quinta-feira, janeiro 15

prato do dia

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Cada qual, à sua maneira, tenta controlar o seu tempo, dá voltas e voltas ao seu ritmo e tenta acertá-lo com os ponteiros do seu relógio biológico. Uns gostam de se levantar cedo enquanto outros ainda nem se deitaram. Há quem prefira se mexer e outros passam o dia na sorna. Uns andam depressa, outros com passos lentos. Há aqueles que lêem devagar, degustam as letras, no entanto alguns sem tempo fazem uma leitura dinâmica. Tem gente de raciocínio rápido e gente que demora a dar respostas. Não somos todos iguais, cada um tem o seu, cada qual vive ao seu ritmo.

Do mesmo modo, cada um de nós tem os seus momentos, de maior vontade e de menor vontade. Não falo de um dia ou outro, mas do que é uma constante na vida. Por exemplo, quase todo mundo acorda sem vontade. A necessidade vem mais tarde, com a rotina da manhã. Tem quem retire prazer do trabalho, outros só recebem fadiga. A meu ver todos não dispensariam o tempo livre. Procuramos nos adaptar às circunstâncias mas certos dias custam mais a passar. Sentimos como que um enorme vazio dentro de nós. Tentamos perceber realmente o que é, até que algo vindo de lá de dentro nos diz:

Vai mas é comer! O que tu tens é fome!




Os antigos já diziam que pela manhã deve-se comer como um rei, ao meio-dia como um nobre e à noite, como plebeu!

quarta-feira, janeiro 14

jogo limpo!

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O "fair play” é normalmente uma designação associada quase em exclusivo ao espírito desportivo, o que, para além de significar o respeito pelas regras, cobre também noções de amizade, de respeito pelo outro, tal como outros exemplos práticos de boa ética. Em poucas outras circunstâncias se poderá dizer que se joga de facto um jogo limpo, e que quem o praticou não terá sido já prejudicado por isso. Se buscamos a imparcialidade e proclamamos constantemente a aplicação de justiça, raramente vemos a prática dessa igualdade no dia-a-dia e, para muitos, até mesmo no decorrer da própria vida. Estas acabam invariavelmente marcadas por momentos em que para se atingir os objectivos há muito almejados temos de lutar contra as mais diversas dificuldades, onde quase sempre acabará por aparecer alguém que, por qualquer motivo estranho, por uma ambição desmesurada, ou por puro egoísmo, consegue sempre partir em vantagem.

Ao que parece, poucos serão os empregadores, Estado incluído, que ainda têm princípios e, mais do que isso, os pratiquem e os defendam. Se o “jogo” está a levar um rumo inesperado face às frustradas expectativas e objectivos iniciais, muitos procuram agora alterar as regras a meio do jogo. Algumas explicações encontro para tal incumprimento ético, no entanto acabo sempre por dar de caras com a mesma conclusão. Cada vez mais se dá conta da crescente importância que o materialismo tem para eles, a forma impune com que usam os outros em seu benefício, como meros peões de um jogo regulado mas sem princípios, onde o que conta é simplesmente ter mais e mais, dê por onde der.


terça-feira, janeiro 13

o mundo ao contrário

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Começaram por se chamar "Delirium Tremens". Foi no verão de 1978, Kalú, Paulo Borges e Zé Leonel juntaram-se num único ensaio. Depois, ainda em 1978, adoptaram o nome “Beijinhos & Parabéns” mas não chegaram a apresentar-se publicamente. A 13 de Janeiro de 1979 estrearam-se ao vivo já com o nome de “Xutos e Pontapés Rock’n’Roll Band”, aquando da comemoração dos "25 anos do Rock and Roll" na sala dos Alunos de Apolo. Tiveram direito a seis minutos para tocar quatro músicas. Tim (voz e baixo), Francis (guitarra), Zé Pedro (guitarra) e Kalú (bateria) foram os elementos da formação inicial do grupo após a saída do vocalista Zé Leonel.

Através de António Sérgio e da editora Rotação gravam os seus dois primeiros singles. E em Abril de 1982 entraram em estúdio para registar o disco "1978-1982" que compila a produção acumulada durante os primeiros quatro anos do grupo.

Inicialmente conotados com o punk, os Xutos tornaram-se uma das bandas mais aclamadas nos circuitos mais alternativos. Três dos temas da banda, "Avé Maria", "Mãe" e "Sémen", são proibidos na Rádio Renascença e é pedido na Rádio Comercial para não ser passado o tema "Mãe".

Com uma larga carreira, os Xutos e Pontapés apresentam-se, na cena musical portuguesa, como um verdadeiro fenómeno de resistência. Num meio onde o sucesso, muitas vezes, é fugaz, os Xutos souberam renovar-se ao longo dos anos, mantendo, no entanto, a mesma atitude combativa e entusiasta do primeiro dia, tendo alargado substancialmente o número de fãs. Cruzaram gerações, conquistando, com a sua música, “pais e filhos”. E o resto, são 30 anos de muita música à sua maneira.

