Lá diz o velho ditado "a curiosidade matou o gato...". O ditado é clássico e verdadeiro. A curiosidade é algo que existe dentro de nós, um mal incurável que raramente nos abandona ao ponto de nem medirmos a ameaça e o perigo. Curioso, não?! Não há solução. A curiosidade é uma praga e faz mesmo parte dos genes dos portugueses atraídos por comportamentos anti-sociais e acontecimentos trágicos. Se há um acidente, se duas pessoas discutem por qualquer motivo, aglomera-se logo à volta uma pequena multidão que acaba por se envolver dando palpites e, por vezes, piorando ainda mais a situação.
Este sábado o mar foi cruel para dois rapazes amigos que se aventuraram nas rochas da Praia de Lavadores em Gaia. Caíram e desapareceram nas ondas revoltas. Desde que o alerta foi dado, decorrem operações de busca, bastante limitadas às más condições do mar. A curiosidade fez com que muitos populares acorressem ao local, parando de propósito os carros para irem espreitar dificultando o acesso e a actuação dos meios de socorro ao local, e detendo a caminhada para dar a sua própria versão dos acontecimentos.
Sendo a curiosidade inata no ser humano, provavelmente não seremos mais curiosos do que outros povos. Afinal deve ter sido por causa da curiosidade que os portugueses se meteram em aventuras além mar, atravessaram oceanos em barcos frágeis e descobriram meio mundo. Mas, provavelmente, andamos a orientar a nossa curiosidade para objectivos que não valem a pena e que não nos levarão nunca a descobrir o bom senso. Como é que se compreende (aqui o link da notícia) que um pai leve um filho de doze anos numa mota de água para junto do perigo? Qual o entusiasmo que os moveu a colocar a própria vida em risco a pretexto da curiosidade?









