sexta-feira, janeiro 30

diferenças de género

Partilhar

Eu poderia passar dias e dias e dias... e dias e dias falando sobre as várias diferenças de comportamento entre os homens e as mulheres, mas não vou. Esta animação do Bozzetto explica resumidamente e com bastante humor algumas dessas situações do dia-a-dia. Estou em pulgas para ler os vossos comentários.




(clica na imagem e aguarda um pouquinho)


Bom fim-de-semana


quinta-feira, janeiro 29

a viagem

Partilhar

Num gesto delicado solicitou-lhe que a deixa-se ocupar o único lugar vago, junto à janela. Toda ela era charme, tão intenso que não o iria deixar indiferente. Tinha uma presença tão enigmática, mesmo ali à sua frente, que seria impossível ignorá-la. Quando deu por si, estava encantado com ela e nada disposto a ter que sair na próxima paragem, na sua paragem. Homem de elegante presença, parecia alegre, disponível e inteligente. Talvez na sua vida quotidiana há muito que não acontecia nada tão excitante como aquele instante, ou poucas pessoas saberão que ele ainda existe. A solidão não mata mas já lhe deixa marcas no fígado, na dependência e no odor da respiração. Provavelmente sentia que já tinha o destino marcado com as amarguras de uma vida intensa. Ainda assim, a olhava sem querer e foram mais que muitas as vezes. Libertou-se, fantasiou carícias, beijos e confissões, abandonando-se em imagens desconhecidas, suaves e doces daquela mulher que o afligia. A senhora era um ser magnético, impávida e perturbadora, que despertava os instintos primários daquele homem, de alguns homens, mais do que um simples desejo um rosto oferecendo caprichos, para não imaginar outras coisas. Engraçado! Eu já os imaginava um cenário diferente, em tons encarnados, não sei bem porquê, embalados por vibrações como aquelas do veículo colectivo no meio do trânsito. O tempo passou e, não tardaria muito, chegaria o meu momento de deixar que aqueles dois prosseguissem a viagem. Desta vez o olhar dela tornara-se observador e, no seu interesse em redor, havia algo que estaria a congeminar. Ele sentiu um calafrio assim que ela cruzou o seu olhar e lhe pareceu ver um sorriso. Retribuiu a viragem de olhos e fez de conta que não era nada com ele. Ela sussurrou-lhe qualquer coisa que o nervosismo o impediu de escutar. Retorquiu com um desculpe, pode repetir? De tão distraído que eu estava, quase falhei a minha paragem. Num salto levantei-me e aproximei-me da porta de saída, sem antes voltar a cabeça para trás e reparar que ela tomou o lugar que eu deixei vago. Ele pegou na sua mão, e num gesto muito meigo, mesmo ternurento, pareceu-me nascer uma cumplicidade entre os dois interlocutores. Poucos segundos depois fiquei sem os ver, fiquei tão baralhado que despoletei um reboliço de questões, daquilo que ainda recordava, do que me parecia ter sido. Ou não teria sido? Ou fui eu que imaginei ter sido? Mas depressa voltei à realidade, segui a pé e deixei que a minha música do MP3 me hipnotizasse.


Sigur Ros - Hoppipolla


quarta-feira, janeiro 28

movimento

Partilhar

Hoje trago palavras vazias de inspiração. Perdi-lhes a chave, o tempo e a cor, a cura para este vácuo que me invade. Milagrosas, fiquei sem elas, enclausuradas em mim, no meu secreto desejo de as inventar. De me reinventar. Fundo as sinto, as lanças que me trespassam a mente e me desarmam o papel que vesti para as representar. Para me deixar escapar em histórias e ficções de capa espada, de planícies sem fim e finais felizes. Jogos de letras em sentimentos enredados e lançados ao ar. A um mar de aventuras loucas e afectuosas, roubadas de mim por uma rede invisível de nãos que me apressam. Que me prendem a busca e a atenção e têm urgência de sair para a rua. De se fazerem sentir na pele pela humidade do nevoeiro, pelo sabor daquela chuva “molha tolos” que se vê pela janela e me revela a palavra chave.
Adicionar imagem

terça-feira, janeiro 27

uma questão de tamanho

Partilhar

Tentar entrar no território dos adultos não é tarefa fácil para um adolescente. Reclama que já não é nenhuma criança e não entende que tem ainda muito que aprender e compreender. A sua vida, tanto afectiva como económica, dependente ainda da família e do modo como se integra no contexto familiar e social.

