sabes minha querida, eu faço estes desenhos para dar alguma alegria a este pano liso, como tu que me dás cor à vida sempre que estás comigo. Perplexa, escutou as palavras da avó deixando a cabecinha acenar aos seus doces afectos. Bordei lençóis para anjos, fronhas de muitas cores, cobertas e cobertores. Este paninho vai ser um lençol, terá o teu nome e te aquecerá os sonhos, todas as noites, como os que fiz para o teu papá.

A vida também pode ser um bordado colorido num pano imaculado. Os anos passam, ficam sérios e brancos como panos de linho onde a arte e o carinho surgem coloridos, alegres e plenos de felicidade no sorriso dos netos.



segunda-feira, julho 27

as melhores coisas da vida não são coisas

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Se achamos que o nosso tempo é que é importante porque andamos sempre tão ocupados, bem ou mal, a contabilizar o tempo gasto nisto ou naquilo, nunca paramos para pensar naqueles para quem o tempo é realmente importante. Um mês é fundamental para quem tem o salário em atraso; Uma semana é determinante para a futura mãe que corre o risco de ter um bebé prematuro; Um dia, cada dia que passa, tem um profundo significado para uma pessoa que tenta vencer uma doença grave; Uma hora é crucial para o estudante que faz um exame; Um simples minuto faz toda a diferença para quem acabou de perder o comboio; Um segundo, ou uma milésima parte dele, é o suficiente para um atleta bater um recorde. Se tentarmos compreender a nossa dimensão, tentarmos relativizar a importância das coisas, o perigo de uma guerra, a solidão numa prisão, a dor da indiferença e a agonia da fome, deveríamos considerar aquilo que julgamos ser um verdadeiro problema. Vale a pena pensar nas pequenas coisas, naquelas em que geralmente não reparamos, simplesmente porque nos parecem demasiado insignificantes para perdermos tempo com elas.

sexta-feira, julho 24

reverência ao destino

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Vivemos dias estranhos. Vivemos uma profunda crise civilizacional. Para muitas pessoas a vida não é nada fácil e entre o difícil e o impensável, cada vez mais, o imoral torna-se banal. Seja fácil ou difícil, fundamental é não perder o controle.



Falar é completamente fácil quando se tem em mente palavras que expressam a nossa opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer.
Fácil é julgar as pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrarmos os nossos erros e reflectir sobre eles.
Fácil é ser amigo, fazer companhia a alguém e dizer-lhe o que ela deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
Fácil é analisar a situação alheia e aconselhar sobre ela.
Difícil é vivenciar a situação e saber o que se deve fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando alguém nos deixa irritados.
Difícil é demonstrar o nosso amor a alguém que realmente nos conhece.
Fácil é vivermos sem termos que nos preocupar com o amanhã.
Difícil é questionarmos e tentarmos controlar as nossas atitudes impulsivas e, às vezes, impetuosas a cada dia que passa.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver apenas o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que julgávamos ter visto.
Fácil é brincar como um tolo.
Difícil é ter que ser sério.
Fácil é dizer “olá” ou “ como está?”.
Difícil é dizer “adeus”.
Fácil é abraçar, apertar a mão.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é saber amar.
Fácil é ouvirmos uma música que toca.
Difícil é ouvirmos a nossa consciência.
Fácil é perguntarmos o que desejamos saber.
Difícil é estarmos preparados para ouvir a resposta.
Fácil é querermos ser o que desejamos ser.
Difícil é termos a certeza do que realmente somos.
Fácil é chorar ou sorrir quando temos vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar.
Fácil é beijar.
Difícil é entregar a alma.
Fácil é fazermos parte de uma lista de endereços.
Difícil é ocupar o coração de alguém.
Fácil é ferir quem nos ama.
Difícil é tentar curar essa ferida.
Fácil é ditar regras
Difícil é segui-las.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Fácil é exibirmos a nossa vitória a todos.
Difícil é assumirmos a nossa derrota com dignidade.
Fácil é admirarmos uma lua cheia.
Difícil é conseguirmos ver a outra face.
Fácil é viver o presente.
Difícil é desenvencilharmo-nos do passado.
Fácil é sabermos que estamos rodeados de pessoas que nos são queridas.
Difícil é sabermos que nos sentimos sós no meio delas.
Fácil é tropeçar numa pedra.
Difícil é levantarmo-nos de uma queda, magoados e feridos.
Fácil é desfrutar a vida a cada dia que passa.
Difícil é dar o verdadeiro valor à vida.

