Cheira a Verão, a manjerico, a férias e a S. João.
sexta-feira, junho 19
quinta-feira, junho 18
mau, mau, Maria!
poste do paulofski 5 que não esperaram em silêncio
quarta-feira, junho 17
cinza
poste do paulofski 8 que não esperaram em silêncio
terça-feira, junho 16
conversa de jerico
Há expressões que me deixam como um burro a olhar para um palácio. Expressões populares que alguns dicionários identificam como provérbios, adágios, rifões, refrões, máximas, aforismos, apotegmas, conselhos, princípios, axiomas, slogans, clichés... Sentenças populares que, em poucas palavras, encerram verdades ou máximas morais, confirmadas pelo decurso de gerações, que muitos dizem provirem de mitos, de contos, de fábulas e de lendas da história, e que os mais interessantes são os criados pelo povo. Os rifões populares são a expressão da sabedoria do povo, na sua experiência pessoal e colectiva, do seu sentir, das suas emoções, havendo-os de todo o tipo, das mais variadas origens, ditos de geração em geração, referentes a várias situações, criados e conhecidos apenas em determinadas regiões. São o próprio povo. Fazem parte da sua memória e cada qual, na sua simplicidade, carrega importantes ensinamentos adquiridos por gerações com base na experiência de um quotidiano quase sempre ligado à vida no campo. Um provérbio dito na hora e contexto certo diz mais que muitos considerandos que empregamos amiúde, no dia-a-dia. Todos somos capazes de citar, assim de pronto, pelo menos uma dúzia de provérbios e, curiosamente, se nos perguntarem qual a sua origem, o que significam ou onde os aprendemos, dificilmente seremos capazes de responder, mas sabemos quais as ocasiões para os empregar e qual o partido que deles poderemos tirar, isso é certinho como uma improvável conversa fiada da qual fui espectador:- Bem se vê que burro velho não aprende línguas…
- E desde quando um burro carregado de livros é doutor!
- Pois, pois, a pensar morreu um burro.
- Fale, fale pr'aí que vozes de burro não chegam ao céu…
Às tantas apeteceu-me ter-lhes perguntado:
- Será que nunca ouviram dizer que quando um burro fala o outro abaixa as orelhas?
poste do paulofski 7 que não esperaram em silêncio
quarta-feira, junho 10
vamos lá
poste do paulofski 6 que não esperaram em silêncio
terça-feira, junho 9
para a Raquel
poste do paulofski 12 que não esperaram em silêncio
sexta-feira, junho 5
num ambiente...
... agradável, enquanto dormia o sono dos justos, numa destas noites eu tive um daqueles sonhos que, evidentemente, nunca se tornarão realidade. Sonhei que bem lá num futuro mais que perfeito, os automóveis estariam extintos pela escassez de hidrocarbonetos e a superfície da terra só seria calcada por rodas de bicicletas. Alguns carros, autocarros e camiões ficariam expostos em museus como relíquias do passado, memórias de um tempo carbonizado pelos óxidos e nós, de rabos sentados nos selins, com pés nos pedais e mãos no guiador, pedalaríamos felizes para sempre. Estão a pensar que estou a delirar, pois estou. É inegável a minha simpatia pelas bicicletas, máquina desengonçada que se estiver parada destrambelha-se no chão como um albatroz em terra, mas que ao impulso dos pedais se projecta esguia, veloz e silenciosa. É uma máquina do tempo, que está ali, pronta para quem quiser levantar-se mais cedo e experimentar a liberdade. Só quem faz, ou já o fez um dia, conhece a boa sensação de acordar antes do sol numa manhã de domingo, comer bem, vestir-se, calibrar os pneus da bicicleta e sair para umas longas pedaladas, respirar aquele ar tão puro e fino antes das emanações poluentes dos veículos motorizados cujos donos aquela hora provavelmente ainda dormem, de ressaca, preguiça, cansaço ou tédio. É um silêncio diferente, que só as manhãs de domingo têm, por as ruas se encontrarem quase vazias, num efeito de viajem ao passado, no espaço de uma época ou lugar onde não se vê a loucura, gritaria, individualismo e desrespeito. Acreditem sinceramente, não é só por isso tudo que tive esse sonho, mas pelo conveniente pretexto da bicicleta ser amiga do meio ambiente, de me proporcionar saúde e bem estar físico, pelo poder de me transportar em curtos espaços de tempo, a pequenos recantos de um paraíso que de outra forma não os teria desvendado. E o paraíso em questão não é só o lugar que encanta após umas curvas ou pelo subida ao cume de uma montanha, é a sensação única de a ter conquistado, com o próprio suor.poste do paulofski 11 que não esperaram em silêncio
quinta-feira, junho 4
medo, que medo!
Não é preciso muito para se perceber o medo daquela menina, criado apenas pela sua imaginação e que muito provavelmente nunca terá ousado confessá-lo à mãe. Um medo terrível de algo que nunca existiu. Mas será que só as crianças têm medo do que desconhecem? Certamente, que não. O desconhecido gera medos em pessoas de todas as idades e desde sempre a ignorância das pessoas foi utilizada para se impor o terror do medo. Podemos ter tanto medo do desconhecido porque justamente os monstros criados pela imaginação geralmente são mais terríveis do que os reais, por exemplo o medo que temos da morte. O medo do inferno também tem feito reféns e o juízo final é outro tirano que atemoriza muita gente. Todos esses temores são frutos da ignorância e não há dúvida que também se tem medo de sentir medo! Enquanto a razão não se sobrepor aos medos, muita gente continuará a ser refém da própria ignorância.
Eu também tenho os meus medos e sempre tive pavor das alturas. Bem, agora já não terei assim tanto mas respeito-as como respeito a lei da gravidade que para mim é a mãe de todas as leis. Eu alimentava um medo da minha ignorância, um medo cego de voar, de um dia ter de entrar num avião e desconhecer qual seria a minha reacção. Ganhei coragem, voei e gostei, tanto que regressei da mesma forma. Mas poderei dizer que já perdi esse medo? Não, talvez ainda não o tenha perdido, mas percebi sobretudo que o medo não está nos aviões, nas alturas nem no nó do estômago. O medo é fruto de um jogo de poder que nos quer intimidar a todos, perpetuado pela nossa ignorância e por palavras de gente hipócrita, sem respeito pelo próximo, por ninguém, que intimidam pelo medo do castigo, pelo pavor da morte, a maior forma de perversidade e de terror que existe, o terrorismo verbal.
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terça-feira, junho 2
da sátira aos homens com gripe à minha sátira aos jovens com viroses
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Termómetro na axila, lenço na mão,
Xarope de cenoura prá constipação,
Um Ben-u-ron e rebuçados de mel
Que se pifaram as pilhas Duracell.
Não te quero pai, chama a mãe!
Vem cá mãezinha, isto está a doer,
Cabeça, garganta e o que mais houver,
Quero miminhos, festinha e doces palavrinhas
Que me aliviam da febre e das queixinhas.
Contigo a meu lado já me sinto melhor
Do que as receitas passadas pelo senhor doutor,
Não me tragas sopa, perdi o apetite,
Livra-me desta coisa terminada em "ite"
Que minha amiga não é, se é amigdalite!
Registos, medidas, tomas e doses,
Rolos de papel, narinas, tosses, viroses,
Zangam-me, sujam-me, cansam-me da cama,
Deixam a mãe e o pai fora de cena, em stresse,
Quando um filho adoece, toda a família padece.
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