sexta-feira, novembro 27

incauto

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Há muito que não paravas de reclamar comigo. Sempre que te rodava a chave, do teu interior se ouviam uns grilinhos cada vez mais irritantes, captava sinais de luzes que te iluminavam o painel, a todos incomodavam a rouquidão do teu escape e as pingas de óleo que já choramingavas. Eu posso muito bem viver sem ti, ah pois posso, mas todos autobeneficiamos da tua autoconfiança e sei dar valor à tua autonomia. Se te troco pelo autocarro ou pela bicicleta é porque não tenho sempre a necessidade dos teus automatismos, sabes bem disso. Pronto, impunha-se! A tua amiga automobilista, confidente das tuas autocríticas, fez-te a vontade e levou-te à revisão, mas o relatório da tua autópsia abalou definitivamente com a auto-estima da minha conta bancária. Autómato que fiquei ao ver o teu orçamento, não me deixou alternativa e autografei o cheque porque, confesso, preciso de ti e bem afinadinho. Na tua autodefesa tens o facto de nunca me teres deixado apeado na auto-estrada e só por uma vez teres posto em causa a minha autoridade. Eu, autodidata que até sou, inventei, investi, limpei em teu autobenefício e tu foste perdoando as amolgadelas e os riscos da minha autoria. Só mesmo tu é que ficarias todo vidrado com um autocolante da aprovação na inspecção! Meu velho amigo, a PDI toca a todos, até aos automóveis. Muito provavelmente teremos de seguir juntos pela velhice e, a não ser que queiras ficar descalço a guardar galinhas como esse teu primo ferrugento que conheceste no ano passado, vê lá se te autopromoves por outros cem mil, ou mais! Pois é, tudo tem o seu desgaste e automaticamente o seu preço. E assim lá se foi o meu rico subsídio de natal!

Um bom fim-de-semana, deseja-vos o autor!

quinta-feira, novembro 26

and the show must go on...

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A voz dos Queen, calou-se há 18 anos. A 24 de Novembro de 1991 e com apenas 45 anos, Farrokh Bommi Bulsara morria em Londres. Freddie Mercury, a sua voz, o seu carisma e as suas canções permanecem. Tempo de homenagens, até os Marretas decidiram fazer uma nova versão ao estilo raposódia do tema ‘Bohemian Rapsody’. Eu tenho saudades…


quarta-feira, novembro 25

abram a porta

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De todos os tipos de violência, a que é praticada em ambiente familiar é uma das mais cruéis e perversas. O lar, que é identificado como um local acolhedor e seguro, passa a ser um ambiente de constante perigo, palco diário de um estado de ansiedade e medo permanente. Envolta num emaranhado de emoções e relações afectivas, a violência doméstica mantém-se como uma sombra da nossa sociedade.



Tal como as vítimas, os agressores têm um novo perfil. Mais jovens, possuem alguma instrução e são socialmente bem estruturados, não necessariamente alcoolizados ou sob influência de drogas. Tanto pode ser o marido, o pai, o companheiro, o namorado, o ex-marido, o ex-companheiro ou o ex-namorado que não aceitou o fim da relação. Tanto podem ser homens ou mulheres. O agressor, no íntimo do lar, abusa da violência física, psicológica e até sexual sobre o conjugue, sobre os pais, os avós, os filhos, crianças e adolescentes. É um problema universal que atinge milhares de pessoas, não costuma obedecer a nenhum nível social, económico, religioso ou cultural específico, na maior parte das vezes é exercida de uma forma silenciosa e dissimulada, continuada, nem sempre denunciada por medo e vergonha, sendo as mulheres em larga escala as que mais sofrem. A pouca auto-estima, a dependência emocional ou material da vítima em relação ao agressor, são normalmente factores de aceitação, raras vezes conseguem desligar-se do ambiente opressor em que vivem e dificilmente procuram ajuda externa. Esta violência cobarde não tem necessariamente de deixar marcas físicas. Com o objectivo de ferir, a violência praticada por elementos da família tem mais impacto na questão psicológica, é caracterizada por rejeição, humilhação, discriminação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida onde, em muitos dos casos, o agressor faz com que a vítima se sinta culpada.

Em algumas sociedades, os homens vêem a violência como algo quase natural, como sinónimo da masculinidade, onde se institucionalizou que o homem é que manda! Pautam-se por tradições e preconceitos difíceis de alterar, de desfazer. Devemos fazer tudo para mudar estes comportamentos violentos, os agressores devem ser responsabilizados e julgados pelos seus actos e as vitimas podem e devem denunciá-los. Segundo a Organização Mundial da Saúde, um terço das mulheres de todo o mundo já sofreu agressões físicas ou sexuais dos seus parceiros. Tenham acontecido essas agressões durante a infância ou na idade adulta, correm riscos elevados de terem, ou virem a ter, problemas de saúde. A violência doméstica possui aspectos políticos, culturais, policiais, jurídicos mas é também um caso de saúde pública e os profissionais de saúde estão numa posição destacada para perceberem os sinais e colher as denúncias de forma a intervir, ajudar a combater este flagelo.