(Reverência ao Destino... Carlos Drummond de Andrade)

Bom fim-de-semana.


quinta-feira, julho 23

às vezes

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...nem sei o que escrever. Ao certo nunca sei, mas às vezes é algo que tento fazer. Sento-me diante desta máquina infernal e deixo que os dedos decidam libertar esta necessidade de me fazer entender, sobre algo sem o saber. Sinto o tempo perder-se entre teclas, hesitações, correcções, a encontrar o fio da meada. E quase sempre dá vontade de rabiscar, rasgar a frase, refazer tudo quando não se tem nada para dizer. Mesmo que, de vez em quando, haja chuva, vento, tempestades de verão, não faz mal se há falta delas, de repente, até estamos a dizer coisas acertadas.




quarta-feira, julho 22

à vontade

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Predisposição, impulso, determinação, instinto. É querer, estar, é poder. Viver livre nas opções, actos e sentimentos. Por ânimo, satisfação ou consciência. Na força ou na falta, boa ou sem. Do freguês ou contra, estejam à vontade.

segunda-feira, julho 20

um sonho tornado realidade

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Activadas pelos módulos de memória, deixo as lembranças da minha mãe pousarem suavemente no chão fino e poroso deste gabinete.
Num domingo quente, 20 de Julho de 1969, tinha eu 3 anos e uns mesitos e o meu irmão estava muito perto de soprar as velas do seu segundo aniversário. A casa estava num reboliço, quase vazia. Para além de nós os quatro já só restavam caixotes cheios de esperança, algumas cadeiras, as camas e pouco mais. Em cima de um desses caixotes estava a nossa televisão, sim, aquela da foto, uma daquelas de caixa de madeira e válvulas. Os preparativos da mudança para a casa nova já se faziam há alguns dias e a nossa chegada estava programada para o dia seguinte. Bem cedo a nossa mãe deitou-nos e despediu-se com um beijinho e um sorriso maroto, de quem prepara uma grande surpresa. Pouco antes das três da manhã fomos meigamente retirados do nosso planeta dos sonhos e levados para alunar no colo do nosso pai para assistir aos astronautas da Apolo 11 que chegavam à Lua. Pela primeira vez via-se a superfície lunar de uma forma tão nítida, um ambiente hostil de cinza, crateras e escuridão. Cheios de sono, lá nos foram mantendo acordados e informados sobre o que era a falta de gravidade ou porque não estava deitado na minha caminha, de tudo o que se passava lá tão longe, para que fossemos também testemunhas de um feito nunca antes alcançado por um ser humano que pisava outro planeta, mesmo que fosse apenas o satélite que todas as noites espreita a Terra. Pensando bem, acho que era por isso que muitas vezes me diziam que eu andava sempre com a cabeça na Lua, não sei! Bem, adiante, e lá estavamos nós, ensonados, a ver um homem movendo-se desajeitadamente com um fato esquisito, que representava toda a humanidade e dava um pequeno passo, o tal salto gigante, dava passos tão desajeitados como eu que ainda mal dava os meus.
Naquela noite, pela madrugada fora, grande parte da população mundial ficou colada aos televisores a assistir à mais extraordinária transmissão em directo de todos os tempos. Muitos portugueses recordam-se bem dessa noitada emocionante, das imagens a preto e branco, dos contrastes daquela sequência de imagens desfocadas e pouco movimentadas, da voz do locutor José Mensurado que comentava o inédito acontecimento. Escusado será dizer que não me lembro de rigorosamente nada mas, mesmo assim, agradeço que a minha mãe me tenha feito estar lá e com eles pousar no Mar da Tranquilidade. A chegada do homem à Lua foi a maior das aventuras e o maior feito tecnológico de todos os tempos. Embora os resultados científicos da missão tenham sido modestos e outros 10 homens tenham pisado o solo lunar até o final do Projecto Apollo, em 1972, nada pode ser comparado à força simbólica daquele passo.
No dia seguinte ao da chegada do Homem à Lua foi a nossa vez de chegar e pisar o chão da nossa casa nova, onde demos grandes e seguros passos em direcção ao futuro.


Frank Sinatra - Fly Me To The Moon



sexta-feira, julho 17

vá'mbora pessoal?

