terça-feira, janeiro 1
sábado, dezembro 22
segunda-feira, novembro 26
sexta-feira, novembro 9
porque "Merkel vem a Portugal inventar a roda"
Texto de Paulo Gaião no Expresso:
"Um dos
pontos fortes da agenda de Angela Merkel em Portugal é a formação
profissional. Outro será certamente o ensino dual, com formação teórica e
prática (que levou há uns dias Nuno Crato à Alemanha para assinar um
protoloco). Outro ainda é a criação de um banco de fomento, para apoiar
políticas de investimento, à semelhança do que já existe na Alemanha.
Esta agenda básica, própria de um país
subdesenvolvido (o Banco Mundial, que costuma andar pelo Terceiro
Mundo, também já está cá a trabalhar na Refundação do memorando)
demonstra como a nossa incapacidade desceu ao grau zero.
O pior é que a culpa é inteiramente nossa. Aqui nem há
lugar a argumentos de que o euro quando apareceu era uma moeda muito
forte para a nossa camioneta, que os bancos alemães se aproveitaram de
nós com juros baixos para embarcarmos no consumo fácil, que a senhora
Merkel é hoje uma megera que nos faz sofrer pelos nossos erros.
Em matéria de formação profissional, estamos
conversados com os dinheiros desbaratados do Fundo Social Europeu na
década de 1980 e 1990. Também com a paixão pela educação de António Guterres que não deu em nada.
No que respeita ao ensino dual, colocar alunos a ter
aulas teóricas na universidade num dia e nos outros quatro dias a fazer
prática em empresas não é propriamente inventar a roda. Ainda que pareça, face à maneira como Crato correu para a Alemanha.
Esquecemo-nos que já tivemos ensino técnico e ensino
liceal e que foi a seguir ao 25 de Abril que acabámos com a divisão e
fizemos o ensino unificado em boa medida por causa de um preconceito
ideológico que via no ensino técnico o proletariado e no liceu a
burguesia. Por causa disto, não criámos uma escola empresarial e
lançámos muitos cursos desajustados das necessidades.
O mesmo aconteceu com os politécnicos, que se tornaram
(com algumas excepções) segundas universidades, com todos os vícios
académicos. Deram mais canudos aos jovens mas não os prepararam para a
vida profissional. Hoje, este falhanço, contribui para temos milhares de
jovens no desemprego.
O Banco de Fomento, que uns querem criar de novo e
outros formar a partir da Caixa Geral de Depósitos também não é
propriamente a invenção da pólvora.
O Estado Novo teve Planos de Fomento e até criou
precisamente um Banco de Fomento Nacional (com todas as limitações da
ditadura, o condicionamento industrial, os monopólios dos grandes grupos
e famílias, o espírito tacanho de Salazar).
É estranho que o movimento anti-Merkel que por aí anda,
encabeçado pelo Dr. Mário Soares ( que já lhe chamou tudo e agora diz
que não tem réstea de patriotismo o português que a apoiar) não denuncie
a humilhação que é ver Merkel em Portugal explicar-nos velhas ideias
que até o salazarismo desenvolveu."
poste do paulofski 3 que não esperaram em silêncio
quinta-feira, setembro 20
quinta-feira, agosto 30
o Alto do Minho
Alto do Minho é mais do que um documentário, é uma impressão. Harmoniza-se para lá das terras
baixas para altas paragens,
para mostrar diferentes tonalidades. O
antes e o depois, que são, afinal,
os mesmos ciclos imutáveis. O Atlântico
e a paisagem montanhosa das terras
altas. Onde o profano
é confundido com fé, tal como o passado com
os tempos presentes. Alto do
Minho é um retrato em movimento. Vislumbres que são uma observação etnográfica
pop, que eleva um sentimento adormecido. Que congela paisagens, anónimos e festas populares, impregnadas
de um misticismo e aleatoriedade subjacente.