Um projecto europeu que está prestes a avançar para o terreno em oito países, financiado em um milhão de euros pela Comissão Europeia, vai ser liderado por uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, coordenada por Henrique Barros. Chama-se DoVE

Uma nódoa negra ou um braço partido podem ser algumas marcas visíveis de um caso de violência doméstica. Mas, e o resto? "Não queremos o óbvio. Não queremos o braço partido. Queremos as formas mais subtis. Queremos perceber em que medida doenças para as quais nós não temos ainda um conhecimento exacto das suas causas podem estar relacionadas com situações de violência", explica Henrique Barros o coordenador do projecto DoVE. Querer perceber o que se passa na comunidade das "pessoas normais, pessoas como nós". Saber qual a frequência do problema da violência nos vários países europeus, possibilitar comparações e estabelecer uma relação mais ou menos directa com os problemas de saúde associados. Permitirá uma melhor percepção da expressão da violência de género, uma avaliação quantitativa da violência contra os homens, analisar o que se passa no mundo das relações homossexuais. As respostas podem trazer surpresas, mas, à partida, Henrique Barros espera encontrar valores elevados de violência nos mais jovens, mais homens batidos, demonstrar de uma forma científica e padronizada os efeitos na saúde, deparar com "poucas situações graves e muitas menos graves". Os dados do DoVE serão baseados em entrevistas a cerca de 800 pessoas de cada um dos oito países (Portugal, Suécia, Alemanha, Reino Unido, Bélgica, Espanha, Grécia e Hungria). "No limite, queremos mudar leis. Queremos melhores estatísticas para melhor saúde". Um exemplo? "Meter a questão da violência nas consultas. Da mesma maneira que existe a rotina de medir a tensão arterial, era bom que também nos inquirissem directa ou indirectamente sobre este tipo de situações. Uma pessoa não vai ao médico a dizer "bateram-me". Vai dizer que lhe dói a cabeça, o estômago. Vai hoje, não melhora, volta amanhã. Há um consumo maior de cuidados de saúde. Temos de começar a perguntar. Caso contrário, podemos perder uma parte de um problema e que pode ser vital." Abram a porta às equipas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto que vão contactar pessoas entre os 18 e 64 anos que vivem no Porto, escolhidas aleatoriamente. "É importante que saibam que lhes vamos bater à porta para falar deste tema difícil, que nos recebam e respondam", sublinha Henrique Barros. O facto de a violência doméstica ser um crime público coloca um dilema. O que fazer perante uma pessoa que diz que é batida todos os dias? Ser cúmplice ou denunciar? Nenhuma das duas. Propor ajuda, todo o tipo de ajuda, é a solução. Assim, na pior das hipóteses, a ajuda pode bater à porta.

Música:
- Do you really want to hurt me (Karen Souza)


terça-feira, novembro 24

ah, sua vaidosa!

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Para além da grande beleza que o nascer e o pôr-do-sol teriam no horizonte, a humanidade e qualquer outra forma de vida nunca teria existido se a Terra tivesse uma cintura de anéis como tem Saturno.



Não sendo claro se cientificamente esta recriação estaria correcta, é apenas uma curiosidade e uma simulação animada bastante interessante. Os anéis rodeariam o planeta sobre a linha do equador e, dependendo da latitude do observador, proporcionaria magníficas e deslumbrantes imagens celestes combinadas com paisagens de várias cidades do mundo. Poderemos imaginar os anéis nos céus de Paris e do Rio de Janeiro, sobre o Equador, como bela seria a noite de Nova Iorque. Nos cálculos foram levados em conta as proporções correctas dos anéis, os ângulos de visão e o limite de Roche, que define em parte a que distância os anéis poderiam se situar na órbita terrestre. É uma obra de Roy Prol acompanhada magnificamente com a belíssima Ave Maria de Schubert.

“Por ti vou roubar os anéis de Saturno”, seria então uma declaração de amor já fora de moda!


Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse…

Herberto Helder

Ao ritmo que se produz lixo espacial não deverá demorar assim tanto, não acham?


segunda-feira, novembro 23

sexta feira passada...

