Pfffff....
sexta-feira, janeiro 14
é um desentupidor, ó faxabôre...
Não é por ter assistido a alguns dos debates televisivos entre os candidatos à Presidência da República, nem ir escutando o que se passa na caserna, que me lembrei agora de escrever isto. Não! Mas confesso que cada vez tenho menos pachorra para a política e para os políticos. Não lhes invejo a ambição, auto-promoção (ou vocação). Lutam encarniçadamente por um poleiro que eu detestaria ocupar, no entanto tenho de os apoiar (no sentido democrático da coisa, claro está). Mesmo que nem todos estejamos no mesmo barco (que há muito navega à deriva), alguém tem de o governar. O que me parece é que mesmo os mais idealistas e bem intencionados candidatos a homem do leme, acabam também eles por marear em águas turvas, desorientam-se e desviam-se da rota, indo de encontro às piores tempestades. Não sabem ou mostram não saber que a sua missão é servir o país e não servirem-se dele. É um ambiente cada vez mais pestilento e insuportável. Entupiram isto de tal maneira que, por mais que se puxe a descarga, não vão pelo cano abaixo.
Pfffff....
Pfffff....
poste do paulofski 4 que não esperaram em silêncio
quarta-feira, janeiro 12
uma questão de juízo
- Oh pai, onde está o Tantum Verde? - Na casa de banho, porquê? - É que me dói a gengiva e está a inchar! - Ora deixa cá ver... Ahhh, sabes o que é? Estás a ficar com juízo, é o que é.
- Estou o quê!!!...
Quem nunca estremeceu só de ouvir pavorosas histórias dos famigerados dentes do siso? Pois eu ainda ranjo os dentes só de lembrar tudo pelo que passei por causa desses “adoráveis” dentes que chegam no fim da adolescência, logo a avisar: “Afastem-se que queremos passar”.
O siso é conhecido como o dente do juízo, supostamente por surgir numa idade em que o jovem tenha um mínimo de juízo, lá para os 16 anos. De facto, há casos e casos, mas no meu caso, eu só tive algum juízo muito depois de atingida a maioridade e de uma forma deveras traumatizante. Para meu sofrimento, os meus sisos inferiores nasceram inclusos, deitados num berço acanhado, totalmente fixados à mandíbula, e não romperam totalmente a gengiva. O mais complicado foram as inflamações, as dores, e a desagradável dificuldade em mastigar. Só tinha comida pastosa à disposição e bebia por uma palhinha, no mínimo por uma semana. Mas estar esfomeado até que não era o pior. Pior foi não conseguir falar direito e ter que fingir que era mudo, anotando tudo num papel. Mesmo não sendo um grande falador, nada foi tão constrangedor.
A extracção foi a solução e o martírio começou. Um a um, foram sendo arrancados e, porque o médico fez questão, passei por aquilo quatro vezes. Puxa daqui, abana dali, para meu espanto tudo se passou na maior das tranquilidades. Só até sair do consultório! No fim de tudo, eu com a cara toda inchada e babada, em casa, já sentia as dores do “parto” e compreendi o porquê de tantos remédios, anti disto e anti daquilo. Foram-se os sisos e com eles todo o meu juízo, pois nunca mais abri a boca para um dentista. O meu rapaz, que tem também um teclado direito como o meu, já foi ao dentista mais vezes do que eu. Mas como devemos encarar as coisas pelo lado bom, acho que vou contrariar o velho ditado e vou com ele mostrar-lhes os dentes. Rrrrrrrrrr...poste do paulofski 5 que não esperaram em silêncio
domingo, janeiro 9
possibilidades
Choveu muito durante estes dias e em quase todos eles o sol esteve longe. Hoje espreitou-me à janela, clareou o meu nicho de conforto, temperou o meu corpo dormente, e deixou-me um convite para abalar ao seu encontro. E sempre que posso vou buscá-la, triste no seu canto, e pedalo nela, brindando-me de consolo para o qual foi feita. Era muito suave a brisa que me balouçava na manhã fina, nas margens do Douro. Apoiado, estico-me para a frente para ver a estrutura da ponte e a força da corrente, que por baixo de mim corre para o mar.
Baloucei errante na plataforma rodada que alberga certezas e ficções, junto à melancólica marginal criando a sensação de estar em Veneza, mesmo ali, no Porto, enquanto do lado de lá, em Gaia, se sente o silêncio e a tranquilidade que imperam voláteis como o calor entre tonalidades frias. Não é só a intensa coloração dourada, nem a natural impetuosidade que o define. O Douro desliza encorpado, quase gelatinoso, sob a atmosfera luminosa deste tormento invernal.
Aqui o tempo passa depressa, ritmado pela própria cadência do Douro, que parece contrariar o marasmo da cidade. E ela, ignóbil bisbilhoteira, adora lá estar, a viajar suavemente pela cósmica visão do caminho das estrelas, sem para-quedas nem passaporte, invadindo o espaço cósmico e levando-me consigo, alapado no seu selim, como se fosse num qualquer satélite buscar o desejo, o despique do vento e a conquista das ladeiras, nesta elevada e deslumbrante liberdade que é pedalar.
