terça-feira, setembro 30

fim do mês

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Por aqui a inspiração já teve melhores dias. Nem mesmo o salário no fim do mês me iluminou as ideias. Tanto com que me preocupar e nem sei o que escrever para aqui postar. Vai daí, lembrei-me desta letra e musiquinha dos Xutos perfeitamente adequado ao dia de hoje, excepto no dia de semana. Afinal hoje é terça-feira. Quanto ao resto sempre do mesmo, nós sempre a esticar, e melhor não o teria dito. Bora lá cantar, dar uns Xutos na crise, uns Xutos na bola e achar trocos para uma cervejola.
Força Campeão, contra os canhões ingleses, marchar, marchar!

Um e dois, deixa para depois
Não te preocupes
Que eu também não

Três e quatro, pedra no sapato
É quarta-feira
Há bola na televisão

Se bem me lembro
Não tenho nada pra trincar
Ninguém em casa
nem uns trocos para comprar
Uma cervejola
Para ver a bola
Pequeno prémio
Sempre ajuda a aguentar

O fim do mês
Já cá está outra vez
E nos sempre a esticar

Eu não percebo
Esta coisa louca
Um mês inteiro
Sempre a esticar
Os meu problemas
São leves penas
Se comparados com
A guerra nuclear
Sigo a diante, sereno e confiante
Deixo a tristeza pra trás
Roubo uma rosa
Preparo uma prosa
Nunca se sabe do que um permufe é capaz

Se bem me lembro
É fim de Setembro
Deve andar
Magia no ar
Sabia bem
Outra cervejola
Pra ver a bola
Sempre ajuda a aguentar

O fim do mês
Já cá está outra vez
E nós sempre a esticar


segunda-feira, setembro 29

muito me contas

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A nossa casa tem muito o que contar. Cada qual terá a sua. Outros gostariam de ter a sua. Pequena ou grande, tê zero ou moradia. Modesta, uma casa numa rua qualquer.

Bem-estar. Alegria. Noite. A nossa casa é um pouco de nós.

Cama. Fogão. Emoção. Nos acolhe quando estamos acordados. Nos aquece quando precisamos de conforto. Nos abriga quando comemos. Nos acompanha quando estamos na sanita. Nos avisa para sairmos à rua. Nos festeja quando recebemos visitas. Chama por nós quando estamos cansados. Momentos apressados.

Morada. Amor. Sabor. Não é perfeita. Pedaços de vida por metro quadrado.

Só. Confidente. Desejo. Recebe-nos de noite ou de dia. Ouve-nos. Guardiã.

O que me contas minha casa? Muito me contas nas tuas contas.


sábado, setembro 27

busca

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sexta-feira, setembro 26

gabinetêvê [9]

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quinta-feira, setembro 25

depois da flexão, um pouco de reflexão

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Os blogues dos outros




Sempre que me é possível gosto de ver outros blogues. Os blogues de autoras e autores, muito aperfeiçoados e cuidados, com bom gosto na escolha dos temas, músicas, fotos, vídeos, e sobretudo na empatia. Tenho o meu estilo de blogue e cada qual é livre de escolher o seu. Admiro o trabalho desenvolvido, postes mais ou menos sofisticados que nos são apresentados a cada clique nas ligações. Uns mais pessoais, outros mais irónicos, corriqueiros ou banais, todos eles têm valor, todos têm alguém entre a cadeira e o monitor que os refresca. E gosto de comentá-los, de deixar uma opinião, a minha razão. É evidente que nem sempre me revejo no que foi escrito, foi publicado, mas também seria utópico agradar a todos. Salvo raras excepções, abstenho-me.

Não vou nomear nenhuns, para não pecar por defeito ou excesso, mas o que procuro nos blogues alheios, de amigos, todos eles, é aquilo que tento pôr no meu: a minha identidade, os meus sentimentos, a partilha de experiências interessantes, parte de um quotidiano comum a tantos outros. Esses blogues, em que encontro espelhados os retratos dos autores, tanto quanto eu os conheço ou os posso adivinhar, esses cativam-me, vêm ao encontro de mim como velhos amigos, e tal é a afinidade que quase me reconheço neles. Não me interessa se têm nenhum ou um milhar de visitas, se estão no top dos topes, se me vejo “obrigado” a vê-los, se não é por isso que eu vou lá. Não quero cá polémicas, lições de moral e de bons costumes. Não suporto lambebotismos patéticos. Claro que espero encontrar neles algum brilho, algum encanto, algum humor, algum estilo, alguma poesia e muita interioridade. Têm que ser sentidos e ter sentido.

