terça-feira, março 10

ponto de situação

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Aproveito desde já para informar os meus vizinhos que, desde ontem, a minha ligação ao blogobairro tem sofrido reveses vários, por deficiências de bastidores agravadas por uma baixa da tensão meganética da instituição deste gabinete. Se por qualquer razão….. de me ler é porque a ……. caiu!
Justifico assim a minha ausência das vossas moradias, caros comblogobairristas. Voltarei em força, esperam em silêncio, ou não.

Tomei conhecimento por vias travessas da minha condenação à revelia pelo GRANDE JULGAMENTO DO TRIBUNAL DE COSTUMES DO BLOGOBAIRRO. Fui considerado culpado por crimes de desobediência agrav… blá… blá… (cliquem aí nas letrinhas azuis para perceberem as injustiças (snifff… snifff) de que me acusam). Declaro sonelemente que não vou fugir para o Brasil, não me vou apresentar em Guantanamo... no Estádio de Alvalade, nem tão pouco corrigir os erros de ortografia do software 'Magalhães'. Que se lixe. Vou pensar seriamente se tudo isto valerá a pena, perder a minha horinha de almoço para publicar, quem sabe, o meu último poste antes que me levem à ruína. Resta-me talvez recorrer à fé, à salvação do senhor, colocar-me perante Ele, e de joelhos clicar:

Oh Google que estais na rede
Santificado seja o vosso nome
Venha a nós o vosso domínio
Seja feita a nossa pesquisa
Assim no IExplorer como no Firefox
Vossa sabedoria de cada dia nos dai hoje
Perdoai a nossa imaginação quando publicamos o belo
Mas não nos deixe de rato na mão
E nos livre da tirania da PresidentA… Também!




Mas... Não! Não vou pedinchar perdão, não me vou resignar à censura das imagens de femininos corpos carnudos, que esta PresidênciA impõe, não vou deixar de pedalar a minha bicicleta, nem deixar de blogar. Mil vezes não... Nem que para isso tenha de pôr os tarecos à varanda e despojar-me de todos os bens. Tenho dito.



ps: tempo de cozedura deste poste - 10 min.; tempo de publicação - 35 min. Irrraaa...


segunda-feira, março 9

o primeiro lugar

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Um profundo e longo bocejo estremece o quarto. O despertador nem chega a tocar e levanta-se já, autómato, com o indicador apontado ao botão “On”. Esfrega os olhos raiados e segue cambaleando para a mija matinal. Foge do olhar inquisidor do espelho. Do quarto, uma musiquinha habitual e característica sossega-o por breves momentos. Não se importa se dormiu alguma coisa ou se deveria escovar os dentes. Não sabe se chove ou se faz sol. Os pássaros cantam lá fora mas ele que não os ouve, pois os seus ouvidos estão já ocupados com o canto de um MP3. Abre o Outlook antes de abrir qualquer outra janela da casa. Bom dia! Gmail, MSN, Googletalk, mundo. Acontecimentos principais do dia. De frente para o monitor procura os restos da véspera, comida plastificada que é agora o seu primeiro almoço. O cérebro estilhaça-se em mil informações, um para mil, tanta informação para uma só cabeça. De que site saiu, para que site vai, é um conceito emaranhado de cliques e buscas, onde todas as coisas estão interligadas, sem começo nem fim. Descomandado, prime instintivamente o “On” do televisor onde cantam a missa dominical. Mais acordado troca de canal para outro mais radical. Não crê num ser superior, mas todos os dias ele vê a luz no monitor. Todos os dias tem vontade em se ajoelhar, em agradecer aos génios e aos servidores, o milagre da tecnologia, a experiência de estar permanentemente conectado, em comunhão com o mundo cibernético. Não, não o convidem para um passeio, não o chamem para ver o sol. Pode durar mais do que algumas horas, pode perder alguma coisa. Há sempre algo novo, algum contacto, de alguém algures, do outro lado da rua, do outro lado do oceano.
Estão preocupados com ele? Eu sei
!


Coldplay - God Put A Smile Upon Your Face



para a Safira

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Happy Birthday to you... Happy Birthday to you...
Happy Birthday dear Safira...

"Passam-se os anos, apagam-se mais velas, mas ficam maiores os bolos e melhores os amigos."

Cantamos bem, pois cantamos!
Faxabôre, não há por aí alguém que nos tire daqui, please....




domingo, março 8

para a Teté...

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...um dia muito especial. Que ao receberes este ramo de mensagens o teu coração bata mais forte, os teus olhos brilhem e teus lábios sorriam. Parabéns Teté por estes anos dourados.

sexta-feira, março 6

no feminino

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Toda a minha vida fui abençoado pela alquimia feminina. Da minha mãe, que me recebeu no seu ventre, me protege, me educa, me torna e inspira no homem que sou. Da minha tia, que foi a minha segunda mãe e me ajuda a costurar as linhas por onde cresci. Das minhas avós, mulheres de força e de trabalho, que cavaram o solo e plantaram uma semente. Da minha mulher, minha amada e companheira que me dá o seu amor, o nosso amor, felicidade e realização da paternidade. De todas as minhas amigas mulheres. Das colegas de trabalho, mulheres na sua maioria, que cuidam, organizam, ensinam. Comandam. Protegem e preservam a vida.