Hoje só se fala de uma outra "cultura", outros chutos e pontapés que se dão a uma bola. Este mundo anda mesmo ao contrário!





segunda-feira, janeiro 12

chamavam-me bolinhas

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Era assim todos os domingos à tarde. Sempre que o sol convidava eu os levava a passear, aos meus dois meninos, por estradas sinuosas, para lugares distantes, desconhecidos e cheios de histórias para lhes contar. Andava e rodava, fazia curvas e subia montanhas sem medo, abrandava e acelerava, até onde podia, sempre com o motor quente de tanta alegria, até que cansado estacionava e ficava a vê-los a brincar debaixo das árvores. Outros meninos já corriam pelo parque, pareciam bastante ocupados com os jogos tradicionais, às caçadinhas, às escondidinhas, à bola e ao faz-de-conta. As meninas sentadas numa larga e colorida manta permaneciam sossegadas, construindo sonhos e planos com as suas bonecas. À sombra, eu ficava parado a observa-los com os meus redondos faróis, fazendo companhia nas brincadeiras dos irmãos e dos seus carrinhos de plástico. Em poucos minutos o chão de terra ganhava desenhos de estradas que levavam para todos os lugares que a imaginação os permitisse, só não voavam porque afinal um carro não voa, ou voa? Eles eram engenheiros de miniaturas, construtores de estradinhas com os seus carrinhos viajantes de mil e um lugares.

Um dos meninos é chamado para que ajude a tirar as cestas de dentro de mim. Contrariado por ter que parar os seus jogos, lá cedeu reclamando baixinho “porquê eu, sempre eu?”. Os pássaros andavam curiosos comigo, um deles chegou mesmo a pousar na minha branca e reluzente capota: “Ouve lá, e se fosses brincar com os teus amigos? Não vês que me lavaram esta manhã!?”. Melhor seria eu também ter alguma coisa para me distrair. Não é que seja vaidoso, e nada convencido, mas tenho a certeza que aquela carrinha toda giraça que acabou de chegar me deu um pisca-pisca. Seria até bem divertido poder conversar com ela, trocarmos umas buzinadelas ou talvez uns sinais de luzes! Mas se ela for como as meninas que não gostam de brincar com carrinhos. Vendo bem ela nem é para a minha cilindrada! Ouço um chamamento familiar e os meus meninos depressa param com as brincadeiras e juntam-se aos amiguinhos sobre uma grande manta para o tão desejado lanche, para se fartarem de guloseimas e coisas boas que a mamã deles preparou com tanto carinho. Não, não vou ficar para aqui a babar-me porque sei que no regresso me vão encher o depósito. Por isso vou aproveitar este sol que está quentinho e tirar uma boa sesta.


Upa… já estou a trabalhar e mal tive tempo de escovar o pára- brisas. E já estão todos cá dentro! Os meus meninos ainda inquietos, falam e contam todas as aventuras que viveram naquela tarde. De primeira engatada, faço-me de novo à estrada. Cansados e inquietos todos falam e cantam, não tarda nada já estarão a dormir e a sonhar, enquanto eu com a calma da minha pequena potência os levo de volta a casa, de volta à minha garagem.


sexta-feira, janeiro 9

em branco...

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...senti o dia logo pela manhã. Ele tocou o meu rosto e logo ali me deixou um aviso penetrante para que escondesse as orelhas e me enrolasse no cachecol. Danado de frio que me fez acelerar o passo até ao trabalho, e eu que não vinha com pressa nenhuma! Ouço dizer que a viram por perto, mas onde é que ela cai que não a vejo? Estaria a chegar vinda numa corrente polar só para nos cumprimentar. Vou só ali espreitar pela janela. Não, não estou com visões, é ela mesmo mesmo! Nem dá para acreditar.





quinta-feira, janeiro 8

caminho

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"a caminho do Terreiro" Mós do Douro

A memória tem o dom e o condão de ressuscitar os bons momentos, de condensar tudo em instantes lembranças, até mesmo as desagradáveis, que viverão dentro de nós para sempre.

Emoção redobrada e sentida de se reverem os caminhos e lugares que outrora foram palcos de brincadeiras de criança sedimentadas de sacrifícios e bravura. Aventureiros esses caminhos da juventude, feitos lado a lado, enamorados e tão belos, porque a idade era bela e ainda é hoje! Até um dia que vou ter, vou fazer, vou sentir e ver o que quero ser, aprender. Na caminhada da vida semeando sementes, colheu de tudo um pouco, amparou a morte. Honesto, solidário, teimoso, pleno e realizado, partilha um destino de conforto, de graça recebida. Entender e fazer-se entender, sempre rezingão, exemplificando nas acções e conselhos de quem vive a vida. Realidades e dificuldades, entre muitas coisas boas, estende os braços em conversas de pai, de pai com os filhos, nas vitórias e nos fracassos. Herança que perdura em imagens a preto e branco, retratos coloridos de alegria em álbum de família. E ainda a aprender. Ai, esta memória que tantas vezes se esquece! Lembras-te? As fotografias que fui colhendo dão também uma ajuda.

