sexta-feira, abril 23

olá, eu sou um livro

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Os que me conhecem melhor suspeitarão da minha presença aqui, mas eu não escondo o meu apego aos leitores, aos que me recebem nas suas mãos e procuram em mim pistas para pensar, para despertar o conhecimento. Os electrónicos vidros frios dos computadores nem de longe nem de perto conseguiriam traduzir o calor das minhas palavras. Não vos seria possível lamber o dedo e folhear uma página. Ou entranhar entre elas o vosso marcador de páginas favorito. Nem tão pouco sentir o cheiro guardado no encardido papel como se guardasse um segredo. Entre esta capa de cartão encerro um relicário do saber, da fantasia, da minha história, que com as suas narrativas narram também a vossa história. Um título, uma imagem, a cor que me escolheram permite-me sentir vivo e passar a ideia de que não serei apenas um objecto de decoração, mas talvez de consideração. Eu faço imaginar, viajar, levo a pensar e partilho novos mundos. Estou disponível, entrego-me, crio laços de amizade e de companheirismo. Denunciando o carinho que sentem por mim, nada supera o que eu sinto na palma das vossas mãos, a graça de me aconchegar contra o vosso peito. Depois de ser folheado, ser olhado com olhos de ver, de exibir as minhas ilustrações, noto que deixo no ar alguma suspeita e atiço uma apetitosa aventura apelativa à leitura. E à medida que vou sendo aberto é como se todo um universo de relações pessoais se enredasse entre mim e o leitor. Não sou mais que um livro, para as crianças aprenderem, para os jovens rirem, para as senhoras sonharem, para os chorosos chorarem, e até para me rasgarem, porque ao abrir um livro, novo, usado, velho e gasto, como na vida, chega-se mais além. Sim, sou um velho livro que jaz entre outros, num lugar sublime, uma estante de biblioteca, entre camadas de poeira numa fila de lombadas coloridas, e que aguarda paciente o dia em que volte a ser aberto e as suas folhas se soltem como fruta madura pelo tempo.


quinta-feira, abril 22

seu cabeça na lua, despassarado, destrambelhado...

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...pronto! Já todos sabem que hoje é o dia da Terra? Pois sabem, sendo assim apaguei o que estava agendado para publicação, que é mais ou menos o que já aqui foi dito, e tomei de assalto este blogue. Decidi reclamar para mim o direito de postar aqui a minha revolta. Sim, estou de volta, sã e salva, e para que percebam melhor passo a explicar o sucedido em discurso directo, e demonstrar outra vez como é tão esquecido este meu dono, o xôr paulofski:



Olha-me pra este turista! Ai agora chegas assim aliviado e ao mesmo tempo esfuziante a reclamares-me de volta, não é? Olha que escusas de me pedir desculpas com esse ar de parvo, tás a ouvir. Vai lá, faz lá a prova de que te pertenço, vai, que depois teremos uma conversinha, pá!

Pois nem imaginam o que este cabeça no ar me fez passar desde anteontem à tarde. Este paulofski anda sempre no mundo da lua, não tem emenda. Ele quando precisa de mim sabe abrir-me, sabe usar-me, preocupa-se com o meu volume, emagrace-me de inutilidades, mas nunca tinha feito esta desfeita de me deixar ao deus dará. Abandonou-me sózinhinha num banco frio da estação do metro. E isso não se faz, logo eu que costumo tão estar juntinho ao seu coração... pronto, às vezes também vou parar junto da nádega direita, mas lá até é quentinho, tenho de confessar... Pois é, eu sou aquela a quem ele confia a sua identidade, a quem dá guarida às míseras notas de euro que tem, a que lhe arruma direitinho todos os cartões e a que se deixa engordar com aqueles horríveis talões do multibanco. Sniffff... Vejam só, esqueceu-se de mim à mercê de algum oportunista ou carteirista e, mesmo estando à vista, nem deu conta dos meus pedidos mudos de socorro. E agora chega aqui com esta cara deslavada, a agradecer mil vezes à simpática senhora que me acolheu, que tão bem me investigou à procura de saber a quem eu pertencia, que teve a amabilidade e paciência em descobrir o meu dono e de o avisar onde eu estava. Pois olhem que preferia mil vezes ficar neste Gabinete do Munícipe, moderno e espaçoso, ao lado destas funcionárias amáveis e simpáticas, do que ser outra vez enfiada no bolso das calças e ir com ele para aquele moquifo sujo e abafado que é o gabinetezinho deste senhor. Ah e tal, que andaste desesperado à minha procura, que deste parte do meu desaparecimento e que estavas já a perder as esperanças de me voltar a ver! O que tu querias sei eu. Tu estavas mais preocupado com estes malditos cartões de plástico e com estas notas sujas, que eu bem sei. Olha, se queres bem de mim vê lá então se tens mais cuidadinho. Embrulha...




