quarta-feira, maio 11

era uma vez uma antiga escola primária no Porto devolvida à comunidade

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Ultimamente com a minha falta de disponibilidade para me informar, até para ler e-mails, escapou-me a triste notícia da actuação policial e o despejo do movimento ES.COL.A.

Ontem, 10 de Maio, a Câmara Munícipal do Porto ordenou a actuação policial para o despejo a todo o custo do grupo de voluntários que dinamizava o projecto ES.COL.A (Espaço Colectivo Autogestionado do Alto da Fontinha, no Porto), iniciativa que devolveu a vida a um cancro no centro de uma comunidade na Baixa do Porto. Os moradores da Rua da Fábrica solidarizaram-se com o grupo de "okupas" e manifestaram-se contra a ordem camarária (ver a reportagem na RTP1).


Em Abril, a antiga escola primária, desactivada há 5 anos, foi ocupada por um grupo de pessoas que,
apesar de reconhecer a ilegalidade da ocupação do edifício, o queria “devolver o espaço à comunidade”. O movimento tem um
blogue oficial e sempre teve um “prazo” para intervir no espaço, reabilitá-lo, recuperar o acervo abandonado da biblioteca e desenvolver, em conjunto com a população, um projecto educativo com as crianças do bairro com aulas de inglês, matemática, história e geografia; ateliês de leitura, xadrez, guitarra, ioga; cinema comunitário, oficina de arte, cicloficina, e o que mais pudessem oferecer.

É lamentável a atitude da Câmara Municipal do Porto, contrária à vontade e apelo dos moradores e frequentadores daquele espaço. A escola esteve 5 anos fechada, vandalizada e nunca ninguém quis saber. De facto há leis para tudo e as devemos respeitar e cumprir, mas num Estado dito evoluído, este tem responsabilidades perante os seus cidadãos, e, neste caso, o edil municipal tem obrigações perante os seus munícipes, no sentido de zelar e reabilitar os equipamentos sociais e culturais. Mais uma vez vemos travado um movimento cívico e social, que nada mais fazia do que reabilitar algo que o Estado e a Autarquia deveriam ter zelado. É esta a visão de "serviço público" e a sensibilidade social que têm os senhores que foram eleitos para supostamente representar a população?!


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terça-feira, maio 10

o que os finlandeses, e não só, precisam de saber acerca de Portugal.

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Passou nas têvês nacionais e inundou as redes sociais. Este é o momento integral da apresentação do primeiro episódio do Portugalnomics, pelo Dr. Carlos Carreiras, nas Conferências do Estoril, no âmbito da segunda edição das Conferências do Estoril sobre Desafios Globais, Respostas Locais, com as reacções da audiência.

Chapada de luva branca, dirão muitos. Marketing inteligente, pensarão outros. Propaganda patriótica desmesurada, satirizarão alguns. O que for, no ego lusitano fica mensagem onde não faltam umas quantas alfinetadas aos nossos amigos finlandeses!

Pois para mim o filme está muito bom, mesmo que duvide que “Arigato” seja na realidade uma palavra portuguesa, mesmo que goste de Mateus Rosé e não esteja no mesmo lado do campo nas questões da bola. Há sim uma utilização inteligente de factos, da história e da cultura que a maior parte dos portugueses desconhece. E desconhece porque somos um povo desinteressado e muitas vezes crítico do “made in Portugal”. É um vídeo informativo e bem humorado, não só dirigido aos finlandeses mas a todos que nos desejam conhecer, e que revela o quanto o mundo deve aos portugueses. É injusto que a Europa trate o nosso país apenas como uma periferia e um destino turístico. A ideia está excelente e o local escolhido para ser exibido o mais oportuno. Parabéns à equipa que o idealizou e realizou.

Segue-se o filme legendado na íntegra.


sexta-feira, maio 6

troikas e baldroikas

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Apoquentei o tico e o teco, inquiri o intelecto, revolvi o juízo que me resta à procura de um adjectivo para ilustrar o que conclui a respeito destes FaMIntos economistas e não achei nada mais apropriado do que “são todos uns conas”. Esqueçam todos os significados pejorativos ou sexuais da expressão e se apeguem apenas ao sentido que de "pessoas medrosas, enfadonhas, chatas" que ela expressa. Poderia até usar o "desencorajadores", mas não teria o mesmo peso ou impacto.