Inspirar o aroma da maresia que se sente, a pureza e a braveza das águas rebeldes ou a educação de um iluminado motorista que passa por trás de mim, buzinando e acordando-me da sensação de estar num lugar estranho, coberto por lençóis e cores desbotadas de ilusão.
É melancolia, mas também um impulso, o que sinto quando passeio por estes caminhos de solidão e aprecio o casamento perfeito do rio e das azáfamas. Das gentes, das peixeiras, dessa nobre e descomplexada paixão pelo mar e pelo que é religioso. Dessa simplicidade de uma vida que estende os trapos entre o pestanejar sonolento de um dia de prazer.
E sentei-me quedo e calado junto ao mar, a assentar ideias e pensamentos, deixando-me empurrar pelo movimento das ondas e pelo sussurrar da rebentação. De me alongar um pouco mais sobre este cruzeiro portuense. Mas o relógio não me deixou envolver pela preguiça e me desopilou dos pensamentos para retomar o meu caminho…
...rumo ao Sol.poste do paulofski 10 que não esperaram em silêncio
sexta-feira, janeiro 7
de quem é o chuço?
Estamos na era da tecnologia. Nos últimos anos a ciência mudou o mundo, um mundo em permanente evolução. Toda a sociedade beneficiou dessa evolução. Tudo é moderno, sofisticado. Tudo é reinventado. Mas, se observarmos bem à nossa volta, há objectos do nosso quotidiano que praticamente não se alteraram, não fizeram um upgrade. É o caso do chuço. Desde que foi inventado tem sido igual a si próprio, uma armação de varetas cobertas de pano e unidas a um pau! Há uns que se dobram, uma ou duas vezes, cabem nas carteiras de senhora e até têm uma capinha extra. Mas, quando se abrem, são iguais a qualquer outro. De pano negro ou colorido, de uso publicitário, com moca de madeira, de plástico ou metálico, pequeno ou familiar, são todos iguais. Porventura remonta aos primórdios da civilização, em que algum australopiteco mais intligente, um dia, se lembrou de juntar umas folhas de palmeira, espetou-as num galho, e cantou dançando à chuva, do mesmo modo que Gene Kelly cantaria milhões de anos depois! E o pior é que ficamos sempre molhados.
É definitivamente um objecto incompleto na sua função. Até porque, decididamente, não guarda chuva nenhuma. E depois de fechado, entra-se com ele nos autocarros, nos restaurantes, na casa dos outros e deixamos um rastro molhado num chão alheio. É um incómodo. O que fazer com aquele objecto desajeitado, molhado e frio quando a chuva passa? O que fazer com os que se vão embora e se esquecem do guarda-chuva em qualquer lugar. Sempre...
E de quem é o chuço que jazia revirado no passeio a caminho de casa? Certamente também andou a dançar à chuva... poste do paulofski 6 que não esperaram em silêncio
qual é a coisa, qual é ela... [1]
Partilhar

Pelo muito bem que faço não posso ser dispensada.
Se persisto aborreço. Se falto sou desejada?
poste do paulofski 5 que não esperaram em silêncio
quinta-feira, janeiro 6
reposte 7 [que doces]
Até para desenjoar um pouco dos temas da política, da falta de disponibilidade (a minha, evidentemente) e deste tempo invernal que faz lá fora, fui rebuscar este poste nos arquivos do gabinete.
Bom apetite.
Bom apetite.
É inevitável que ainda se fale do Natal. Nas ruas, nas áreas comerciais, no íntimo das pessoas, no ambiente da cidade paira ainda o espírito natalício. Hoje sendo o Dia de Reis, o que para mim não tem grande relevância a não ser a de me fazer lembrar o aniversário do meu tio Bernardo, parabéns tio, enquanto noutras paragens é o dia devotado à entrega e troca de prendas sobretudo às crianças. Por cá, e a esta altura do campeonato, já só há dinheirinho para os saldos, para as contas e para comprar o último bolo rei, colorido, brilhante e pegajoso, que eu não gosto nadinha, mesmo nada ao ponto de já nem migalhas restarem do que havia ali sobre a mesa! Este dia assinala assim o encerramento das festividades natalícias e confesso que já ando com uma enorme vontade de desmontar a árvore, encaixotar os enfeites, as bolas, arrumar tudo até voltar a montar o circo no próximo. Tudo menos esvaziar a mesa. Hummm… Fecho os olhos e ainda sinto o aroma das iguarias, o prazer que me dá pegar numa amêndoa torrada, levar um punhado de pinhões à boca, os doces e os chocolates, pudins, cremes e rabanadas acabadinhas de fazer…
O palato e o Natal estão indissociavelmente ligados e se há altura para exageros é agora a altura para voltar ao ritmo, voltar ao exercício físico sem contudo deixar que algo fique sobre a mesa.
São servidos?
O palato e o Natal estão indissociavelmente ligados e se há altura para exageros é agora a altura para voltar ao ritmo, voltar ao exercício físico sem contudo deixar que algo fique sobre a mesa.