Ser filho pressupõe relacionar-se com a mãe e com o pai. Ele é a concretização dos desejos, fantasias e expectativas paternais, que mesmo antes de nascer já escolheram o seu nome. Essas escolhas prosseguem sempre no sentido de proporcionar o melhor para a criança, com o que brincar, com o que vestir, qual a melhor escola para ele frequentar. O filho vê nos pais a autoridade e a fonte próxima da sua aprendizagem, da sua educação e, com orgulho, diz aos seus amiguinhos que o pai é o seu herói, o seu melhor amigo. O pai sabe sempre tudo. Na infância o desejo mais importante da criança é identificar-se com os pais, imitando-os nas suas brincadeiras, nos seus hábitos e rituais.

E o tempo passa, passa tão depressa que os pais nem se dão conta. - Ai como este menino cresceu...! De repente começam a acontecer coisas estranhas. Escutam do filho uma voz diferente, rouca e apessoada, o corpo reivindica os S´s e os M’s da moda, estão na cara os primeiros sinais de acne e no corpo nasce uma pelugem máscula. Os recém adolescentes buscam ocupar um espaço, o seu território no contexto familiar, com os primeiros sintomas da puberdade e os enigmas próprios da juventude. A rotina familiar é revolucionada e os pais percebem que têm um pretendente a adulto a emergir dentro da própria casa. Aos 14 anos de pacata convivência, essa descoberta coloca-os perante algumas situações inesperadas para as quais terão de procurar rivalizar e saber lidar. Educar à medida que o jovem vai crescendo, alargando gradualmente os limites com compreensão, amor e carinho. Se ele percebe que a mãe lhe renova as peças do guarda-roupa, dá-lhe para vestir camisolas ainda novas, herdadas de um adulto da casa que se descuidou e alargou o perímetro abdominal, ele vê nisso uma evolução no seu estatuto familiar. Aí ele parte à descoberta de um novo mundo, experimenta sensações e experiências há muito desejadas, como usar a máquina que o pai esfrega na cara todas as manhãs. Já tem os seus gostos próprios e reivindica para si um estatuto na camada de roupa passada a ferro: - Óh mãe, o pai anda com as minhas meias outra vez! A mãe sempre atenciosa tenta perceber o problema: - Pois é, bem se vê porque desaparecem misteriosamente as meias que ele gosta mais! Eu já te tinha dito, as meias onde bordei uma marca branca são as dele e as que têm um bordado vermelho são as tuas. Ao que isto já chegou!!!


Bob Marley - One Love


segunda-feira, janeiro 26

quadras populares

Partilhar

As meninas dos meus olhos
são duas pobres mendigas,
sempre a pedirem esmolas
aos lábios das raparigas.


Costumei tanto os meus olhos
a namorarem os teus,
que, de tanto os confundir,
já nem sei quais são os meus.

Quem bem ama, nunca esquece
a quem ama. - E tanto assim
que, de tanto que me lembras,
ando esquecido de mim.

Como o vento é para o fogo,
é a ausência p'ró amor:
Se é pequeno, apaga-o logo;
se é grande, torna-o maior.

Ausência tem uma filha
que se chama Saudade;
eu sustento mãe e filha,
bem contra a minha vontade.

Toma lá meu coração
e a chave p'ró abrir.
Não tenho mais que te dar,
nem tu mais que me pedir.

Se cair a tarde triste,
Com ar de que vai chover;

não te esqueças dos meus olhos,
que choram por te não ver.

Quatro letras mal escritas...
Olha, amor, o que te digo:
Já fui aprender a ler
para me escrever contigo.

-Pobreza não é vergonha
nem devia ser tristeza:
Vergonha é ter, como tantos,
Pão alheio em sua mesa...

São parvos, não rias deles,
dos outros dizemos nós.
Às vezes rimos daqueles
que valem mais do que nós.