Sempre achei desinteressante esse assunto e não perco tempo tentando entender os “comos” e os “porquês” dessa ciência. Apesar da triste constatação da situação micro, macro, ou lá que for, económica do país, apesar da chiadeira generalizada dos políticos, nada confrontado com o argumento “sim, é uma matéria importante”, a introdução à economia não faz parte do meu currículo básico.

Na última semana, observando e conversando das troikas e baldroikas sobre a economia, o meu interesse pelo assunto aumentou ligeiramente. Não obtive respostas a algumas dúvidas e as conclusões não são nada animadoras. Os pobres ficarão mais pobres. Os desempregados continuarão desempregados. Os ricos não ficarão menos ricos. Os outros viverão remediados. A inflação não vai deixar de ser uma eterna ameaça. Pode até mudar, mas não antes dos nossos bisnetos morrerem de velhos. A economia não tem mais como crescer, que a situação portuguesa (e mundial) em relação à riqueza (mal distribuída), à inflação, ao desemprego, à pobreza são insanáveis. A coisa chegou a um ponto que não há muito mais o que fazer para melhorar o padrão de vida das pessoas. Em todos os países de economia capitalista, nos mais desenvolvidos ou equilibrados, a conta é a mesma e o desemprego o bicho papão. Logo, quando um político promete mundos e fundos, prenuncia a retoma económica, que vai atenuar o risco de inflação e aumentar os empregos, saibam que isso é irrealizável, até para o Tio Sam.

Então é o seguinte. Em determinado ponto sobre economia, a minha dedução relaciona a produção e o desemprego. Ou seja, para que a riqueza do país cresça é preciso que a produção aumente. Para a produção aumentar é preciso aumentar as ofertas de emprego. E se o número de empregados aumentar, melhora a economia e diminui a inflação. É lógico e racional. Se não baixar a taxa de desemprego, uma explosão inflacionária é iminente. Agora os tais economistas, senhores da troika, advertem que a taxa de desemprego vai disparar nos próximos anos! Está explicado porque o país se afunda.

Isto não é birra minha, é apenas a análise evidente que faço dos economistas, cujo raciocínio e fundamento são muito complexos, mas não deixam de ser uns conas... Pronto, não deixam de ser uns medrosos, uns enfadonhos e uns chatos. Eu percebi o esquema, mas acontece que é aquele tipo de coisa que “entendi como, mas não sei explicar porquê”. Isto significa que todos os entendidos na matéria, os tais economistas, governantes, gestores, doutores, actuam para tentar achar uma solução que sabem que não existe. É profundamente desanimador caminhar, caminhar, procurar alternativas para equilibrar a economia das empresas e do país, e saber que mais cedo ou mais tarde vamos embater contra a barreira das crises económicas. Em macro ou micro economias, a matemática não permite crescer como se sonha. E trabalhar para atingir um sonho, que se sabe ser impossível, é definitivamente desmoralizador.

Um abraço a todos os economistas que batalham dia após dia contra a crise.



quinta-feira, maio 5

...como em 2003

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Pooooortooooo

quarta-feira, maio 4

ciclovia da Prelada

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Foram precisos mais de 20 anos para que o viaduto da Prelada sob a VCI ganhasse serventia. Para lhe dar acesso, foi construída uma ampla alameda com duas faixas de rodagem, espaços de estacionamento em cada lado, passeios arborizados e uma excelente ciclovia. Mesmo assim a obra teve um significativo atraso. A ideia era estender a Alameda até à Estrada da Circunvalação mas segundo a Câmara do Porto, questões burocráticas de expropriações, a norte e a poente, e pareceres do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) adiaram o prolongamento da via.

(1ª fase)

A primeira fase ficou concluída há cerca de 2 anos. São 550 metros de asfalto, passeios e ciclovia que rasga terrenos da antiga Quinta de Nasoni e que adornam as vistas com o verdejante e rural Parque da Prelada, desde a Rua de Teodoro de Sousa e a Travessa da Prelada até às Rua de Maria de Lamas e de Doutor Cruz Malpique, que veio a completar a rede viária na envolvente da urbanização Cidade Cooperativa da Prelada (CCP), dotando a área de uma ligação rápida entre os dois lados da Via de Cintura Interna, encurtando distâncias e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas que habitam a zona da Prelada.