São servidos?
Zeca Afonso - Natal Dos Simples
poste do paulofski 3 que não esperaram em silêncio
quarta-feira, janeiro 5
show di bola
Já agora, não haverá por aí um clube partidário qualquer interessado na transferência galáctica deste ponta-de-lança, na contratação deste centroavante exímio no jogo da governação? É que estando o mercado de transferências em aberto, seria de aproveitar. Até que ele já se mostrou disponível!
poste do paulofski 10 que não esperaram em silêncio
terça-feira, janeiro 4
isto é sério!
Não obstante todos os esforços já realizados, e que se traduziram numa diminuição face a um passado recente, infelizmente a sinistralidade rodoviária permanece um flagelo nacional, com todos os prejuízos de natureza pessoal, social e económica que acarreta. Não podemos pactuar com comportamentos inadequados nas nossas estradas, constantes manifestações de uma absoluta falta de civismo por um número ainda demasiado significativo de condutores, com excessos de velocidade e condução sob o efeito do álcool. Portugal tem uma das taxas de sinistralidade mais elevadas da Europa. Felizmente, ao longo dos anos, as estatísticas têm revelado uma significativa diminuição do número de vítimas causadas por acidentes rodoviários. Todos nos devemos congratular com esse facto. Porém, se a evolução é positiva, a verdade é que ainda se verifica a perda de muitas vidas. Por altura das festas natalícias e passagem de ano voltam as campanhas de sensibilização na comunicação social e as operações de patrulhamento e fiscalização rodoviária, mas a prevenção não se deve restringir a isso. Deve começar em casa e sobretudo dentro do carro com os exemplos que damos aos nossos filhos. A prevenção rodoviária deve começar cedo. As crianças aprendem mais com os exemplos dados pelos pais, e, por isso mesmo, somos nós, os adultos, os principais responsáveis pela formação do carácter dos mais novos. Se formos capazes de transmitir pequenos ensinamentos aos nossos filhos, certamente que eles se irão tornar uns adultos mais responsáveis e conscientes da importância do papel que têm no que diz respeito à segurança rodoviária. Ser um peão responsável, dar-lhes a conhecer algumas regras básicas de trânsito e alguns tipos de sinalização mais comuns, a importância do uso do cinto de segurança, explicar-lhes o quão é importante cumprir essas regras e a utilização do capacete de protecção, enquanto passeiam de patins, de skate, ou sempre que pedalem na sua bicicleta.poste do paulofski 5 que não esperaram em silêncio
segunda-feira, janeiro 3
anseios
Bons momentos. Recordações, memórias, são retalhos daquilo que costuramos, dia após dia. E que vale a pena carregar algumas na mochila, mas outras, outras bem que as podíamos deixar pelo caminho e seguir viagem, sem vontade de dar meia volta para ir buscá-las.Não creio que seja possível apagar completamente actos e palavras de que não nos orgulhamos, mas acredito que podemos sempre encontrar motivos para aprender com os erros e nos redimir deles. Fazer com que as melhores coisas que fizemos nos forneçam energias para eternizar novos momentos, novas palavras, novas caras, novas músicas, novas imagens, enfim, nova bagagem.
Para 2011 o mais importante é encontrar a maturidade suficiente para juntar os retalhos que componham a colcha da vida. Voltar ao passado é impossível, mas a melhor maneira de conjecturar um futuro melhor é criando. E como se faz isso? Com coragem, com muita coragem.
poste do paulofski 9 que não esperaram em silêncio
sábado, janeiro 1
de passagem
Com a insignificante excepção dos anos bissextos, todos os anos duram o mesmo tempo? Relativamente, sim. Mesmo que no final de cada ano achemos que esse "sim" foi um ano que passou rápido? Tecnicamente, a resposta é não. De cada pessoa com quem falo, de algumas conversas que ouço na paragem do autocarro ou nas mesas do café, o que mais se diz por aí é que o ano passou devagar. Ora, eu tenho a ideia que um ano parece durar mais ou menos do que outro, ou porque um gajo andou entretido, ou então por que o viveu de uma forma aborrecida, entediado a fazer contas à vida. Um minuto, um segundo, pode durar mais do que outro, pode ser mais bem aproveitado se for vivido de uma forma intensa e apaixonada. É verdade que isso não passa de uma teoria, mas para mim 2010 passou a voar. Aliás, todos somados, fica aquela sensação que, porventura, os anos passam sempre depressa demais. De que o tempo corre quanto mais velho se vai ficando. Parece acelerar e ganhar balanço à medida que avança. O que é deprimente quando se sabe o que nos espera no fim da linha. Então, para variar, mais vale aproveitar os segundos todos que temos pela frente e acelerar ou diminuir a cadência para aproveitarmos a viagem, porque senão a vida é uma monotonia. Oh meu filho, nós estamos só de passagem, já dizia a minha avó.Na passagem d'ano:
- Oh pá, boas entradas.
- Ahhh, obrigado… Mas olha que ainda não perdi muito cabelo!
poste do paulofski 3 que não esperaram em silêncio



