sexta-feira, junho 19

bom fim-de-semana

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(clicar na imagem para ler as quadras)

Cheira a Verão, a manjerico, a férias e a S. João.


quinta-feira, junho 18

mau, mau, Maria!

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Quando finalmente arranjo um tempinho para vaguear tranquilo no blogobairro, me preparo para dar água sem caneco e misturar alhos com bugalhos em cada blogue vizinho, pensei, nem é tarde nem é cedo, vou ver quem por aqui andou a mandar postas de pescada nos postes anteriores. Macacos me mordam se não fiquei com a pulga atrás da orelha! Afinal, é ou não é o burro que fica a olhar para um palácio? Pra mim aqui há gato! Das duas uma, se me dizem que tenho memória de elefante e sei qual é a expressão correcta, aquela que sempre li e ouvi dizer, ou a Gi e a Teté puseram o carro à frente dos bois ou então estão a armar-se em carapaus de corrida, pensei eu pr'aqui com os meus botões! Ó menino Paulo, então nunca lhe disseram que burro é quem acredita em tudo o que lhe dizem? Pois é! Bem, mas como o seguro morreu de velho e o desconfiado continua vivo, pelo sim, pelo não, não estive com meias tintas nem fui por meios caminhos, dei corda ao Google e meti-me num 31. Que querem que vos diga? Foram duas ao burro e o burro no chão. Afinal havia mouro na costa! Não querendo fugir com o rabo à seringa e não dando a mão à palmatória, nem que me venham dizer que 2009 é o ano do boi, o que tem que ser tem muita força. Vou ser casca grossa, puxar a brasa à minha sardinha e ficar com um olho na cor do burro quando foge e o outro no palácio, ou no cigano!



Ai como o tempo voa! Com toda esta conversa sem pés nem cabeça não dei cavaco às tropas do blogobairro, mas pelo menos fica um belo chorrilho de dizeres e expressões populares, digam lá? Vou mas é pôr-me na alheta e dar uma volta ao bilhar grande antes que façam aqui um cagarim do cagaraças!


quarta-feira, junho 17

cinza

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Entre brumas a manhã surge acordada e de cara lavada. Sinto-a, plena de sombras, frescura e vida, numa ténue brisa de mudança, aquela que talvez um dia me fará regressar ao ponto de partida, qual D. Sebastião. Há momentos assim em que um corpo meio fraco fica mais activo. Há valores dos quais nunca deveremos abdicar, porque seguir o rumo de cabeça erguida e olhar nos olhos não é para qualquer um! O tempo tudo vê, tudo escuta, tudo revela... Como uma manhã de nevoeiro!

terça-feira, junho 16

conversa de jerico

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Há expressões que me deixam como um burro a olhar para um palácio. Expressões populares que alguns dicionários identificam como provérbios, adágios, rifões, refrões, máximas, aforismos, apotegmas, conselhos, princípios, axiomas, slogans, clichés... Sentenças populares que, em poucas palavras, encerram verdades ou máximas morais, confirmadas pelo decurso de gerações, que muitos dizem provirem de mitos, de contos, de fábulas e de lendas da história, e que os mais interessantes são os criados pelo povo. Os rifões populares são a expressão da sabedoria do povo, na sua experiência pessoal e colectiva, do seu sentir, das suas emoções, havendo-os de todo o tipo, das mais variadas origens, ditos de geração em geração, referentes a várias situações, criados e conhecidos apenas em determinadas regiões. São o próprio povo. Fazem parte da sua memória e cada qual, na sua simplicidade, carrega importantes ensinamentos adquiridos por gerações com base na experiência de um quotidiano quase sempre ligado à vida no campo. Um provérbio dito na hora e contexto certo diz mais que muitos considerandos que empregamos amiúde, no dia-a-dia. Todos somos capazes de citar, assim de pronto, pelo menos uma dúzia de provérbios e, curiosamente, se nos perguntarem qual a sua origem, o que significam ou onde os aprendemos, dificilmente seremos capazes de responder, mas sabemos quais as ocasiões para os empregar e qual o partido que deles poderemos tirar, isso é certinho como uma improvável conversa fiada da qual fui espectador:

- Bem se vê que burro velho não aprende línguas…
- E desde quando um burro carregado de livros é doutor!
- Pois, pois, a pensar morreu um burro.
- Fale, fale pr'aí que vozes de burro não chegam ao céu…