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Depois do stress da semana, seis dias inteirinhos a trabalhar arduamente na confecção, a saborear a poluição ruidosa e atmosférica da fábrica, a aturar o trânsito e o patrão, chega finalmente a folga! Apenas um dia pois as férias, essas, nem vê-las! Parece que o sol está para ficar e é melhor aproveitar! Onde ir então? Prá praia? Vá’mbora pessoal...
São quase oito da manhã de Domingo, a malta aglomera-se na rua do bairro e espera o transporte para a divertida excursão. Estão todos lá com o kit básico: calção largo e folclórico, camisola cabeada e justa, chapéu contrafeito do clube desportivo, chinelos comprados nos chineses, fato de banho verde fluorescente. No farnel apenas o indispensável: marmita com arroz de tomate, bolinhos de bacalhau, panados vários, broa de Avintes, sandes e pacotes de batatas fritas, coisa pouca! Na geleira azul não faltam cervejas e refrigerantes, enquanto as garrafas de água ficam de fora porque já não cabem!
A ferrugenta Toyota Hiace, que o Sr. Silva da mercearia emprestou, chega e começa o tumulto. A mãe grita: Vanessa, trás a cesta e o guarda-sol… O mais velho birra porque se esqueceu da psp, o puto chora porque quer ir à janela, ou quer fazer xixi, depois já não quer ir, a mais pequena de tanto teimar lá convenceu o pai a levar a bicicleta. E o raio do cão que não para de ladrar! O pai deixa-os com as arreliações e vai comprar cigarros e pilhas para o rádio. Vanessa, dá-me o telemóvel já! Um pandemónio…
Finalmente, depois de muita confusão e troca de galhardetes, o autocarro turístico lá se pôs em marcha, em direcção ao litoral, para a praia do costume. Pelo caminho, uma mistura de sons, choros, pimbas, cantorias, vamos à la playa ô ô ô ô ô, anima a viagem… F#&@-$£, esqueci-me de comprar “A Bola”!
Nove horas e chegam à praia. Um areal bege, perfeito, que logo se transforma numa superfície lunar cheia de cores e cabeças. Estendem-se toalhas estampadas com sereias, âncoras e rodas de leme, abrem-se guarda-sóis tricolores e floreados, espetam-se paus com panos publicitários para tapar o vento, montam-se tendas de campanha, douram-se os pêlos das pernas e dos braços, besuntam-se as caras e barrigas da canalhada. Aí, as raquetes de ténis, bolas, bóias, baldinhos de plástico, entram em acção. Vai dizer ao teu irmão para sair da água, jáááá! Ó mãe, tenho fome. Espera que ainda não acabei a Maria.
Ao meio-dia, o sol já está mais quente do que o interior da marmita. Estende-se a toalha na mesa à sombra, desdobram-se as cadeirinhas, todos sentados e quietos, começa a farra da comida. É uma festa à parte acompanhada de copos, talheres, pratos descartáveis e bolas de borracha vindas do ar… F#&@-$£, quem foi o gajo?
Depois, até às 4 da tarde, há que fazer a digestão do repasto. Corpos suados e pesados deitam-se à sombra, adultos e mais pequenos dormem a sesta, embalam-se ao som das ondas e dos roncos do pai. Quem não dormir ou toma conta do acampamento ou vai passear o cão!
Ao fim da tarde começa outra aventura, o regresso. Corpos queimados, vermelhos, cobertos de areia, sacodem-se, mal dispostos, juntam a tralha e a garotada, arrumam as amarguras e a alegria de novo na carrinha que os levará de volta ao bairro.
E assim termina um dia típico de praia de uma típica família.
Ó Pai...! Então pai, a senhora professora ensinou-me que devemos deixar as praias limpas! F#&@-$£...


quinta-feira, julho 16

40 anos depois...

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... o Homem volta à Lua!

Neste
sítio da Internet podem viver ou reviver, de uma forma virtual, a partida, viagem e chegada do Homem à Lua.

A iniciativa é da biblioteca e museu presidencial John F. Kennedy que vai transmitir em tempo real todos os momentos desde a descolagem na terra até ao fim da missão.
Na plataforma online que recria o momento, o utilizador também pode consultar informação de arquivo, entre texto e imagens e interagir com os astronautas em missão.
O desembarque é 2ª feira pela noite. A partir daí, o site promete acção e muitos pormenores sobre cada momento da aventura na Apollo 11, 40 anos depois da viagem original. Para os astronautas em terra e admiradores de aventuras espaciais fica o link. Clique: http://wechoosethemoon.org/


quarta-feira, julho 15

sugestão

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Em tempos acalorados e conturbados, como estes que vivemos, o importante acima de tudo é manter a calma e dar preferência aos investimentos com maior liquidez: Uma caneca de cerveja com os amigos numa esplanada, com um pires de tremoços ou amendoins numa mesa de bar, a noite com uma boa companhia, loura ou morena, no sofá da sala, não há crise que resista.