Não te faças mais do que eu,
que não és menos nem mais;
debaixo da terra fria,
todos seremos iguais.

Eu não sei por que razão,
alguns homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer.

- Ouve muito, e fala pouco.
Aprende com paciência.
Em sabendo que não sabes,
chegaste à melhor ciência.

Não compres mula manca,
pensando que há-de sarar;
nem cases com mulher má
cuidando que há-de amansar.

Quando o loureiro der baga
e a cortiça for ao fundo,
só então hão-de acabar
as más línguas neste mundo.

Que serve chorar agora,
se já remédio não tem?
Se o chorar fosse remédio,
chorava eu mais que ninguém


Recolha de:
José Gomes Quadrado

Mós do Douro
fotografias minhas
Dezembro 2007


sexta-feira, janeiro 23

Partilhar

Como filmá-lo? Como entende-lo? Construído, inventado, modificado, é desconhecido. Formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Pronto. Em movimento eterno, em velocidade infinita. A força luminosa que ao mesmo tempo cega e dá uma nova visão. Brilha. Entendido, incompreendido, é transformado a cada instante. Colorido e misterioso, saboreia, mistura. Interfere.

passo a passo

Partilhar

Ao ler o desafio que a Vekiki me propôs, e sabendo eu que anteriormente teria respondido a algo muito semelhante, dei por mim a vasculhar os arrumos deste gabinete à procura do que havia guardado. Muitas coisas encontrei, reli alguns textos e comentários, e me deixei perder enquanto recordava quais as motivações dos assuntos e expectativas que tive em cada texto escrito. No meio desta perda de tempo, senti uma forte vontade em republicar alguns deles, para os voltar a dar a ler, permitir que outros visitantes me possam entender, porque não? É caso para pensar.

Este desafio vai-me obrigar, "moi méme”, a levantar deste confortável sofá, logo agora que estou com uma preguiça do caraças, e passo a passo dar 6 (mais um e certamente daria com o nariz na porta), ir em direcção à resposta.

Então é assim: o desafio manda-me linkar a pessoa que me desafia, já o fiz; Escrever as regras do “meme” no meu blog, está implícito no texto; Revelar 6 coisas aleatórias sobre “moi méme”, que farei já de seguida:

#1 - Sou tímido e reservado. A vida vai-me amadurecendo mas continuo da mesma forma, quietinho no meu canto.

#2 - Gosto do que me pertence mas não o guardo só para mim, partilho.

#3 – Acima de tudo a companhia da minha família que me conforta e me completa.

#4 - Sair por aí a pedalar na minha bicicleta é uma forma de liberdade e de recuperar forças.

#5 - Sou um guloso, quero sol, calorzinho, música, bloguisse e boa disposição.

#6 - Gosto de estar de bem com toda a gente e procuro ser coerente, o que me leva a infringir a última regra deste desafio: nomear outros 6 links de amigos blogueiros.

Lamento que seja assim e por aqui me fico. Fica no entanto combinado que, passo a passo, um destes dias começarei a republicar alguns postes antigos, os repostes! Ok?


Colbie Caillat - The Little Things

quinta-feira, janeiro 22

yyyuuuupiii... ganhei!!!

Partilhar

wins!!!!

We are informing you that Your email address as indicated was drawn and attached with serial numbers FTS/8070337201/06 and drew the lucky numbers 15-22-24-48-50-37(30) which subsequently won you 1,000,000.00 (One Million Great Britain Pounds) from the U.K FREE PROMO The draws registered as Draw number one was conducted in Brockley,London United Kingdom on the 22rd january 2009.Find below the details of the Claims Agent and contact him with the following details for verifications:
FULL NAME,
FULL ADDRESS,
NATIONALITY,
AGE,
OCCUPATION,
MOBILE/TELEPHONE NUMBER,
DATE OF WINNING AWARD,
SEX,
TOTAL AMOUNT WON,
SERIAL/LUCKY NUMBERS.

AGENT NAME: Mr Albert Thomas (Claims Agent)
AGENT E-MAIL: ********(este não vos digo para não vos tentar!)

Só faltou, foi dizer se receberei a massa em papel, cheque ou géneros e se será das mãos da Marisa Cruz,
Kelly Brooke ou da Rainha de Inglaterra!