quarta-feira, abril 21

para uma flor

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Acorda como todos os dias, cedo e com um livro nas mãos. Depois da rotina matinal, comum a tantas outras, reserva a manhã para cuidar do seu jardim. Abre a porta de casa, olha para o céu, azul cristalino como os seus olhos, e inspira suavemente o intenso aroma a maresia que lhe dá os bons dias. Lentamente pega em todos os apetrechos que necessita, as luvas, a tesoura, o regador. Sorri às flores abertas pelos primeiros raios de sol e agacha-se para sentir o perfume de cada uma delas. Sente há muito o peso da vida e o seu corpo reclama alguma prudência, mas não liga nada a isso e delicada dá lugar às suas paixões. As plantas chamam por si. Rega cuidadosamente os vasos, um a um, as orquídeas, os cravos, os lírios, as rosas, as flores do campo. Escava com cuidado a terra à volta das roseiras, poda-as e apanha as folhas secas. Prosa com as suas amigas, como são belas, como são tão frágeis e bonitas. Ajoelha-se por momentos na relva húmida e, ao escutar os pássaros que cantam em sintonia, começa a aparar os galhos dos arbustos verdes. Cuidar do seu jardim e em especial dar amor às flores faz de si uma pessoa feliz. Lembra-lhe como sempre cuidou de todos e como esses momentos alimentam a sua alma. Quanto mais o tempo passa mais bonito fica o seu jardim, e o danado do corpo que continua a reclamar por uma pausa.
Precisa então de descansar um pouquinho e refugia-se na sombra do alpendre. Dali vê como desabrocham os hibiscos vermelhos, como se fossem vaidosos bailarinos. Vê a bela e elegante estrelícia, como se fosse uma exótica ave do paraíso. Vê o seu jardim que floresce num mosaico de cores, aromas e texturas, como se ela mesma fosse mais uma das flores que tanto gosta. Prepara alguns arranjos florais com todos os tons de lilázes, um pouco de branco, amarelo e não faltam os verdes para dar um pouco de cor às frias pedras mármore das campas. Um carinhoso ramo de orquídeas está já arranjadinho para o Paulo levar à Carlinha. Volta a entrar em casa e embrenha-se na cozinha para fazer um bolo de laranja para os netinhos. Recebe as crianças com o sorriso de sempre, ouve-a atenciosamente sobre o dia na escola, ri com as diabruras do mais pequeno, assiste o seu programa favorito na televisão e então adormece, com a janela aberta para o aroma das rosas entrar…

Feliz aniversário mamã.


terça-feira, abril 20

estes humanos, tsssss...

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... e depois ainda dizem que nós, as aves,
somos um perigo para a aviação!


domingo, abril 18

vulcanizados

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E da terra do gelo, das profundezas do planeta, o impronunciável Eyjafjallajokull acorda do seu sono profundo, cospe lava e lança cinza para os céus. Reclama para si o espaço aéreo de quase todo o continente europeu, arrastando mais nuvens negras sobre a já moribunda economia e espalhando o caos e incerteza na vida de muitas pessoas que necessitam de se deslocar em avião. Estando os principais aeroportos europeus encerrados à custa das cinzas, e Portugal na sua periferia fora das rotas afectadas, vejo finalmente alguma utilidade e vantagem para que então se faça a tal linha do T.G.V..

Ah, e com o presidente Cavaco em casa sinto-me muito mais tranquilo!!!



sexta-feira, abril 16

4+4

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Hoje estou assim...



...Primaveril

Desejo a todos um dia bastante colorido, que eu vou fazer por isso.


quinta-feira, abril 15

como está quase na hora de almoço...

