sexta-feira, janeiro 8

hoje

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Às vezes na vida, por isto ou por aquilo, não dizemos o que sentimos e isso na maior parte das vezes leva-nos a uma encruzilhada de sentimentos e oportunidades desperdiçadas.

Hoje reservo este espaço para algumas recordações mas sobretudo para falar do valor de uma grande amizade. Para falar de mil coisas agradáveis que vivemos e de um tempo em que eu te desobedecia e fazia das boas. Muitas vezes foi difícil para mim compreender a tua atitude, por várias circunstâncias, porém fui percebendo que só desejavas o meu bem. Aprendemos a reflectir juntos, tanto quanto a errar e a acertar sozinhos e, depois, a crescer conscientemente, a reconhecer a verdade nas divergências, nas teimosias, na amizade. Muitas vezes no trabalho me perguntam por ti, me recordam e reconhecem a tua importância, as tuas qualidades, o colega e o amigo. Os anos passam por nós. De corpo calejado e mente rejuvenescida, todos juntos continuaremos contigo a trilhar o caminho.

Parabéns meu pai, meu velho, meu amigo.


... e hoje se Elvis Aaron Presley fosse vivo o rei do rock faria 75 anos.





quinta-feira, janeiro 7

o zé do boné

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Um dia, de mão dada com o meu pai, entrei pela primeira vez e tomei o meu lugar nas bancadas de pedra do Estádio das Antas. Fiquei encantado e seduzido ainda antes do pontapé de saída. A bola é de colectivos esplendorosos e de solteiros e casados. É redonda para uns e quadrada para outros. É paixão e ciúme, mulher cuidadosa ou amante obsessiva. É glória e tristeza, é de pobres e ricos, entrega-se a quem a toma. A bola nem sempre é justa, agiganta povos, desfaz corações. É vício, doença, cólera. É amor e ódio, mas pode ser de paz. A bola é… o que cada um quiser.

Carinhosamente apelidado de o Zé do boné, uma espécie de fetiche que nunca abandonou, foi o treinador que marcou a viragem de mentalidade no Futebol Clube do Porto, estando na génese do actual espírito que é imagem de marca do clube. Era um homem de rupturas, sem meios termos e, de palavras inteiras. Zé Maria Pedroto é um gigante sagrado do panteão azul e branco que merece ser recordado pelo seu papel vital na ascensão meteórica do Futebol Clube do Porto, que levou a nossa equipa a assumir o topo do futebol nacional e a projectar-se como a equipa portuguesa mais titulada internacionalmente.

Passam hoje 25 anos que deixam saudade.




terça-feira, janeiro 5

a face oculta ou o anjinho que há em mim!

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Amigo secreto, amigo oculto ou da onça! Não há época natalícia em que eu não tenha de comparecer a um desses jantares com colegas de trabalho ou entre velhos amigos “de route” e participe na brincadeira tradicional das festas de fim de ano. Quem quiser participar terá sempre de passar pela dificuldade logística de escolher o que não quer ter em casa ou então comprar uma prendinha barata e apropriada às festividades, de preferência que sirva ao género masculino e feminino. E depois de fazer um embrulho de modo a que o conteúdo não seja óbvio, convém não esquece-lo em casa ou então não terá presente.
Depois de todos devidamente empanturrados e engarrafados, após a sobremesa e entre conversas e o café, lá haverá de chegar a hora do sorteio que, basicamente, é tirar um papelinho numerado do saco. Cada qual tem a sua técnica mas não vale a pena escolher muito. Após abrir o papelinho e ler o número, basta esperar que lhe saia em sorte algo de jeito, que não tenha de ser vestido no imediato (ainda estou a tentar perceber para que aquilo serve!). Acho piada à reacção do pessoal que recebe um embrulho de volume razoável, tomando-lhe o peso e agitando-o na vã esperança de adivinhar o que lá vem, e depois todos animados rasgam o papel e vêem que ganharam umas velinhas de cheiro! “Mostra, mostra, mostra…” a malta grita, ri, comenta e dá a oportunidade a outro felizardo e involuntário freguês das lojas dos trezentos. E ainda há tempo para que se façam umas negociatas de ocasião, tipo: “olha lá, por acaso não queres trocar essa boneca insuflável por este anjinho de porcelana?”.
No final dá para todos se divertirem, não se gasta muito dinheiro e a malta sai toda contente com um presentinho debaixo do braço para guardar lá em casa!