poste do paulofski 0 que não esperaram em silêncio
quinta-feira, agosto 9
terça-feira, agosto 7
segunda-feira, julho 30
sábado, julho 21
oportonity city
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Porto city of opportunities / Porto cidade de oportunidades
Produce I Tráfico Audiovisual
Directed l Luís Araújo
Creative Assistent & Ass. Direction | Henrique da Silva
Porto Turism Pormotination Spot
Filme promocional do turismo da cidade do Porto
www.visitporto.travel
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poste do paulofski 1 que não esperaram em silêncio
quinta-feira, julho 19
sexta-feira, julho 13
a falta de vergonha tem limites
1. Miguel Relvas? Miguel Relvas? Que mais posso eu
dizer...Como sabem, caros leitores, tenho dedicado vários textos a esta
personagem da nossa vida política. Que mais posso dizer? Que Miguel
Relvas não tem credibilidade para ser porteiro do meu prédio, quanto
mais Ministro de Portugal? Isso já todos sabemos . Que Miguel Relvas
mente e mente muito sobre qualquer matéria, em benefício dos seus
próprios interesses? Já não há leitor que duvide desta constatação.
Como é que Miguel Relvas continua a desempenhar cargos governativos em
Portugal? Fácil: porque os políticos portugueses (com honrosas
excepções) têm medo uns dos outros e das várias teias de influência que
foram tecendo. Passos Coelho deve um (ou mais?) favorzinhos a Miguel
Relvas e a José Luís Arnaut (a nomeação para a REN não foi mera
coincidência e só surpreendeu os mais distraídos) e, por conseguinte,
não os pode afastar - caso contrário, estaria a assinar o seu
certificado de óbito político. É triste esta realidade? É, muito, muito
triste. Infelizmente, a verdade é que a nossa democracia carece de uma reforma estrutural.
2. Dito isto, este texto surge na sequência da nova polémica (outras aparecerão, estou certo) que envolve Miguel Relvas: a sua "licenciatura" em Ciência Política e Relações Internacionais foi tirada em tempo supersónico, recorrendo ao expediente das "equivalências". Mais: apurou o EXPRESSO que só três das cadeiras do curso de faz de conta de Miguel Relvas tinham professor. Entretanto, o processo de Miguel Relvas, na Universidade Lusófona, foi tornado público: confirmou-se que houve um processo de claro favorecimento a Miguel Relvas, sendo o seu diploma obtido de forma tão fácil como se tivesse sido atribuído por uma marca de cereais ao pequeno-almoço.
3. Posto isto, resta o nosso comentário. Falar sobre Miguel Relvas é falar sobre um grupo de políticos que ao longo dos últimos anos (décadas) foi beneficiando de um conjunto de favores por parte de diversos empresários e entidades, devido aos cargos que forma ocupando na vida pública portuguesa. Sabe-se que em Portugal os empresários não se metem com o poder político e tentam agradar às figuras políticas que julgam ter grande peso nos partidos políticos: no caso de Miguel Relvas, a Universidade Lusófona até o destacava na sua lista de "famosos" por si licenciados. Todos nós já concluímos que a licenciatura de Miguel Relvas vale zero - é um caso ainda mais grave do que o de José Sócrates - e a Universidade Lusófona objectivamente prestou um favor a Miguel Relvas: o currículo desta nossa personagem política não permitiria, de modo algum, obter um curso por equivalências. Afirmar que Miguel Relvas poderia ter tirar um curso universitário de Ciência Política e Relações Internacionais por equivalência, devido aos cargos políticos que foi desempenhando, é o mesmo que afirmar que a Tia Mercília, da Gafanha da Nazaré, pode dirigir-se à Universidade Lusófona para pedir a equivalência do curso de Gestão e Economia devido á sua larga experiência na gestão da mercearia local! Ouvi dizer que ela trata das contas do pão e da banana como ninguém - e, no fundo, tratar das bananas é o mesmo que gerir as contas públicas nacionais! Enfim...