Posso escolher, posso???


quarta-feira, janeiro 21

curriculum blogae

Partilhar

Nos tempos mais ou menos recentes, não falta por aí muito boa gente que por qualquer razão da sua vida, simples pudor, falta dele, ou então para ganhar algum dinheirinho com isso, escreve ou manda escrever um livro a contar parte ou mesmo a sua vida. Ora aqui o “je” diz com todos os caracteres que a sua vidinha mal dá para escrever duas páginas A4 com letra Arial 16 - bold. Os meus dias não são rodeados de mistérios nem de acontecimentos surpreendentes. Posso lhes assegurar que, até ao momento, nada fiz que fosse digno de uma biografia publicável, não pratiquei actos heróicos, não pretendo exposições ridículas nem penso sequer em angariar qualquer patrocínio para fazer render o “peixe”. Nada do que fiz ou deixei de fazer daria uma prosa interessante, talvez alguns devaneios, mas nem isso seria uma biografia. Mesmo assim, sem emoções fortes, fora as que a minha bicicleta me vai proporcionando, gosto da minha vida tranquila e do conforto familiar. Os simples episódios da minha vida, cujo interesse é bastante relativo, não dariam sequer para alimentar um blogue!

De há um ano a esta parte, vou tentando manter activo este bloco de apontamentos que se encontrava no esquecimento. Não dependo dele e não lhe retiro qualquer sustento. É somente um passatempo, um simples gosto, sem maiores pretensões do que realmente representa. O que necessito basicamente é ter um computador agarrado à rede que leve e me traga notícias. Como qualquer pessoa normal, ao longo da vida, passei por fases: sonhador, fotógrafo, inventor, desenrrascado. Fui descobrindo que posso também escrevinhar umas letras e entre baças imagens, apontamentos esquecidos e camadas de pó a descolar desta velha cabeça, acabei por tirar tudo isso da gaveta e me tornei num amador da escrita. Nos blogues já li belas e más notícias, já dei boas gargalhadas, já encolhi os ombros e abanei a cabeça. Senti, com o coração apertado, quem fala da morte de um pai. Vi muita solidão espalhada em palavras e a amizade a florescer. Conheci pessoas e aprendi muito de muita coisa. Mantive a minha máscara de ferro e fui despindo a armadura que me protegia, não sei bem do quê! Parti à descoberta de pessoas reais num espaço virtual. Sei que tenho os meus fiéis oito ou dez leitores diários, pois sei! Blogues existem que nem recebem uma visita, nenhum comentário, e mesmo assim resistem. Vocês estão sempre aqui presentes, praticamente desde a altura em que abri as janelas da casa e deixei entrar a corrente de ar, levar com ela a minha graça, o meu mundo. Tão certo como quando se enfrenta uma tempestade, sabendo que mais tarde ou mais cedo estarão de volta os raios de sol. Se aqui escrevo por vontade própria, devo estar aqui para ser criticado, considerado ou reprovado. Chamado à pedra sempre que errar. É aquela velha história que quem o alheio veste, na praça o despe e, depois da alma nos cair aos pés, resta mesmo é levantar a cabeça, sacudir o esqueleto e, de mente livre, navegar na rede e me desfazer em palavras. Pois é, eu tenho um blogue e nos blogues dos outros eu sigo, e seguirei aprendendo com quem mais sabe. E são tantos! Até amanhã... ou depois!


Mary J Blige (feat. U2) - One
(foi o post nº 1 deste gabinete)

terça-feira, janeiro 20

on the rocks

Partilhar


Para os lados do céu veio num rugido negro. Uma forte saraivada fustigou janelas e telhados, as árvores em frente, pessoas e os carros parados. Um manto branco ficou e se derreteu aos meus olhos. Como sabe bem olhar de dentro para a tempestade, que acalmou após três intensos raides de um gélido granizo.



Frias as pedras que caem do céu
Rebuçados gelados que adoçam o chão
Brancas ou transparentes se derretem da cor
Das nuvens vestidas num cinzento véu
Cobrem a cidade de respeito e tremor
Fazem com que me perca na imaginação.