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... saio do metro e rumo directo a casa. Num passo moderado, são mais ou menos uns dez minutos de caminho, no qual o pensamento insiste fazer-me companhia. E lá fomos nós quando um som forte e abafado de um avião que forçava os motores na sua subida, escondido entre as nuvens, chamou a minha atenção e me assustou o pensamento. Àquela hora da tarde o céu apresentava-se azul, metalizado, irrequieto por umas nuvens apressadas que teimavam entristecê-lo com tons de cinzento cromado. Mais à frente, ao entrar no jardim, dou de novo com o meu pensamento e juntos prosseguimos, ao ritmo das pernas e dos neurónios. O pensamento às vezes é uma coisa muito estranha, é como um microprocessador que debita imagens e sensações misturadas sem nexo. Deixa o raciocínio à deriva, num mar de realidade sem lógica, num ambiente tão perto e ao mesmo tempo tão distante. Então, como dizia, eu atravessava o jardim tranquilo que existe a meio caminho e, ao sentir o vento húmido bater-me na cara, olhei de novo o céu já mais carregado a prometer chuva e da grossa. Naquele momento o pensamento alimentava-me a imaginação e transportava-me através do tempo, de volta a algumas imagens que tinha visto na véspera, no filme 2012, quando sou devolvido à terra pelas palavras de uma senhora que, à minha frente, estende o braço e oferece-me um papel colorido e um sorriso. Importa-se? Eu não, respondo perplexo, reduzindo a cadência. Por favor leia até ao fim, pediu-me com uma voz doce. Claro que sim! Agradeci-lhe, mantive o papel guardado na mão e segui o meu caminho. Nisto, salta-me a pulga detrás da orelha, atiça-me a curiosidade e, disfarçadamente, dou uma breve olhadela ao papelucho.



Mas que titulo mais estranho para uma imagem tão sugestiva! Pensei. Um casal que sorri e um alce tão bem disposto, de que estarão a sofrer? Questionei-me, enquanto ia acelerando o passo antes que começasse a chover. Chego à porta, e enquanto a mão direita procurava as chaves no bolso, a mão esquerda revirava o papel. Percebi que era um pequeno folheto desdobrável com muitos dizeres. Já dentro do elevador abri o folheto e li o seguinte:

Todo o sofrimento ACABARÁ EM BREVE

Outra vez!...

Em algum momento na vida, você provavelmente já se perguntou: “Por que há tanto sofrimento?” Há milhares de anos, o homem vem sofrendo muito devido a guerras, pobreza, calamidades, violência, injustiça, doenças e morte. Nunca houve tanto sofrimento como nos últimos cem anos. Será que um dia isso tudo vai acabar?

Sim, realmente isso deveria acabar, mas onde quererão chegar? Continuei a ler…

Que consolo é saber que vai sim, e muito em breve! A Palavra de Deus… (blá blá blá, só para atalhar) Depois que Deus acabar com a maldade e o sofrimento, a Terra será transformada num paraíso…

Ui, querem ver que já há argumento para uma sequela do filme!?
2013 - Agora é que é!

Eu acho que de deveria haver uma lei, um qualquer programa, sei lá, para nossa protecção contra este tipo de testemunhas. Nunca as palavras PAPEL PARA RECICLAR me fizeram tanto sentido! E depois do poste escrito e publicado fui à casa de banho aliviar o meu sofrimento!


sexta-feira, novembro 20

fui ver o filme 2012...

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... sobre as profecias dos Maias, as teorias apocalípticas e o fim do mundo agendado para daqui a três anos. Não tenho tempo para grandes considerações porque estou cheio de sono e estou a ver se termino de escrever este poste. Quem tiver tempo e vontade que o vá ver... Ó menos podiam ter revelado se os animais se salvaram! Bom, deixo-vos com essa dica e esta foto para pensarem durante o fim-de-semana. Instalem-se confortavelmente no gabinete, bebam um cafezinho e apreciem na aparelhagem esta excelente música cheia de belas imagens do videoclip que eu encontrei.


Jack Johnson - Atlantic City


Bom fim-de-semana.


quarta-feira, novembro 18

obrigado rapazes

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foto: Jornal de Notícias

Agora que fiquei bem mais aliviado com o golo de Raul Meireles, coloco o computador ao colo e vou entretendo-me a escrever o poste para publicar amanhã (hoje) enquanto vou espreitando a têvê. Finalmente! Agora já não escapa. Portugal vai com toda a certeza garantir esta noite a sua presença na fase final do Mundial, agendada para Joanesburgo a 11 de Julho de 2010.

Começou por ser um jogo do tudo ou nada, uma autêntica final, onde não só se garante o apuramento, mas também está em causa o prestígio do futebol português pelo percurso até aqui efectuado, e porque a selecção da Bósnia era tida como uma equipa das mais fracas desta última fase. No jogo da Luz, os matulões dos bósnios demonstraram que não são nada toscos e só não foram capazes de marcar golos porque estavam com uma pontaria
danada aos ferros. Muito provavelmente a baliza portuguesa estaria benzida, mas isso agora são outras rezas. Bom, apesar de todos os avisos que pudessem ter sido feitos sobre a equipa adversária, não jogamos nada bem e acabamos até por ter bastante sorte, aquela sorte que não tivemos em outros jogos.