4. Entendamo-nos: o que repugna no caso da pseudo-licenciatura de Miguel Relvas é a circunstância de esta personagem política não ter o mínimo de respeito por si próprio. Se tivesse o mínimo de carácter, jamais aceitaria tirar um curso nestas circunstâncias. É precisamente nestes pequenos episódios - que alguns desconsideram por se tratar apenas de um curso - que se revela o carácter, a fibra, a seriedade das pessoas que nos governam. Se Miguel Relvas tem escrúpulos e uma falta de vergonha tal que lhe permite esta chico- espertice de tirar o curso sem praticamente ir à Universidade - e, ainda por cima, sempre gostou de proclamar que é licenciado - é capaz de todas as trafulhices. Não é uma pessoa séria, honesta, exigente para consigo e com sentido do ridículo: se não no que toca aos assuntos da vida particular, não o poderá ser (nunca!) na gestão da coisa pública. O episódio da licenciatura é o retrato perfeito de Miguel Relvas: alguém que nasceu nas estruturas partidárias e construiu uma teia de influências, de favores e favorzinhos, que o permitiu subir na vida. Miguel Relvas não serviu a política portuguesa; serviu-se da política prosseguindo o seu interesse exclusivamente pessoal. Enriqueceu (e muito) à custa de servir Portugal, servindo-se a si. Com uma licenciatura que vale zero, construindo uma empresa cuja actividade ninguém (ou poucos) conhece realmente, Miguel Relvas construiu uma fortuna pessoal. Sabe que, de acordo com as declarações de rendimentos entregues no Tribunal Constitucional, Miguel Relvas é dos ministros com rendimentos mais elevados, só superado por Paulo Macedo? Como?
5. Em conclusão, o episódio da licenciatura de Miguel Relvas não é grave por si: é gravíssimo porque revela que Miguel Relvas não sabe actuar de forma séria - a sua vida pessoal, e por maioria de razão política, está cheia de episódios mal contados. Miguel Relvas não sabe ser sério na gestão dos seus asssuntos pessoais - logo, não sabe ser sério na gestão dos interesses de Portugal. Este homem não pode ser Ministro de Portugal. Demita-se, Miguel Relvas, e saia com um pouco de dignidade. A seu bem e a bem de Portugal. Já hoje.
poste do paulofski 2 que não esperaram em silêncio
segunda-feira, julho 2
terça-feira, junho 26
terça-feira, junho 19
e assim vai a nossa cidade
A 6 de Janeiro de 1948 foi inaugurada a
Biblioteca Popular Infantil no Marquês. Há uns anos atrás, ficou devoluta.
As portas reabriram este Sábado, dia 16 de Junho
de 2012, numa ocupação pacífica, pelas mãos de quem quer os espaços públicos
abandonados disponíveis e vivos. “Se as prioridades camarárias não passam pela
reabilitação do património abandonado, tomemos nós a acção de o libertar e
tornar um bem comunitário”.
A biblioteca foi aberta à comunidade por
um grupo de activistas que se propõe dinamizar ali actividades culturais,
devolvendo o espaço ao usufruto da população.
Mas, cá no Porto, o que se faz de bom não
dura nada.
Ontem a biblioteca estava fechada pela edilidade.
A Câmara do Porto entaipou, esta terça-feira de manhã, a biblioteca do jardim do Marquês de Pombal que tinha sido ocupada por um movimento popular no passado domingo.
Numa operação acompanhada pela Polícia Municipal
mas durante a qual não registaram incidentes – apenas alguns transeuntes
criticavam a acção camarária quando passavam no local – o pequeno imóvel foi
completamente selado.
Elementos do movimento sublinharam não ser o mesmo
grupo que, no início deste ano, ocupou a escola da Fontinha. Embora admitam que
os propósitos seriam semelhantes.
poste do paulofski 2 que não esperaram em silêncio
segunda-feira, junho 18
o acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa
Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas. É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”? Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”. Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.
Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”. Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.
Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.