Às tantas apeteceu-me ter-lhes perguntado:
- Será que nunca ouviram dizer que quando um burro fala o outro abaixa as orelhas?


quarta-feira, junho 10

vamos lá

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Fotografia de Luis Valente

Chove muito, há muitos dias. Todos estes dias, torrentes de lágrimas escoam em sentimentos escondidos. Lenços ensopados de sonhos perdidos flutuam na tempestade. O mundo inteiro se encolhe à chuva, humedecido por tantas lágrimas, encharcado de sofrimento. É difícil explicar aos filhos deste povo o que se sente, porque verte liquefeito este dia. É fácil perceber no seu olhar que devemos regenerar forças e no conforto de um longo abraço sentir de novo a coragem flutuar. Vamos apressar o tempo que passa pelos nossos olhos arrastando as nuvens. Vamos parar o tempo que transforma uma pequena flor em ruas floridas e emplumadas ao sol, exibindo cores novas e mais frescas. Vamos com as aves no tempo que passa a voar em direcção à vida, pousar nas árvores sacudidas da chuva, sugar as gotas que pendem brilhando numa elegância renovada e limpa. Vamos ver o céu mudar de cor, iluminado, azul claro e mais leve. Vamos abrir as janelas, deixar a luz invadir o mundo inteiro de novo, secar as roupas ao sol. Cabelos ao vento, presságios, bicicletas, andorinhas. Vamos ver a lua aparecer, dizer até amanhã ao sol, acenar a uma estrela e a outra e outra... Vamos lá cambada!


terça-feira, junho 9

para a Raquel

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Estava a anoitecer e já eram horas de deitar mas a malandrinha não queria adormecer. O gato Zeus e a gata Vénus subiram para a cama e enroscaram-se à sua volta. Miau, miau, vá lá Raquel, tens de dormir para que os teus sonhos voltem, ronronou o gato Zeus. Cansada de tantas brincadeiras, recostou-se no pêlo macio dos seus amigos e dormiu profundamente. Um sonho tão belo, o mesmo de outras noites, voltou embalado de sorrisos e suspiros. Sonhava que abraçava o seu maninho e que o enchia de beijinhos. Sonhava o quanto brincavam juntos, os longos passeios que davam pelo espaço onde tantas e tantas estrelas brilhavam, fadas e príncipes contavam histórias de encantar. Manhã cedo acordou com um beijinho de parabéns. Lentamente esfregou os olhinhos e sorriu-lhe, sentou-se na beira da cama, encostou a orelhinha na barriga da mamã e fez-lhe festinhas. Bom dia maninho, hoje estou de parabéns.



sexta-feira, junho 5

num ambiente...

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... agradável, enquanto dormia o sono dos justos, numa destas noites eu tive um daqueles sonhos que, evidentemente, nunca se tornarão realidade. Sonhei que bem lá num futuro mais que perfeito, os automóveis estariam extintos pela escassez de hidrocarbonetos e a superfície da terra só seria calcada por rodas de bicicletas. Alguns carros, autocarros e camiões ficariam expostos em museus como relíquias do passado, memórias de um tempo carbonizado pelos óxidos e nós, de rabos sentados nos selins, com pés nos pedais e mãos no guiador, pedalaríamos felizes para sempre. Estão a pensar que estou a delirar, pois estou. É inegável a minha simpatia pelas bicicletas, máquina desengonçada que se estiver parada destrambelha-se no chão como um albatroz em terra, mas que ao impulso dos pedais se projecta esguia, veloz e silenciosa. É uma máquina do tempo, que está ali, pronta para quem quiser levantar-se mais cedo e experimentar a liberdade. Só quem faz, ou já o fez um dia, conhece a boa sensação de acordar antes do sol numa manhã de domingo, comer bem, vestir-se, calibrar os pneus da bicicleta e sair para umas longas pedaladas, respirar aquele ar tão puro e fino antes das emanações poluentes dos veículos motorizados cujos donos aquela hora provavelmente ainda dormem, de ressaca, preguiça, cansaço ou tédio. É um silêncio diferente, que só as manhãs de domingo têm, por as ruas se encontrarem quase vazias, num efeito de viajem ao passado, no espaço de uma época ou lugar onde não se vê a loucura, gritaria, individualismo e desrespeito. Acreditem sinceramente, não é só por isso tudo que tive esse sonho, mas pelo conveniente pretexto da bicicleta ser amiga do meio ambiente, de me proporcionar saúde e bem estar físico, pelo poder de me transportar em curtos espaços de tempo, a pequenos recantos de um paraíso que de outra forma não os teria desvendado. E o paraíso em questão não é só o lugar que encanta após umas curvas ou pelo subida ao cume de uma montanha, é a sensação única de a ter conquistado, com o próprio suor.




quinta-feira, junho 4

medo, que medo!