E é tudo isso que eu vou procurar neles. Procuro captar a alma que pomos em tudo o que escrevemos, o coração nas mãos. As sopinhas de letras brilhantemente servidas. Esses são os blogues onde me sinto bem. A casa que visito, onde se encontram os amigos.


terça-feira, setembro 23

buuuuuuuuu...

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..."De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta? "...

Pedro Abrunhosa in "Quem me leva os meus fantasmas"


Todos temos os nossos fantasminhas. E cada um finta os seus. Dos poucos que me acompanham aquele que mais me atormenta até tem um nome feio... chama-se arrependimento. Há coisas em que dou um berro e consigo assustá-las... são pequenos demónios, de resto, mas há outras que já não têm remédio... não as posso enxotar? O arrependimento agarra-se-me às pernas como visco... como posso eu resolver o que já não tem solução? Ignorar? Ou dar mais forças ao destino? Se eu soubesse o destino!!!

Quem me leva os meus fantasmas? Sim, sim... há certamente algo que vai levar os meus fantasmas, seguramente... um dia isso será certo. Espero que daqui a muitos e muitos anos...

buuuuuuuuu...


segunda-feira, setembro 22

sem palavras

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Ás vezes por mais que tente as palavras não aparecem,
Não surgem,
Não as vejo,
Não se revelam...
Outras vezes as palavras me desafiam!
Me dominam,
Mesmo sem querer, me invadem...
Assim, ao meio do dia,
No meio do trabalho!
E quando não dá mesmo para escrever!
Andam peregrinas em busca de uma caneta,
Fazem-me andar aos papéis,
Se entrelaçam e bulham por uma folha,
Reviram-me o pensamento,
Controlam-me os dedos,
Loucos que batem nas teclas.
Procuro-as...
Mas continuo sem as palavras que não aparecem,
Não surgem,
Não as vejo,
Não se revelam...

Onde raios guardei o ficheiro com o "poste" de hoje?

sexta-feira, setembro 19

nós, Douro acima, até às Mós

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Nota: Aproveitando um texto de José Gomes Quadrado, descrevo desta forma uma das poucas viagens de comboio, quando ainda muito pequeno, que fiz até à vila de Mós do Douro, terra natal do meu pai. Hoje dá-se início às festividades em honra à Nossa Senhora da Soledade e durante os próximos três dias a vila estará em festa. Mais uma vez não poderei estar presente em tão genuína e tradicional confartenização, e confesso que já devo uma visita há bastante tempo. Farei desta forma a minha homenagem a tão maravilhosas gentes. As fotos são da mais recente viagem de comboio que com a minha família fizemos à terra dos meus avós paternos.

Pouco passava das 10 horas daquela manhã de Verão quando embarcamos, eu e o meu irmão Tó Manel, pela mão do nosso avô Zé Maria, em Campanhã, no semi-directo da linha do Douro, que tinha Barca D'Alva como estação terminal. A composição, rebocada por uma pesada máquina a vapor, poucos minutos depois já efectuava a primeira paragem em Ermesinde. Logo a seguir, flectindo para Leste, passou a marchar na via única da linha do Douro e efectuou nova paragem em Valongo. Na plataforma da estação, vendedeiras com cestas enfiadas nos braços, apregoavam:

-Quem quer regueifa!

Como sempre, não faltaram compradores, tal como em estações seguintes, onde se ouvia apregoar:

-Água e bilha, 25 tostões!

Faziam-se pequenos negócios pelas janelas das carruagens enquanto se escutava a repetida cantinela da idosa, pobre e cega, que implorava aos passageiros que lhe deixassem esmola. Lentamente o comboio chegou à estação de Caíde, o ponto mais alto da linha, e logo à saída atravessou o longo túnel deste nome. Depois das estações da Livração e do Marco de Canavezes atravessou outro ainda mais comprido, o túnel do Juncal, que com os seus 1622 metros é o maior de todos até à Barca D'Alva e o segundo mais extenso do país.

No seu contínuo descer, a linha conduziu a composição ao encontro do mais belo rio do mundo: o Douro. Com efeito, depois da Pala e já perto de estação de Mosteirô, a via torna-se vizinha do Douro. E com o comboio a marchar juntinho à margem direita do Rio, passa pela estação da Ermida, o local de desembarque estivesse eu a dirigir-me à terra dos meus queridos avós maternos Zé Pinto e Madalena, o lugar do Castelo. A partir daí passei o resto da viagem de pé, ligeiramente debruçado na janela, deslumbrado por tão inesquecíveis paisagens. Com um andamento mais acelerado, o comboio ia parando apenas nas estações principais. Nas proximidades de Barqueiros o granito deu lugar ao xisto e começaram a aparecer os primeiros vinhedos da “Região Demarcada do Douro”. Numa larga curva do Rio avistei o Peso da Régua e as suas duas pontes. Na estação o comboio fez uma paragem que durou o tempo necessário para o almoço e para a locomotiva ser abastecida de água.

