
Procuro a tua mão. Seguro-a à minha, tão real quanto o ar fresco nas nossas faces e o salgado das ondas que vem molhar os nossos pés. Por breves instantes me distraio para senti-las, para guardá-lo na minha mão, o nosso amor que como elas é vigoroso, vai e volta, forte. Algumas, distantes, pareciam enormes, imensas e quando chegavam à praia, vinham mansas e fracas, só molhavam ao de leve os nossos pés. Outras parecem calmas e inofensivas ao longe, mas chegam turvas e revoltas, quase nos derrubavam, nos levam com elas. Mas as ondas são ondas, vêm e vão, pertencem ao mar. Sinto a tua mão na minha, firmes teus cabelos esvoaçantes da maresia na minha boca, teus passos junto aos meus compassados por aquelas ondas. A tua mão solta-se da minha e te afastas. Deixa-me envolto em vagas de dúvidas. Serias tu como as ondas, de volta ao teu mar? Te aproximas de novo, trazendo um sorriso no rosto. Ofereces a concha que para mim foste apanhar na areia, pequena resistente na erosão, forte e perdida no sabor das ondas, que como muitas outras, não volta ao mar. Te agradeço com um beijo sorridente.