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Numa sala de aula, a professora pergunta aos seus pequenos alunos do que têm mais medo. Depois de um breve e tímido silêncio, um deles responde que tem medo do escuro, logo de seguida outro acrescenta que também tem muito medo de ficar perdido. Aí as respostas já se soltam sem medo, desenfreadas, uns têm medo das alturas, outros de morrer, e até do bicho-papão!... Vários medos foram confessados e anotados pela professora, cujo objectivo da pequena pesquisa era libertar os pequenos dos seus medos através do uso da razão. Mas uma das meninas permanecia calada e quieta, com um ar assustado, o que intrigou a professora. Por fim a menina lá falou que tinha muito medo do “malamém”! E o que é isso, perguntou-lhe a curiosa professora. É um monstro muito perigoso... E já viste esse monstro? Nunca vi, mas é um monstro tão perigoso que minha mãe pede todos os dias a Deus que nos livre dele, esclareceu a menina. Aí a professora já nem perguntava nada e só encolhia os ombros. Sabe senhora professora, quando a minha mãe acaba de rezar pede sempre a Deus... “e livrai-nos do mal. Amém”!

Não é preciso muito para se perceber o medo daquela menina, criado apenas pela sua imaginação e que muito provavelmente nunca terá ousado confessá-lo à mãe. Um medo terrível de algo que nunca existiu. Mas será que só as crianças têm medo do que desconhecem? Certamente, que não. O desconhecido gera medos em pessoas de todas as idades e desde sempre a ignorância das pessoas foi utilizada para se impor o terror do medo. Podemos ter tanto medo do desconhecido porque justamente os monstros criados pela imaginação geralmente são mais terríveis do que os reais, por exemplo o medo que temos da morte. O medo do inferno também tem feito reféns e o juízo final é outro tirano que atemoriza muita gente. Todos esses temores são frutos da ignorância e não há dúvida que também se tem medo de sentir medo! Enquanto a razão não se sobrepor aos medos, muita gente continuará a ser refém da própria ignorância.

Eu também tenho os meus medos e sempre tive pavor das alturas. Bem, agora já não terei assim tanto mas respeito-as como respeito a lei da gravidade que para mim é a mãe de todas as leis. Eu alimentava um medo da minha ignorância, um medo cego de voar, de um dia ter de entrar num avião e desconhecer qual seria a minha reacção. Ganhei coragem, voei e gostei, tanto que regressei da mesma forma. Mas poderei dizer que já perdi esse medo? Não, talvez ainda não o tenha perdido, mas percebi sobretudo que o medo não está nos aviões, nas alturas nem no nó do estômago. O medo é fruto de um jogo de poder que nos quer intimidar a todos, perpetuado pela nossa ignorância e por palavras de gente hipócrita, sem respeito pelo próximo, por ninguém, que intimidam pelo medo do castigo, pelo pavor da morte, a maior forma de perversidade e de terror que existe, o terrorismo verbal.

terça-feira, junho 2

da sátira aos homens com gripe à minha sátira aos jovens com viroses

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Xarope de cenoura prá constipação,
Um Ben-u-ron e rebuçados de mel
Que se pifaram as pilhas Duracell.
Não te quero pai, chama a mãe!
Vem cá mãezinha, isto está a doer,
Cabeça, garganta e o que mais houver,
Quero miminhos, festinha e doces palavrinhas
Que me aliviam da febre e das queixinhas.
Contigo a meu lado já me sinto melhor
Do que as receitas passadas pelo senhor doutor,
Não me tragas sopa, perdi o apetite,
Livra-me desta coisa terminada em "ite"
Que minha amiga não é, se é amigdalite!
Registos, medidas, tomas e doses,
Rolos de papel, narinas, tosses, viroses,
Zangam-me, sujam-me, cansam-me da cama,
Deixam a mãe e o pai fora de cena, em stresse,
Quando um filho adoece, toda a família padece.

"Paulofski"

segunda-feira, junho 1

até quando?

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... os adultos continuarão a violar os direitos das crianças?