Cerca de 30 minutos depois, a composição retomou a sua marcha, transpondo a ponte sobre o rio Corgo, no ponto onde ele desagua no Douro. Aqui a via estreita que levava o comboio até Vila Real e Chaves separa-se da via larga. A partir da Régua, o comboio passara a parar em todas as estações e apeadeiros e assim a viagem percorre lentamente o rio que se estende na margem. Na outra banda a velha estrada N222, os sucalcos reflectem-se no espelho das águas calmas do rio. Chegámos à estação de Covelinhas, que serve a aldeia de São Martinho de Anta, terra natal do grande poeta Miguel Torga. Sempre com os olhos postos na margem esquerda, via a Quinta dos Frades, mais adiante, na mesma margem uma fábrica de óleos vegetais, a estação de Gouvinhas e, depois do rio Távora e da estação do Ferrão, avisto as quintas de S. Luís, da Boavista e das Carvalhas.

Passado o Pinhão, ao transpor o rio Tua, ergui o olhar e avistei o perfil da ponte entre duas fragosas arribas da linha estreita do Tua. Logo a seguir, chegámos à estação que serve as duas vias. Aqui vi o acelerado movimento do pessoal e de passageiros que faziam o transbordo para o comboio que seguia até Bragança. E porque a paragem era demorada, ainda tive tempo de voltar a apreciar os belos azulejos com motivos regionais que sempre ornamentaram o frontispício desta, assim como os de todas as estações da linha. A partir do Vale do Tua erguem-se íngremes e escarpadas penedias, no topo das quais tem início o planalto de Ansiães que se estende até ao Sabor. No sopé da serrania o comboio para continuar na vizinhança do Rio tem que atravessar pontes, viadutos e sucessivos túneis como o da Rapa com 45 metros de extensão, cavado na rocha viva do enorme “Penedo das Letras”, assim popularmente designado por nas suas entranhas existir uma gruta ornamentada com as chamadas pinturas rupestres do “Cachão da Rapa”. E depois duma breve paragem no apeadeiro da Alegria, vizinho da “Quinta do Guilhar” e percorridos algumas centenas de metros, entrámos no ciclópico túnel da Valeira. Rasgado no mais duro granito dos alcantilados contrafortes do planalto de Ansiães. A possível visão daquela formidável explosão geológica só foi conseguida depois do comboio sair do túnel e descrever uma ampla curva, permitindo a avistar um cenário dantesco: a boca inteiriça do túnel e a “garganta” da Valeira, onde o torrentoso caudal corre estrangulado por entre milhões de toneladas de empinados fragões graníticos que na margem esquerda se erguem até 782 metros de altitude. Lá no alto já antes eu avistara o santuário de São Salvador do Mundo.

A via-férrea entra no Douro Superior através duma longa mas pouco acentuada curva que se estende pela borda da água e que, então, umas centenas de metros adiante, levou o comboio atravessar o rio em diagonal para a margem esquerda, através duma estrutura metálica: a velha e rabujenta ponte da Ferradosa, com uma extensão total de 412,5 metros.

Atravessada a ponte seguiu-se a paragem na estação de Vargelas, mais uns pequenos túneis até atravessarmos a ponte da ribeira da Teja, para logo a seguir o comboio parar no Vesúvio, apeadeiro construído para servir a quinta que lhe deu o nome. Após a partida do comboio observei o imponente e conservado chalé e apercebi-me, então, que este e outros edifícios da quinta com a sua cor branca contrastavam com a natureza envolvente. A seguir, na outra banda do Rio, adivinhava-se a povoado de Coleja e mais adiante, vi aparecerem mais e mais vinhedos, estes da Quinta de Lobazim.

Assim que o comboio passa a Ponte do Torrão o meu avô junta a bagagem e prepara a saída. Atravessada a ponte e centenas de metros adiante o comboio finalmente chega na designada Estação de Freixo de Numão, que serve também a população de Mós do Douro.

