segunda-feira, outubro 13

tempo de crise

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Se um homem prevenido vale por dois...

Fiquei a pensar seriamente sobre isso enquanto observava esta interessante fotografia que o meu irmão tirou nas ruas do Porto e me passou. E a mulher também? Bem, sinceramente não foi bem o caso, mas fiquei a pensar!

Neste período de crise que estamos a passar, é natural que os homens andem bem mais desconfiados e, consequentemente, duplamente prevenidos. Mesmo assim não será necessário que sejam tão prudentes e desconfiados nas suas escolhas. Se "a cavalo dado não se olha o dente", para quê desperdiçar novas oportunidades quando elas surgem pela frente?


sábado, outubro 11

bom fim-de-semana

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Gomo - Feeling Alive


sexta-feira, outubro 10

algo completamente diferente

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Hoje não vou escrever nenhum texto nem vou colocar alguma imagem. Hoje vou postar um exemplo de criatividade para quem acha que já viu tudo na Internet, ou então não! Não interessa, clica aqui, deixa-a no tamanho que abrir e vê lá o que acontece.

Tem um bom e divertido dia.

quinta-feira, outubro 9

tem carta

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-Meu filho, vai lá deixar esta carta nos Correios. Pega dinheiro para os selos. As moedinhas tilintam na mão do rapaz. A carta da Dona Fernanda dobra a esquina. Demorará uns quatro ou cinco dias até chegar ao destino. O menino não sabe, mas carrega nas mãos um mundo de sentimentos, porque a Dona Fernanda escreve tudo, solta-se nas frases, fala das alegrias e sobretudo das tristezas. Dona Fernanda é teimosa, insiste em escrever aos parentes com papel e caneta, não quer usar o telefone nem sabe o que é a Internet. Nada lhe tira o papel manuscrito, a carga de sentimentos sinceros em traços, cheiros e amassos de uma folha dobrada pelas mãos queridas. A viúva que não faz mais que cuidar da terra, do gado e de esperar que os filhos mandam lembranças. É teimosa como uma mula e não quer ir para junto deles. Fica por lá, a tomar conta dos tarecos e das rugas. O Joaquim, o único rapaz do lugar, é que lhe faz os recados e companhia. Ela quando escreve é como se estivesse a conversar com outra pessoa. Pelos traços da letra percebe o estado de espírito de quem lhe escreveu. E comove-se. Seus olhos percorrem as linhas da carta trémula e despejam uma lágrima de saudade. E como gosta quando recebe uma carta! A aposentada aguarda sempre com ansiedade a chegada do carteiro, a vinda de boas novas dos filhos. No Natal e no seu aniversário recebe postais e cartas. Tesouros guardados na cómoda entre combinações e meiotes. -Já vieste meu filho? Deixaste a carta direitinha no marco? Fica com o troco e compra uns rebuçados para ti.

Há cinco mil anos, as cartas eram escritas em pequenas tábuas de barro, depois de pedra, madeira e, derivado desta, celulose, a folha de papel, que arrancada, voa, literalmente, milhares de quilómetros levando as mal traçadas linhas cheias de saudades e lembranças.


quarta-feira, outubro 8

sair da rotina

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Até podia te perguntar se tens rotinas? Imagino que sim! Porque quer queiramos quer não a rotina é parte integrante das nossas vidas. E a rotina aborrece-te? A mim não, já estou habituado e a rotina faz-me falta. Acordar, trabalhar, comer, dormir e outras tantas mesmas coisas intercaladas entres essas mesmas coisas fundamentais ocorrem todos os dias, à mesma hora, com a mesma frequência. Acho que a única coisa que muda é a forma como podemos tratar a rotina. Ser criativos e dar mais “sabor” a esta vida aborrecida e corriqueira. Bem sei que cabe-nos ser mais criativos, não deixar permanecer o ciclo e alternar o quotidiano. A vida não é como um filme de acção, sempre com novas aventuras todos os dias, diferentes paixões e emoções a cada esquina. Todos acabam por cumprir a sua rotina, desde o trabalhador que se levanta às 6 da manhã ao desempregado que acorda sem despertador marcado. Diariamente todos vivem as mesmas coisas, o mesmo ciclo. Ao contrário de ficarmos a reclamar que a nossa vida é uma seca, que é previsível e chata, seria melhor aproveitar cada segundo, cada momento, mesmo que saibamos antecipadamente que amanhã acontecerá a mesma coisa. É só uma questão de aceitar ou não. Sair da rotina, porque não! O que estava a fazer mesmo? Ahhh já sei...





terça-feira, outubro 7

divulgação

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Renoir - Nutriz

Tudo começa ao nascer. Nosso primeiro acto depois de nascer é sugar o leite materno. Este é um acto de afeição, de vínculo. Sem este acto, nós não sobrevivemos. É facto… É a realidade”.