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... e tenho o trabalho adiantado, aproveito para passar os olhos nos jornais. Citando dados do Departamento de Agricultura norte-americano, leio que o Financial Times revelou ontem ao mundo que o preço da carne de vaca deverá disparar nos próximos meses, devido ao rigoroso inverno que assolou os Estados Unidos, para além das dificuldades dos produtores de bovinos resultantes da crise económica mundial. Isto significa que, se comer um bitoque, saborear uma francesinha, ou até deglutir um hambúrguer já era caro para os portugueses, daqui para a frente uma refeição de carne será mais que um luxo, será um autêntico petisco gourmet, fora do alcance para as nossas bolsas. Ora isso preocupa-me bastante e querem saber porquê? Porque assim terei de ter mais cuidado quando me servirem o meu tradicional prego no prato!!!



quarta-feira, abril 14

publicando

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Não dá para disfarçar a vontade que tenho tido em ficar "offline" para o expediente e bloquear este irritante sentido do dever que não abranda. Adoraria se um simples combinar de teclas, um "crtl + c", me guardasse todos os bons momentos que vivi, aqueles que gostaria de reviver a qualquer instante e me bastaria digitar "ctrl + v" para ter tudo de volta! E há alturas em que daria um jeito do caraças ter um "ctrl + z" na vida para desfazer as asneiras que fazemos. Mas a vida não é assim tão simples, e o melhor de não o poder ter é aprender e não voltar a cometer o mesmo erro. Neste “login” permanente que é a vida, temos mais é de a viver, aproveitar e seguir em frente. Aproveitar cada momento que pudermos. Afinal como poderemos nós saber quando vai o computador dar o berro. Pois é, é isso mesmo o que tenho feito nestes dias, tenho saído mais do teclado, saído mais do gabinete, mas não tem sido fácil!


sábado, abril 10

aqui

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Aqui o tempo passa devagar, em silêncio, ritmado pela própria tranquilidade do Douro, numa ondulante sinfonia, que se move acobreado a caminho do mar. Daqui, a cidade parece pequena, buliçosa, e ela afinal está tão perto, ansiosa que eu chegue e lhe leve a noite. E é a música da água que cria o silêncio, entre a minha solidão e o final de tarde, entre luzes turvas sonoramente conduzidas ao longo da marginal. As palavras ecoam na minha cabeça como batidas fortes e quentes vindas do coração, reflectem-se coloridas num espelho que encandeia e incendeia o meu pensamento, em tons rosados de um azul profundo. Aqui o silêncio e a tranquilidade imperam voláteis como o aroma quente de um café numa noite de primavera. Aqui no meu Porto de abrigo.




E assim, aqui, deixo a minha pequena participação ao desafio: "Cidades das nossas vidas" que o nosso amigo Carlos lançou há dias no seu Rochedo. Como eu não sou muito viajado já se estava a ver qual seria a minha escolha. Um primaveril fim-de-semana a todos.


quinta-feira, abril 8

cheese...

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Na nossa sociedade distinguimos diversos conceitos para definir diferentes comportamentos, considerados normais, que temos nas nossas vidas, no nosso quotidiano. Outras sociedades mostram conceitos mais diversos em relação aos mesmos assuntos, regem regras de conduta moral e aceitabilidade social, denotando, na nossa maneira de ver, uma total ignorância e intolerância. Ainda actualmente, da mesma forma como em tempos passados, o entendimento do que está certo e é errado não é aceite noutras sociedades. Muitas vezes, de forma maniqueísta, moldam-se extremismos para não aceitar algo que outros, noutros contextos, consideram ser bom, como a amizade, o amor e a paixão. Felizmente, de uma forma geral, a sociedade mundial tem vindo a denotar superiores níveis de abertura mas, mesmo assim, a receptibilidade continua inconstante graças a um defeito que nos abrange a todos: o preconceito.

O preconceito é um dos piores sentimentos da humanidade. É a acção emotiva e irracional, consciente mas ignorante, do uso da intolerância que limita a nossa liberdade. É meio caminho para os estigmas sociais, para a discriminação, para marginalização do outro que é considerado diferente, para a violência, para o medo. É uma forma de autoritarismo social de uma sociedade doente. É resultante de culturas, dogmas e tradições enraizadas na ignorância de pessoas que não têm paciência, que não sabem agir de outra forma, que não tentam entender e aceitar as diferenças alheias. Vários povos são oprimidos por regimes culturais fechados, podendo ser sujeitos a punições se tiverem um comportamento considerado ofensivo às suas tradições. São disso exemplo o fanatismo religioso e a cultura de massas que manipulam e regem os padrões comportamentais dos seus cidadãos.

Cada país tem a sua cultura, costumes e as suas leis. Discordando, muito ou pouco dessas leis, quando se viaja para um pais estrangeiro, especialmente fora da sociedade ocidental, é preciso ter um certo cuidado para não se cair em situações confrangedoras. O velho ditado diz-nos que “em Roma sê romano” mas eu também não diria tanto, capiche!