Aqui desembarcamos e o comboio seguiu o seu destino. Para o meu avó era o cumprir de apenas mais uma viajem, igual a tantas outras. Eu, ansioso por chegar junto de quem e de tudo o que me era saudoso, sai da carruagem carregado de desejos e vontades. Este facto tornou menos penosa a caminhada através do ladeirento caminho rasgado no espinhaço do enorme monte Janvão. Nas viagens que se fizeram depois, lembro que esse trajecto já se fazia por estrada num Mercedes novinho em folha, o único taxista da região vizinho do Tio Farrincha e Tia Ilda, a nossa querida madrinha.

Depois da escalada de quase 3 Kms, atingi a “lajeosa” e altaneira Portela, onde deslumbrado avistei o casario xistoso das Mós e ouvi o eterno urrar dos burros. Segui pelo Ninho do Corvo e desci o declive do Pombal, para mais depressa chegar à casa da avó Maria.

Enquanto durassem as férias, até às festas, sempre realizadas no terceiro fim-de-semana de Setembro, também nós eramos mosenses. Livres, aventureiros e curiosos. Contavam-nos histórias da terra, eram-nos apresentados primos e tias que nunca antes tínhamos visto. Em cima do "macho", animal cruzado do cavalo e do burro que vivia na parte debaixo da casa, essencialmente utilizado para o transporte de mercadorias, azeitona e amêndoa principalmente, e pessoas, conquistava-mos o mundo, o nosso mundo.




O regresso a casa seria um dia mais tarde, quando meus pais nos fossem buscar. No automóvel, por curvas e contracurvas serpenteadas em terras transmontanas. O comboio passou de regresso e seguiu, sem nós, acompanhado pelo rio, pelas montanhas, pelo céu. Os meninos do Porto voltariam diferentes, mais crescidos.

Bom fim-de-semana.

quinta-feira, setembro 18

porque é que...

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... quando menos se espera, encontramos o que por tanto tempo andamos à procura e teima em não aparecer? Só aparece quanto já não estamos à procura. Tempo houve em que teve a sua utilidade e nos fez imensa falta! Sumiu por tanto tempo, que nem memória tinha de tal objecto! E de súbito aparece assim, do nada! Como se um dia tivesse saído de casa para comprar cigarros e, agora, volta cabisbaixa, passado uma eternidade, de mãos nos bolsos e cheia de vontade em guardar aqueles momentos que passei sem ela!

Foi isso mesmo o que aconteceu hoje. Reencontrei a minha velhinha "pen-drive" de 256 Mb!

E agora, o que faço com ela?



quarta-feira, setembro 17

bom dia, boa tarde ou boa noite, consoante a hora e local de onde me estão a ler

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Espero sempre que um “bom dia” gere outro “bom dia”. Que a minha simpatia gere simpatia, mas também não tanto em demasia! Eh pá, e o que é ser simpático nos dias de hoje? Não é nada fácil definir o que é ser simpático! Afinal cada qual tem as suas preferências, gosta das suas coisas, é intransigente. Cada um tem para si um modo diferente de ser simpático.

As pessoas simpáticas têm certas características comuns e não é preciso muito esforço para se perceber quais são. Ser educado é uma delas. É bom ouvir um “com licença”, ou um “por favor”, e um “obrigada” para se retribuir com um “não tem de quê!”. Uma pessoa simpática e gentil por norma usa sempre essas palavras. E mais, a amabilidade faz com que pessoas simpáticas saibam como fazer essas palavras soarem bem.

Sorrir é outra característica comum das pessoas simpáticas. De que adianta dizer “com licença”, se a careta do gajo parece dizer “ou sais da minha frente ou passo-te por cima”. Retribuir um “bom dia” com um sorriso então é que faz bem! Sorrir, simplesmente, porque é bom sorrir, porque é bom ver um sorriso de volta. Se sei ser gentil não aceito a má educação. Não gosto de mordomias nem “que me lixem a marmita”.

Comigo, ser simpático é saber que a simpatia gera gentileza, e entender que a arrogância gera agressividade. Mesmo nos piores dias, em alturas de maior pressão, se compreende que possa ter ou receber alguma intolerância e indiferença. Se alguém é áspero comigo, eu procuro responder com educação, mas também não gosto de levar desaforos para casa. Afinal fui educado de forma a saber colocar-me no lugar do outro, encontrar a melhor forma de responder a uma indelicadeza, sem ser indelicado, e deixar bem claro que gosto de ser tratado de forma educada. Querer reciprocidade, acho, que não é pedir demais.

-Xiça… Oh, chegue-se para lá carago, temos que caber todos!



Que espaçosa! Ufff…