segunda-feira, janeiro 4

na corrente

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A seguir aos blogues o que leio mais são os jornais, mas ultimamente as notícias têm me cansado a vista. Já li e vi muito na vida e ainda não precisei de usar óculos! É verdade, recentemete até desvio o olhar das gordas primeiras páginas expostas nos quiosques, tão pouco tenho tido vontade em clicar num qualquer jornal electrónico, ouvir o rádio pela manhã ou ver o telejornal só mesmo desprevenido. Ando com a sensação que nada disso já me interessa, porque nada disso é uma novidade. Talvez o mundo gire cada vez mais tonto, à deriva, ou então sou eu que ando chateado, estranhamente pobre de espírito e egoísta, como todo o ser humano mostra cada vez mais ser! Porventura todo o mundo deve estar como eu, a precisar de uma boa notícia. Algo que surpreenda, pela positiva. Uma notícia diferente que nunca antes tenha sido escrita. Algo que mudasse o rumo da Humanidade. Uma notícia de última hora que alguém teria a satisfação de anunciar. Uma boa notícia que valesse a pena ser lida. Uma notícia de verdade.


sexta-feira, janeiro 1

ano novo... e a vida que continua

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e tantos que ainda recuperam dos excessos da noitada!... Está um dia muito bonito e eu aproveito para abrir as janelas do gabinete e deixar entrar estes raios de sol do novo ano. Agradeço a todos os que por aqui passaram, a todos sem excepção. Sei que nem sempre consegui corresponder à vossa presença, ao vosso carinho, e algumas das expectativas criadas, sobretudo as minhas. Sempre que termina um ano e outro começa pensamos menos no que fizemos e mais no que poderíamos ter feito. Neste Dia que é de Paz devíamos pensar mais nas pessoas, na falta de respostas, na necessidade de quem precisa de nós e a quem não demos a devida atenção, e relembrar que tudo na vida tem as suas razões e as devidas prioridades. Se não tenho visitado os meus vizinhos deste blogobairro é não só por falta de oportunidade mas, confesso, é também por alguma falta de vontade. Isto passa. Aproveito assim para vos enviar a minha mensagem de ano novo, desejar para todos que 2010 seja um ano de paz, com muita saúde, pleno de felicidade e alegria. Obrigado pela vossa presença.

Paulo


quinta-feira, dezembro 31

as boas vindas ao MMX

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Não tardará muito e ele estará aí a bater à porta para render o velho rabugento MMIX. Foi-se mais um ano. Foram-se mais doze meses de instantes, momentos, alegrias, memórias, ilusões, situações, tristezas, certezas, miudezas… E tu tem calma ó Tempo, andas sempre com tanta pressa e para quê! Até parece que foges de alguém! Será do passado? Relaxa pá, respira um pouquinho, tira uma folga, umas férias, sei lá! Dá tempo ao Tempo. Ano após ano, retomas essa correria desenfreada de números, ponteiros, cucos, calendários, sombras, dias e noites, noites e dias, sempre apressado, sempre stressado. Espera só um minutinho que não te roubo muito tempo. É que é cada vez mais difícil acompanhar o teu ciclo e eu já não caminho para novo, sabias? Muitos dizem que às vezes és o melhor remédio, tenho que admitir que em alguns casos és mesmo, mas como eu disse só em alguns casos. Não estou com pressa e gostaria de aproveitar mais o caminho, que tal me deixares apreciar as paisagens distraído num devaneio e, esquecido que passas, poder estancar os teus dias. Mas tu rebocas os meus pensamentos, desbotas as minhas lembranças. Vês, já passou mais um bocadinho e ainda não te disse sequer metade do que pretendia! Pronto, despeço-me de ti seu ingrato, venha de lá essa nova década, esse novo ano e com tão poucos feriados…