Toda a mulher tem uma linguagem própria, um sensual e delicado olhar, composto de códigos e símbolos que nos percorrem e enfeitiçam numa lentidão hipnótica. Toda a mulher é perfume, é arte. Não ama só o que vê, o que ouve. Não ama só o que está ao vento, perdido, mas o que surge à superfície, na complacência de decifrar o que lhes dizemos. É nossa lei e discurso que a cerca e domina e nos grava na memória. A sua voz é o nosso canto, de guia e prazeres. É do nosso dicionário de significados que o tempo escreve e dá cor. É feita de silêncio e som, de sinais e tacto. Porque a sua pele é um livro, à espera dos segredos dos nossos lábios e mãos onde se tatuam desejos como se fossem ambições, onde se camuflam falhas de quem confessa seus degredos. Toda a mulher é um porto, uma vindima, uma moradia. E nós homens, que sem elas somos como uma folha seca, à deriva!


Katie Melua - The Closest Thing To Crazy


quinta-feira, março 5

só pra contrariar...

Partilhar ... venham de lá essas coimas (*)

Há dias andava eu nas minhas pedaladas pelo Parque da Cidade quando encontrei um amigo de longa data. Conhecendo bem os seus hábitos sedentários estranhei o facto dele andar por ali e perguntei-lhe:

- Então Rocha como vai isso? Tu por aqui!?

- Sabes Paulo, o doutor aconselhou-me a praticar exercício!

- Ai sim! Pois estou muito admirado por te ver aqui a dar umas pedaladas! E onde é que arranjaste essa bicla toda xpto?

- Vê lá tu que ontem mesmo, estava eu a fazer a passear a pé, a caminhar por aí, quando numa curva perto do Pavilhão da Água apareceu à minha frente uma rapariga nesta bicicleta. Ela parou de repente, atirou a bicicleta para o chão, despiu toda a roupa que trazia e disse-me: "Pegue o que quiser!"

- Eh pá, escolheste bem. Provavelmente a roupa dela não te iria servir!





(*) ver os dois postes anteriores

a nós ninguém nos cala

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Ao Alegre do blogobairro, em solidariedade por causa própria contra a fúria censória das sufragistas.



Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminhos.
Pedalo nas palavras atravesso as cidades
bato às portas das casas e vêm homens espantados
ouvir o meu recado ouvir a minha canção.
Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminhos.
Vem gente para a rua a ver a novidade
como se fosse a chegada do João que foi à Índia
e era o moço mais galante que havia nas redondezas.
Eu não sou o João que foi à Índia
mas trago todos os soldados que partiram
e as cartas que não escreveram
e as saudades que tiveram
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.
Desde o Minho ao Algarve
eu vou pelos caminhos.
E vêm homens perguntar se houve milagre
perguntam pela chuva que já tarda
perguntam pelos filhos que foram à guerra
perguntam pelo sol perguntam pela vida
e vêm homens espantados às janelas
ouvir o meu recado ouvir a minha canção.
Porque eu trago notícias de todos os filhos
eu trago a chuva e o sol e a promessa dos trigos
e um cesto carregado de vindima
eu trago a vida na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.

Um poema de Manuel Alegre

quarta-feira, março 4

um poste muito interessante

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Acham que, se vos disser que hoje ainda não fiz o meu trabalho, digo, o meu poste, porque estou há duas horas de boca aberta em frente ao computador sem conseguir escrever uma palavra, vocês me dispensam da publicação?

Pois Gi...
Também me parece!



Adenda à adenda: Duas horas de boca aberta vendo este exemplar de duas rodas que me foi enviado via e-mail por um amigo ciclista e adenda ao poste em branco após o primeiro comentário da Gi...

terça-feira, março 3

palavras de amizade

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Palavras que fazem lembrar tanta gente! Amigos que gostamos durante anos e que a vida os desencontrou de nós. Amigos que foram e que não veremos mais senão em retratos que emocionam, nos recados, nas memórias, cartas e postais manuscritos. Crianças que cresceram juntas, amigos de rua, da escola, colegas de trabalho, bons momentos na vida. Outros amigos que conhecemos ao acaso e que se tornaram tão importantes. Amigos que felizmente ainda vamos encontrando, mesmo sem muita frequência mas que são amizades para sempre e presenças certas na nossa alegria.

As amizades virtuais existem. Algumas tornam-se reais, outras continuam distantes mas plenas de afinidades, do carinho que representam. Gostaria de poder abraçá-los ao vivo e a cores.


segunda-feira, março 2

na passada semana...

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... a Vekiki, num post que publicou aquando do primeiro aniversário do seu blogue, teve a gentileza de oferecer uma de várias frases de Mia Couto. Eu deveria escolher aquela que melhor me definisse ou tocasse, para publicar aqui no gabinete. Como sou um guloso, não escolhi apenas uma, mas duas dessas frases e ainda lhes juntei uma bela imagem que retirei algures do oceano de emoções que é a net. Como bem diz aqui a Vekiki, não há melhor presente do que palavras, e como tal decidi também retribuir o seu presente com estas declarações do escritor às perguntas de alguns alunos da Escola E.B. 2/3 Dr. Flávio Gonçalves, da Póvoa de Varzim, em visita do escritor a 14.02.2008. Perguntaram-lhe então do que pensa ser escrever bem:

"- É saber transmitir aquilo que temos dentro de nós e por vezes temos que ‘entortar’ as palavras.... Quem me ler, que desentorte as palavras. Quem está a ler é um segundo criador, tem que fazer das palavras suas e converter-se num escritor”; acrescentou:

"- Um escritor é alguém que é capaz de converter as tristezas em alegrias. A razão porque sou uma pessoa feliz é porque sou capaz de converter o mundo numa história. Só é feliz quem conta histórias”




"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]", in Mar me Quer, Mia Couto

"Que trazemos oceanos circulando dentro de nós? Que há viagens que temos que fazer só no íntimo de nós?", in Mar me Quer, Mia Couto