Setenta anos… Imagina!? Se não te conhecesse nem sessenta te daria! Vamos pai, estás só a meio do caminho.


quarta-feira, janeiro 7

trovas e cantigas

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A 29 de Janeiro de 1983 no Coliseu.




Natal dos Simples

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura


"O que faz falta é animar a malta"



terça-feira, janeiro 6

que doces

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É inevitável que ainda se fale do Natal. Nas ruas, nas áreas comerciais, no íntimo das pessoas, no ambiente da cidade paira ainda o espírito natalício. Hoje sendo o Dia de Reis, o que para mim não tem grande relevância a não ser a de me fazer lembrar o aniversário do meu tio Bernardo, parabéns tio, noutras paragens é o dia devotado à entrega e troca de prendas sobretudo às crianças. Por cá, e a esta altura do campeonato, já só há dinheirinho para os saldos, para as contas e para comprar o último bolo rei, colorido, brilhante e pegajoso, que eu não gosto nadinha, mesmo nada ao ponto de já nem migalhas restarem do que havia ali sobre a mesa! Este dia assinala assim o encerramento das festividades natalícias e confesso que já ando com uma enorme vontade de desmontar a árvore, encaixotar os enfeites, as bolas, arrumar tudo até voltar a montar o circo no próximo. Tudo menos esvaziar a mesa. Hummm… Fecho os olhos e ainda sinto o aroma das iguarias, o prazer que me dá pegar numa amêndoa torrada, levar um punhado de pinhões à boca, os doces e os chocolates, pudins, cremes e rabanadas acabadinhas de fazer… O palato e o Natal estão indissociavelmente ligados e se há altura para exageros é agora a altura para voltar ao ritmo, voltar ao exercício físico sem contudo deixar que algo fique sobre a mesa.

São servidos?





segunda-feira, janeiro 5

convite à conversa

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Pessoas Inteligentes por Arnaldo Jabor

Conta-se que numa pequena cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, que vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam-lhe a escolha entre duas moedas, uma grande de 25 centavos e outra menor, de 50 centavos. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos. Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos. “Eu sei” - respondeu o tolo assim: “Ela vale duas vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar a minha moeda”.

Várias conclusões se podem retirar desta pequena narrativa. A primeira é quem parece idiota, nem sempre é; A segunda é saber quais os verdadeiros idiotas da história; E a terceira, perceber que quem for ganancioso, rápido acaba com a sua fonte de receita. Mas a conclusão mais interessante é a percepção que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito... Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos. “O maior prazer de uma pessoa inteligente é passar por idiota, diante de um idiota que pensa que é o inteligente”.

O Movimento UPA (unidos para ajudar) apresentou-se como o maior movimento de solidariedade em Portugal no ano passado. Nasceu no final do ano 2006, quando a ENCONTRAR-SE – Associação de Apoio às Pessoas com Perturbações Mentais Graves, resolveu juntar vários artistas numa campanha contra o estigma e discriminação deste tipo de doenças. Vinte bandas/cantores de todos os quadrantes e géneros musicais portugueses, assumiram o desafio de todos os meses fazerem um dueto para uma canção sobre temas previamente propostos pela ENCONTRAR-SE, sob direcção musical de Zé Pedro, guitarrista dos Xutos, e alertar para a necessidade obrigatória da mudança na forma como ainda se encara o doente e a doença mental.

A melhor prenda que recebi este Natal veio parar ao meu sapatinho no formato de um CD. A reunião de 10 temas do Movimento UPA. Deixo ficar o convite a todos os que me lêem, e ouvem, para visitarem o site deste movimento e terem o prazer de conhecere apreciar todos os 10 temas musicais. Têm estado a ouvir um dos temas que mais gostei.


p.s. narrativa e conclusões recebidas por e-mail


sexta-feira, janeiro 2

entre o velho, e o novo...

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...o recomeço.


É sempre bom mudar de ano, trocar de agenda, actualizar compromissos, ocasiões e prioridades. Um simples virar de página do calendário, mais um a somar a uma sucessão de anos com começo, fim e recomeço.

Celebrar o ano novo não passa da necessidade que temos em enterrar o passado e explicar a nós próprios que a cada ciclo da Natureza poderemos remendar aquilo que não foi tão bom, retornar as coisas positivas. A cada volta do planeta em redor do astro solar é nos apresentada uma nova oportunidade, um recomeço, um novo ciclo, que nos é concedido para retomar o objectivo da felicidade, da saúde e da prosperidade.

Ano novo, vida nova... Ano novo, nova oportunidade. A vida, essa não renova apenas continua o seu ritmo implacável até ao fim. O grande ciclo da vida tem por início o nascimento e num sucessivo retomar de ciclos preenchidos com sucessões de momentos assinaláveis irá um dia chegar ao fim. A oportunidade renova-se sempre a cada rotação da ampulheta da vida e é essa a grande esperança de todos... É esse o verdadeiro significado do desejo por cada novo ano, por cada novo ciclo.


Coldplay - Clocks