Feliz Ano Novo e desejos de boas entradas com muita alegria e consumo mínimo.


terça-feira, dezembro 29

que virtualidade tão real

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Excluindo o trânsito caótico, a hora de ponta no estacionamento do centro comercial e a confusão de gente que há à 2ª feira, uma ida ao cinema pode também ser um bom programa de inverno. Assim eu e o meu jovem herdeiro lá nos aventuramos ao encontro de amigos e de óculos na mão fomos assistir à megaprodução do momento, Avatar. Não se preocupem que tentarei revelar o menos possível, se isso me for possível!!!

James Cameron, o realizador de "Terminator", "The Abiss", "Aliens", "True Lies" e "Titanic", transporta-nos para um hipotético futuro de mundos alienígenas, planetas pitorescos e déjá-vu’s argumentados nas telas de cinema. Pandora é um lugar psicadélico, repleto de vegetação fluorescente, com uma flora de encher os olhos e uma fauna hostil, bem ao estilo de "Jurassic Park". A analogia com os índios do continente americano é evidente, relegando-nos de imediato para um antigo western ou para o recente "Apocalypto". O desenvolvimento da história resume-se à ambição desmedida e ganância do ser humano em relação aos recursos naturais do planeta, e de certa forma o enredo remete-nos para a prática colonialista, comum a séculos de história e a contínua destruição de habitat e meio ambiente causadas pelo Homem. A missão do protagonista visa controlar um organismo artificial e infiltrar-se na tribo de habitantes indígenas, ou alienígenas, como queiram, criando um vínculo com estes seres de três metros, aspecto felino, pele azulada, cauda e orelhas pontiagudas. Associar Avatar a filmes como "Dances With Wolfs" e "Matrix" não deixa de ser engraçado. O argumento tem algumas inconsequências mesmo com a notável criação da espécie e cultura Na’vi (ai o que nós poderíamos aprender com eles!), a acção entra depois num diabólico carrossel de efeitos especiais bem à moda de "GI-Joe"… alto que já estou a revelar a ponta do iceberg e não quero aumentar o rombo ao "Titanic"! Com a técnica aprimorada de James Cameron e o excelente trabalho da equipe de efeitos visuais, a tecnologia 3D coloca-nos dentro da cena com um realismo tal que nos deixa pregados à cadeira durante quase três horas. Aqui, sem serem visualmente evasivos, os efeitos em terceira dimensão foram criados em função da narrativa e são tão singelos que surgem naturalmente. Depois do que vi e à parte do facto de ter ficado com os olhos irritados, gostaria que houvesse uma sequela do filme, só pelo simples gosto de conhecer um pouco mais daquele fascinante povo e planeta.

segunda-feira, dezembro 28

programa de inverno

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Não é surpresa para ninguém que por esta altura a natureza muda de figura e entramos na estação do frio e da chuva, como se já não tivesse eu notado nos pés e nas orelhas os rigores da estação! Bem, nesta época o clima altera-se subitamente, está ventoso, este ano em demasia, o céu cobre-se cinzento e chove a potes. Ontem a noite estava particularmente fria e a tempestade fustigava fortemente a janela, deixando no ar um cenário de magia e temor, convidando-nos a ficarmos bem juntinhos, a curtir o sofá e o edredon, procurando o nosso aconchego também no calor humano. Que não hajam dúvidas, o cenário do lado de fora da janela era assustador. Com a chegada do frio há sempre um certo encanto e magia, a cada Inverno que passa acontece sempre a mesma coisa, e mais intenso quando ele resolve aparecer de verdade. Na televisão passava a segunda sequela do filme "A Idade do Gelo", que por incrível que possa parecer eu ainda não tinha assistido, e numa noite assim como essa o tema do filme não poderia ser o mais apropriado para me aquecer os pés e o bom humor. Se pudesse eu hibernava!

quarta-feira, dezembro 23

à conversa com o Pai Natal

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Logo este ano que eu não tinha planeado escrever a minha carta ao Pai Natal, ao contrário do que fiz no ano passado, não é que por uma feliz ou infeliz coincidência, acredite quem quiser, encontrei-o aqui no gabinete! E nos preparos que vocês podem testemunhar, todo acalorado e bem refastelado!