Dalai Lama and Howard C. Cutler, The Art of Happiness A Handbook for Living.1998


segunda-feira, outubro 6

o menino tem presente

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Haverá algo no mundo mais querido que um bebé? Para alguns é claro que há, mas tentem questionar um casal de pais babados! E já agora porque não também fazer a mesma pergunta aos avós, aos tios, aos padrinhos, aos irmãos, aos cãezinhos, à gatinha… até ficarem reunidos todos os condimentos necessários a momentos únicos.

Sou pai e experimentei já essa fase em que ser pai significava ser ainda mais infantil do que o próprio filho bebé. Imaginem a situação de certo já vivida por vocês, todos reunidos à volta do carrinho de bebé a fazer caretas. Acham mesmo que a criança vai achar piada? O que estará ela a pensar “mas que malta divertida!”. Se pensasse, no mínimo seria “mas esta malta é parva ou quê?”. De súbito desatam todos a conversar com o bebé. E porque será que falam tão alto com aqueles sons estranhos e vozinhas finas e ridículas? Pra já a criança não é surda e depois não é assim que melhor vai perceber os gu-gus dá-dás dos adultos. Será que andaram a ler o dicionário de Português-Bebeguês? Afinal querem que ele aprenda a falar ou a emitir grunhidos? Depois vêm as observações geniais, “aiiii como ele é parecido com o pai”... “e tem os olhos do avô!”... “ahhh ele riu-se para mim, foi só para mim”! Ele quer lá saber disso. O que ele quer é comer e dormir. Se ri ou chora, isso depende sobretudo da barriguinha cheia ou não. A última prova é a mania das palavras acabadas em “inha(o)”. Comigo essa do inha(o) veio para ficar mesmo! É o “e vamos trocar a fraldinha, blú blú”, ou o “e vamos tomar banhinho, uiiii fofinho da mãmã”. Tá certo que o bebé é pequeno o que significa que tudo que veste, o que usa, é pequeno. Mas será que o que faz é também pequeno? Troquem-lhe a fralda e vejam o resultado.


o primeiro

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De manhã cedo, muito carinhosamente, és acordado. Depressa os teus olhos, meio fechados, ainda um pouco ensonados, formam um olhar intenso, ficam enormes com o teu sorriso. Logo neste primeiro momento do dia, podes ensinar o que é ser feliz, sem precisar de o dizeres. Não tarda nada estarás já ocupado com alguma coisa, com o que te rodeia. Ocupado a fazer sorrir. Aproveitas para brincar, entendes para palrar. Admirado, estás muito ocupado a ser criança. Não sabes o que é perder tempo. Não queres coisas inúteis, nem sabes o que são preocupações excessivas. Bebes o leite. Segues para o infantário com uma grande expressão de felicidade. Lá fora todo um mundo novo para descobrires, a cada segundo, a cada brincadeira. Cresces com os teus amiguinhos em cada asneira. Sempre ocupado a crescer. Regressas a casa, aos braços de sempre como um passarinho quando regressa ao ninho. Chegas, umas vezes cansado, outras cheio de energia, mas sempre pronto para continuar a brincar. Pronto a sonhar.

Feliz aniversário David. Um dia te irás recordar do tempo em que eras criança e acreditavas nas “histórias da carochinha”. Um dia te irás lembrar de todas as fantasias e sonhos, e de como a tua vida é linda.

Beijinhos Dé, nossos e do primo.

sexta-feira, outubro 3

memória de acesso aleatório

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Fotografia clássica de Robert Doisneau (1956)

…“que raio, como é que este gajo se consegue lembrar de tudo!”… foi o comentário do meu irmão à recordação da nossa viagem de comboio pelo Douro que aqui postei. De facto tenho uma boa memória, e o Google, mas nem sempre consigo lembrar-me de tudo.