(2ª fase)

Recentemente foi iniciada a obra da segunda fase do projecto de continuação da Alameda até à Estrada da Circunvalação, a qual está quase concluída. Sei que está para breve, talvez no próximo final de semana, a abertura oficial da nova artéria que contribuirá muito para a melhoria das acessibilidades. Ao todo terá uma extensão de 1,2 km e será uma importante alternativa para a entrada e saída da cidade. Vai concluir as obras de ligação ao Viaduto da Prelada, constituir uma alternativa rodoviária à Rua Central de Francos e dotar aquela zona de alguns equipamentos públicos, em colaboração com a Misericórdia do Porto. que ali tem o Hospital e o parque.

Há dias pedalei pelo novo trajecto (podem ver aqui o mapa). No seu ínicio há que dar bem ao pedal para escalar o declive do viaduto e depois ganha-se ambalo até à Rua de Requesende. As vistas para o verdejante do Parque da Prelada arregalam o ímpeto. Segue pela direita e é de facto uma verdadeira pista dedicada às bicicletas, patins e afins, a não ser que os passeantes ocupem o tapete vermelho. No cruzamento a ciclovia "vira a casaca", cruva as duas vias e passa para a banda esquerda da Alameda, ocupando o antigo Caminho das Congostas. Mais à frente, a ciclovia é "cortada" por um vindouros arruamento até desembocar na Estrada Interior da Circunvalação (na imagem seguinte).


Deixo registada aqui a esperança de um dia vir ainda a testemunhar uma requalificação, digna desse nome, para uma via estruturante para a Área Metropolitana, como é a Estrada da Circunvalação, e a construção de várias ciclovias de ligação, assim como a continuação da ciclovia da Prelada para sul, até à Boavista. Por outro lado reconheço que os moradores da CCP perderão algum sossego e ordem com a futura acessibilidade mas certamente trará uma melhoria substancial para a mobilidade da cidade e para a qualidade de vida dos residentes.

(publicado também nabicicleta.wordpress.com)

segunda-feira, maio 2

ooó... sama!

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é pra ti!...



aaahhhhh... puuummm... plofff...




... É, a crise chega a todo o lado!

domingo, maio 1

ser mãe trabalhadora

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Por coincidência celebra-se o o dia do trabalhador e o dia da mãe. Ao longo da vida, pela afinidade e reconhecimento, tive a possibilidade de constatar o que os meus pais sentiam no seu quotidiano. As alegrias, preocupações, satisfações e dissabores, sentimentos consequentes dos múltiplos papéis que assumiram, tanto no trabalho como em casa. Na minha actividade profissional convivo diariamente com profissionais de enfermagem e sinto bastante a sua realidade.

Ser mãe é ser especial para qualquer mulher. É amor e entrega plena aos seus filhos. Quando os diversos papéis surgem múltiplos, simultâneos, num mar de dúvidas e solicitações, é exigente para as mães  que exercem uma actividade profissional. Ser mulher, mãe e trabalhadora, comporta muitas responsabilidades, dificuldades e conquistas que devem ser reconhecidas por todos.

O meu exemplo é a minha mãe, a melhor mãe do mundo. A enfermagem foi a sua vocação, associada à inexcedível dedicação para com as pessoas, com competências que iam muito além do cuidar. Ser enfermeira apresentava-se como um desejo, uma realização pessoal, enquanto mulher, enquanto trabalhadora, assumindo a profissão, escolhendo o próprio caminho, escrevendo a sua própria realidade. Ao longo da sua vida profissional, superou diversos desafios, viveu sentimentos de alegria e felicidade, mas também de frustração e impotência perante as dificuldades e inevitabilidades.


Foi mãe de dois marmanjos, numa época em que era exigido à trabalhadora conciliar as exigências da profissão com a maternidade. Ser mulher e mãe não a relegou somente ao dever familiar e doméstico. O trabalho reforçou a importância que lhe cabia como mulher, a transmissão de conceitos e ideologias na participação activa da educação dos filhos, na valorização dos sonhos assumidos, na ponderação, na educação, no equilíbrio e exemplo no seio familiar.

n.d.r.: Não, não sou eu. O babado ao colo da mãe é o meu irmão. Por esta altura eu já não fazia nas fraldas!