Eu
- Ó xôr Pai Natal, mas então o que vem a ser isto! Olhe que este é um gabinete de respeito, hããã! E já agora, reparando bem em si, diga-me cá, você é mesmo o Pai Natal? É que com esses modos vai lá vai, ó Faxabôre?

Pai Natal
- Ei Man,
achantra lá essas perguntas, pá. Já pareces a velha! Primeiros, deixa que te diga que tens aqui um gabinete muito porreiro, pá. É quentinho e confortável. Segundos, cheguei com aquela ridícula farda vermelha toda encharcada, despi-a e estendi-a a secar enquanto me aqueço um pouco ao som do rock. Terceiros, pá, por acaso não terás por aí umas cervejolas fresquinas? É que já enjoei a coca-cola. De resto tá-se bem, Man!

Eu - Sabe Pai Natal, não estava mesmo nada à espera de o encontrar aqui e muito menos deparar com um velho todo curtido, de piercings e tatuag
ens!... Não estou a reconhecer o velhinho bondoso e bonacheirão que tira fotografias nos centros comerciais para agradar a criançada! Olhe lá, o senhor não deveria estar por esse mundo fora a trabalhar e a preparar as suas encomendas?

Pai Natal
- Ho ho ho… eu só trabalho dois dias, pá, de 24 para 25! Para além do marketing só faço as entregas ao domicílio. Estou farto de poses fotográficas e putos irrequie
tos, os paizinhos deles que os aturem. Ah, e já nem falo da tal da gripe!

Eu
- E o que faz nos restantes 363 dias do ano?

Pai Natal - Toco guitarra o ano todo, tás a ver! Afinal, sou ou não sou o patrão! E vamos já combinar uma coisa pá, daqui prá frente eu não te chamo de Paulofffvvvskyi, ou lá como é, e tu não me chamas de Pai Natal, que eu não sou pai de ninguém, ok Man?

Eu, o Man
- Ok Man, está combinado! Então como quer que o chame?

Pai Natal
- Eu sou o Nicolau, Nico p
ara os amigos, e olha que de santo tenho muito pouco, como podes ver Man! Agora ando a curtir numa de rock, da pesada, tás a ver? Vai um charuto, Man?

Eu, o Man
- Não obrigado… Nico!

Nico
- Sabes, pá, cada vez entendo menos esta gente. Porque será que alguns gostam de me imitar com barbas postiças se são maus actores, ainda por cima nem acreditam em mim? Pedem tudo e mais alguma coisa quando eu não prometo nada!

Eu, o Man
- Sabe Nico, eu acredito em si, ma
is do que nos políticos! Então explique-me lá como é que se passa assim tão de repente de bonacheirão a estrela de rock !?

Nico
- Yééé Man, curte. Os putos de agora só ligam à internet, aos telemóveis e às consolas. Nos últimos anos tenho recebido carradas de pedidos dessas coisas. Ora, como eu passo a maior parte do tempo lá na Lapónia de papo pró ar, tanto joguei que acabei por me viciar num jogo desses novos. Consolei-me tanto que até me converti em roqueiro! Tás a ver Man?

Eu, o Man
- Ah sim, não estou a ver! E qual é o jogo?

Nico
- Acorda, Man, é o Guitar Heroe. Actualmente, o sonho da
malta jovem é ser ídolo, não importa como. Querem sempre mais e mais e depois enjoam rapidamente! Não sei se sabes mas o jogo até que é bué da fixe, Yeaaah Man! Já experimentaste?

Eu, o Man
- Não, mas pelo que sei não devo ter unhas para aquilo. Estou surpreendido consigo, sabe? Estou pr’aqui a pensar se não descobri a face oculta do Pai Natal!?