No tempo da outra senhora, quando era estudante num colégio, arghhhh… é melhor nem me lembrar o colégio, havia lá um professor, por sinal director do colégio, arghhhh… mas porque fui eu me lembrar do colégio, que quando chamava um qualquer aluno à pedra, volta e meia saía-se sempre com a mesmíssima expressão. Já vos irei dizer qual era essa, enigmática para mim, “mesmíssima” expressão. Por enquanto vou retratar a postura do dito professor/director/inquisidor, na sala de aula.

Passo pesado, ora para um lado ora para o outro, o profe mantinha a classe suspensa. A certa altura parava, sentava o rabo na esquina da enorme e firme secretária que ficava numa ponta do estrado, uma espécie de cadafalso executório de fedelhos desmamados. Com uma perna suspensa e o tacão do sapato a bater na madeira da secretária, ar mórbido de troça, perscrutava a sala com os olhos à tona das lentes. -Tu aí! Apontava bruscamente o seu amarelado dedo indicador à vítima. -Anda cááááá… zombava enrolando e desenrolando o dedo. Subitamente senti um arrepio enquanto um suspiro de alívio pairava sobre as restantes cabecinhas penteadas da classe. Lentamente, cheio de tremeliques, não, borrado de medo mesmo, levantei-me e deslizei até ao cadafalso, digo estrado. Ali especado, esperava a pergunta como um condenado espera a rajada no momento da execução. Qual era a pergunta? Isso já não me lembro, do que tenho certo é que não sabia a resposta. Nem fazia a mais pequeníssima ideia. Deveria ser sobre História de Portugal e da vida de um descobridor qualquer. -Então, diga lá, os seus colegas também querem saber! E eu nada. -Não sabe? Tirava um molho de chaves do bolso do casaco e, com uma careta indescritível, escarafunchava toda a sua orelha direita com a ponta de uma chave que deveria abrir uma porta qualquer. Eu já nem pensava na resposta só de imaginar a respectiva fechadura daquela chave que certamente deveria estar já muito bem untada por tanta cera que ele retirava. -Mas você sabe que deveria ter a resposta na pontíssima da linguíssima, não sabe? Lembram-se da tal “mesmíssima” expressão de que vos falava no início deste palavreado todo. É essa mesmo, “na pontíssima da linguíssima”. Para este professor antiquado e execrável deveríamos ser decoradores de matéria, engolidores de personagens e vomitadores de datas históricas. Ele não entendia que a sua tarefa não era apenas "enfiar" o livro de História na cabeça das criançinhas, mas acima de tudo fazer entender, ensinar e dar o exemplo à classe.

Ora, e este paleio todo a propósito de quê?

Ahhh… já me lembro, a frase do meu irmão. Bem sei que nem sempre consigo lembrar-me de tudo. Para guardarmos informações bem mais simples de memorizar invariavelmente procuramos um auxiliar de memória que nos ajude nos mais diversos fins. Num computador ou mesmo num telemóvel, hoje em dia guardamos toda a informação fora da nossa memória. Assim, quando não podemos recorrer a esses auxiliares de memória parece que de repente ficamos ignorantes, como naquela sala de aula, sem a resposta na pontíssima da linguíssima.

quinta-feira, outubro 2

na bicicleta [3]

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pedalando sem rodeios por linhas semi-rectas



sobrevivente teimoso ao tempo sem metas



aprisionado no interior dum castelo isolado



continuo à deriva pelo real ilimitado



inspirado num sentimento de um passeio verdadeiro



meu cenário é de escarpas sobre um leito ribeiro



ancorando a vida num pátio soalheiro



rejuvenesço na paisagem de paz que guardei



espalhando-me a direito pelo caminho que sei



de uma silhueta humana com causa e efeito



permanece a memória do presente imperfeito




Fim de tarde, terça-feira, 30 de Setembro.
Porto (parque da cidade; castelo do queijo; foz; massarelos; ribeira)
V.N.Gaia (arrábida; afurada; cabedelo; madalena)