Não pensem qe me esqesi do som “ch”. O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.
Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.
Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!? Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?
Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam! Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox. A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia. É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax. Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”. Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”. Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas. É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”? Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”. Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.
Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”. Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.
Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.
Não pensem qe me esqesi do som “ch”. O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.
Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.
Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!? Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?
Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam! Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox. A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia. É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax. Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”. Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”. Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?
(Maria Clara Assunção, aqui)
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quarta-feira, junho 13
e as francesinhas?
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Porto : Les portes du Douro
"La ville de Porto possède le charme authentique des grandes villes qui
ont bien traversé les époques. On peut tourner en rond et ne jamais
passer au même endroit, tellement il y a de bifurcations possible.
L'architecture est remarquable partout en ville. D'ailleurs, le centre
historique est déclaré Patrimoine mondial par l'UNESCO en 1996.
Ensuite, en suivant le Douro, vous trouverez une animation très joviale. Plus loin, en marcheant vers l'embouchure du fleuve, vous pouvez croiser plusieurs pêcheurs et voir des habitations typiques. Un incontournable au Portugal!"
Ensuite, en suivant le Douro, vous trouverez une animation très joviale. Plus loin, en marcheant vers l'embouchure du fleuve, vous pouvez croiser plusieurs pêcheurs et voir des habitations typiques. Un incontournable au Portugal!"
poste do paulofski 2 que não esperaram em silêncio
quarta-feira, junho 6
a cidade na ponta dos dedos
"Com um imenso amor a Portugal, uma plataforma Atlântica para
descobrir uma transcendente paixão por Lisboa, o reconhecimento
exacerbado pelo Porto e toda a beleza do mundo. Sempre pelas pontas dos dedos e
a voar bem alto, nos actos e nas palavras como se tudo fosse possível. De
encantar, e de encantarmo-nos a nós próprios, de nos apaixonarmos por tudo o
que somo enquanto país, porque é aí que tudo começa."
poste do paulofski 0 que não esperaram em silêncio
segunda-feira, junho 4
sexta-feira, junho 1
reposte [21] doce ocasião
A
caminho de casa entra numa pastelaria para tomar um chá e trincar meia
torrada. Na realidade está a adiar o momento de voltar a casa. A
perspectiva de encarar os filhos a assusta. Gostaria de lhes levar boas
novas, de coroar o final do dia com um “consegui”. Mais um dia nesta
desesperante procura de um emprego, um trabalho, um biscate, qualquer
coisinha que lhe alterasse o quotidiano e a auto-estima. Da sua ainda
curta vida ela pretende apenas recolher algo de útil, fruto da sua
prática, que a fizesse mais digna de ser vivida. Nesta busca por um
futuro melhor, na constante perseguição do sim, qualquer palavra
escutada, qualquer instante testemunhado, a torna numa atenta
observadora à primeira oportunidade. Mas, sem nada que lhe prenda a
atenção, baixa a cabeça e dá um gole no chá, enquanto lança um último
olhar ao seu redor, onde outras almas adejam os seus assuntos em
silêncio.
A um canto do salão, numa das mesas vazias encostada à parede, um casal de meia-idade acaba de se sentar. O alinho humilde, a contenção de palavras e de gestos, deixa-se enobrecer pela presença de uma menina, bem pequenina, de laço na cabeça e vestidinho esbatido nas cores, que com eles se senta à mesa. Mal consegue baloiçar as perninhas curtas mas percorre veloz com os olhos, sorridentes de curiosidade, tudo ao seu redor. Generosa fica a observá-los.