Todo o dramatismo em torno do jogo em Zenica, ambiente de guerrilha (uiiii, já chovem óvnis na cabeça do bandeirinha!) e fanatismo exacerbado não conseguiram intimidar os nossos heróis lusos. Num campo mais apropriado ao cultivo de batatas, maltratado e acanhado, supostamente um infernozinho, Portugal apresentou-se personalizado, batalhador e sofredor perante a atiçada sobranceria bósnia (uiii… quase que era o segundo). Não me apetece agora analisar as opções técnico-tácticas de Carlos Queirós nem as incidências do jogo, limito-me a realçar a presença imbatível do Eduardo, a barreira intransponível do Bruno e do Ricardo, o grande esforço do Paulo e do Duda, a importância estratégica do Raul e do Pepe, toda a sabedoria e experiência do Deco, do Tiago e do Simão, as fintas endiabradas do Nani e do Liedson (olha… olha… quase que era outro!) e o sofrimento de todos os que não puderam jogar mas que roeram as unhas até aos sabugos. Aí está, acabouuuu…! Ufffa, desta vez não acabamos com o coração nas mãos até ao último minuto, nem obtivemos uma das famosas vitórias de “meio a zero” do sargentão. Foi uma vitória mais que merecida e que finalmente nos carimba o passaporte para a África do Sul.

Obrigado rapazes, parabéns Portugal!

a diferença é o que nos torna especiais

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É absolutamente utópico imaginar-se um mundo tolerante e despido de preconceitos. Entende-se a tolerância como aceitar as diferenças, políticas, religiosas, morais, sociais, de opinião... O Homem como ser sociável que é, vive em conjuntos de indivíduos com valores e ideais em comum, com as mesmas preferências, em permanente competição onde naturalmente se geram algumas barreiras de defesa. E um grupo unido na sua identidade usa-a para a sua própria sobrevivência como em comportamentos semelhantes que vemos nos animais. A segregação, a discriminação e o preconceito são algumas das piores características que o ser humano usa na defesa do grupo onde está inserido. Nós que somos a única espécie do género que vive neste planeta, e talvez por isso, somos tão pouco unidos. Não sermos preconceituosos é algo impossível, independente da nossa inteligência, educação, cultura e experiencias de vida. Todos nós que pensamos temos os nossos preconceitos e aplicamos nos outros os nossos rótulos. Qualquer um que tenha entrado neste gabinete criou de certa forma um determinado preconceito a meu respeito, e só por ler o que algures aqui publiquei. O preconceito por algo ou alguém é automático, instintivo e natural. Se eu vejo alguém que veste ou se comporta de uma forma diferente, já estou a fazer o meu juízo e a criar um preconceito, que nem sempre é negativo. A primeira impressão não deve ser a que fica. Aceitar o outro, como ele é, é não agir baseado em preconceitos, é ser tolerante. É entender e respeitar sem condescender.

Esta foi a minha participação no desafio que paira pelo blogobairro. Só espero que tolerem a falta de roupa das mocinhas lá em cima que tal como eu viram as costas à intolerância e ao preconceito. Lembrem-se do titulo do poste, ó faxabôre! O que realmente interessa é o sentimento e o interior das pessoas, sejam elas magras, altas, gordas, baixas, lindas, morenas, brancas, asiáticas, negras, loiras, índias…


terça-feira, novembro 17

foi um prazer

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Há tempos deste-me o teu calor e sabor,
Ofereci-te a boca doido para te beijar.
Sorvia-te cúmplice depois de um café,
Em roda de amigos, conversa de bar.
Escravo num trago, prendeste-me a ti,
Romance proibido em ritual de amor.
Cansaste-me a vontade, fintei-te, olé,
E separados ficamos, sem razão ou motivo.
Malvado o vento que te traz a mim, passivo,
As narinas me fustigas, ainda hoje te senti!
Mas há muito que me lembro te ter apagado
Da minha mente e agora respirar aliviado.


David Bowie - Ashes to Ashes (Live)


domingo, novembro 15

e é tão simples

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Chove e chove e chove
e a água é transparente e fria
e salto poças no meu caminho
e são mais que muitas…
Chora sobre mim
e a água bem perto encolhe-me o corpo
e deixa-me enrugados os dedos das mãos
e lava-me a cara, beberico-a doce.
De dentro para fora, de fora para dentro
e corre mais uma gota pelo meu casaco
e sinto arrepios pela espinha.
Escorre sobre mim
e abrigas-me no teu aconchego
e abraço-te e molho-te
e escorro sobre ti...



e é tão simples
numa quente e deliciosa música
ouvir da janela lágrimas que deslizam.