Nico
- Ho ho ho… estás um cota do caraças, Man. Tu vê lá, pá, não me confundas com esses gajos. Até que sou da pesada mas nem tanto, tás a ver? Já tenho uma banda de rock e tudo, pá. Tás
a curtir o som? É porreiro pá.

Eu, o Man - Uma banda! A sério? Deve fazer uma dupla com o Rudolfo, imagino!

Nico
- Nããã, a esse narigudo revirei-lhe as antenas. Ó pra ele ali na parede, ho ho ho… Então não é que andava a reinar comigo e a escutar as minhas músicas. Se faço downloads ilegais isso é cá comigo. Shhhhh… e a velha não tem de saber disso, tás a ver?

Eu, o Man
- Estou, estou! Estou é um pouco aturdido com o que estou a ouvir. Mas que velho tão radical eu v
im encontrar. E as prendas, não se está a esquecer que tem o mundo à sua espera, ou vai dar a desculpa da crise mundial?

Nico
- E por acaso há crise por eu estar aqui na preguiça, há? O mundo que tenha lá calminha, pá, ou ainda encontram o sapatinho cheio de prendas das lojas dos chineses. E ai de quem reclamar das peúgas que ofereço.

Eu, Man
- Já agora, que mal lhe pergunte, não acha que deveria estar a ajudar as renas e os duendes. Devem estar cheios de trabalho la cima no Pólo, não estarão?

Nico
- E que trabalhem que é para isso que lhes passo recibos verdes
. Eu também tenho os meus métodos de gestão, pá. Isto agora com o desemprego que por aí há é fácil pró patrão, ou seja, pra mim. E sempre que me dá jeito, sou sabidola bastante para decretar um Lay-Off à empresa e aumentar a velocidade das renas. Se me aproveito disso? Claro que aproveito, pode quem manda, não é Man?

Eu, o Man
- Não posso crer. Você também é um desses oportunistas que se aproveitam do consumismo desenfreado da época para a exploração laboral?

Nico
- Confesso que não é lá muito honesto, mas que queres, pá?! Globalizaram o mundo de tal maneira que a tendência é de cada vez mais aumentar o consumo e deixar de honrar a tradição e o espírito do Natal
…

(entretanto toca um telemóvel, que não o meu)


…sim Maria, está bem Maria, tem lá calma Maria, já vou Maria!!!


Eu, o Man (a pensar com os meus botões e vendo-o a sair porta fora todo apressado) - Logo vi que a patroa manda mais do que tu, ó Nico!... Diacho, que esqueci de o lembrar da minha bicicleta nova!




Feliz Natal a todos e de preferência com prendinhas no sapatinho.


segunda-feira, dezembro 21

numa esquina perto de si

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Algures, algumas vezes, já todos “tropeçamos” neles. Cruzamo-nos com seres humanos, pessoas que vivem na rua, que estendem a mão e nos pedem algo mais do que apenas uma moeda. Viramos-lhes a cara, fazemos de conta que não estão ali, mostramos desconforto e até sentimos nojo. Indiferentes, prosseguimos o nosso caminho, recusando ver a realidade que nos fere a alma e a consciência. É deprimente e chocante ver estas pessoas que bateram no fundo da sua condição social e às vezes humana, espezinhados pela vida, pela miséria, pela sociedade e pela injustiça. Por trás daquelas expressões vagas estão homens e mulheres, que já sem condições nem meios, tentam ainda manter um resto de dignidade e nos dão uma lição de coragem, de força e humildade, a todos nós que prosseguimos preocupados com as nossas pequenas aflições.

Ajudar reveste muitos gestos, muitas maneiras, muitas mãos, muito trabalho, muitas associações e todas valem a pena. Muito mais importante que a moeda, a comida e a roupa que possam receber, eles querem alguma atenção, querem quem fale com eles e que os ouça. Muitos provavelmente trocariam a esmola por um pouco de carinho. A solidão é brutal. Devemos o apreço e um profundo agradecimento aos que se preocupam, a todos aqueles que ajudam e se interessam, não só no Natal como no resto do ano, porque eles estão lá, sempre...

foto: Kirsten Bole