O homem, depois de contar as moedas que discretamente retirou do bolso, aborda o empregado, inclinando-se para a frente e apontando para a vitrina do balcão. A senhora, discreta mas impaciente, limita-se a olhar para a pequenota. Suspira enquanto lhe ajeita a fita cor-de-rosa que segura o cabelo. O empregado encaminha o pedido do freguês. Avó... avó..., clama a criança, apontando para o homem que trás um pratinho com uma simples fatia de bolo de chocolate. Contida na sua espera, a menina contempla agora o pratinho e a garrafa de sumo que o empregado deixou à sua frente. Por que não começa a comer?, matuta Generosa. Dá conta que os avós e a neta cumprem um discreto ritual. A avó remexe num pequeno saco de plástico e dele retira qualquer coisa. O avô agita um isqueiro na mão e espera. Quieta, a netinha aguarda também. Mais ninguém os observa além de Generosa e percebe então que naquela mesa se prepara algo mais do que saciar a fome.
São três velinhas, brancas, minúsculas, de tamanhos diferentes que a avó delicadamente espeta na fatia do bolo. E enquanto ela deita sumo para um copo o avô acende as velas. Muito compenetrados e discretos, os adultos balbuciam um cântico em uníssono: "Parabéns a você, parabéns a você...". Como um gesto ensaiado, a menina baixa a cabeça, quase encosta o queixo na madeira, e sopra a chama das velas. Imediatamente sorri e põe-se a bater palmas. A avó retira as velas, torna a guardá-las, a pequena aniversariante agarra finalmente o bolo com as suas mãos inquietas e come. A avó mira-a com ternura e limpa as migalhas e pepitas de chocolate que lhe caiem ao colo. O avô percorre os olhos pela sala e fita Generosa que estática se comove com a celebração. Seus olhos se encontram e ele constrange-se. Baixa ligeiramente a cabeça e ameaça vacilar mas contem-se, abrindo enfim um largo sorriso de satisfação.
A um canto do salão, numa das mesas vazias encostada à parede, um casal de meia-idade acaba de se sentar. O alinho humilde, a contenção de palavras e de gestos, deixa-se enobrecer pela presença de uma menina, bem pequenina, de laço na cabeça e vestidinho esbatido nas cores, que com eles se senta à mesa. Mal consegue baloiçar as perninhas curtas mas percorre veloz com os olhos, sorridentes de curiosidade, tudo ao seu redor. Generosa fica a observá-los.
O homem, depois de contar as moedas que discretamente retirou do bolso, aborda o empregado, inclinando-se para a frente e apontando para a vitrina do balcão. A senhora, discreta mas impaciente, limita-se a olhar para a pequenota. Suspira enquanto lhe ajeita a fita cor-de-rosa que segura o cabelo. O empregado encaminha o pedido do freguês. Avó... avó..., clama a criança, apontando para o homem que trás um pratinho com uma simples fatia de bolo de chocolate. Contida na sua espera, a menina contempla agora o pratinho e a garrafa de sumo que o empregado deixou à sua frente. Por que não começa a comer?, matuta Generosa. Dá conta que os avós e a neta cumprem um discreto ritual. A avó remexe num pequeno saco de plástico e dele retira qualquer coisa. O avô agita um isqueiro na mão e espera. Quieta, a netinha aguarda também. Mais ninguém os observa além de Generosa e percebe então que naquela mesa se prepara algo mais do que saciar a fome.
São três velinhas, brancas, minúsculas, de tamanhos diferentes que a avó delicadamente espeta na fatia do bolo. E enquanto ela deita sumo para um copo o avô acende as velas. Muito compenetrados e discretos, os adultos balbuciam um cântico em uníssono: "Parabéns a você, parabéns a você...". Como um gesto ensaiado, a menina baixa a cabeça, quase encosta o queixo na madeira, e sopra a chama das velas. Imediatamente sorri e põe-se a bater palmas. A avó retira as velas, torna a guardá-las, a pequena aniversariante agarra finalmente o bolo com as suas mãos inquietas e come. A avó mira-a com ternura e limpa as migalhas e pepitas de chocolate que lhe caiem ao colo. O avô percorre os olhos pela sala e fita Generosa que estática se comove com a celebração. Seus olhos se encontram e ele constrange-se. Baixa ligeiramente a cabeça e ameaça vacilar mas contem-se, abrindo enfim um largo sorriso de satisfação.
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