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terça-feira, setembro 16
domingo, setembro 14
faz dois aninhos
Naquele fim de tarde tive uma grande vontade de inventar e assim, pela primeira vez, pensei em baptiza-lo. Acabou por ser à terceira. O primeiro nome "gabinete" já existia, moribundo. O seguinte "ogabinete" pertencia ao Xôr Markl e à malta das Manhãs da Três, vejam bem! Só me restou ficar "nogabinete". Afinal, é neste meu canto, pequeno mas bem arrumadinho, que passo uma grande parte do dia, a fazer... qualquer coisa de útil para a sociedade.
Comecei por nada, tentei fazer uma coisita, pouca, e acabei só com um título e uma fotografia, gamada na net. Mais nada. Não sei bem porquê, por lá ficou, simples, sem mais nada. Só quatro paredes, escuro e fechado em si mesmo.
Certo e-mail da minha amiga Lili contava-me que também havia criado um blogue. Visitei-o e gostei. Comentei-o, sem perceber que, assim, iria deixar pistas para dar a conhecer a minha esquecida moradia na blogosfera. O Francisco topou-me logo, bateu-me à porta e disse "-Então, que Blogue é este que está parado desde 14 de Setembro?? Vá, toca a escrever..."
Sempre gostei de escrever, mas mais do que escrever gosto de vasculhar, de partilhar aquilo que encontro, o que sei. Não sou de impor nada. Apenas sou de poucas palavras. Agora, com o meu blogue sinto que encontrei espaço, no ciberespaço. É aquele cantinho onde posso guardar as minhas coisas, escritas, com a vantagem de poder partilhar com os meus amigos e conhecidos, com olhares curiosos e atentos. Não tenho pretensões a nada. É apenas um meio onde posso transmitir o que penso, onde me dou a conhecer e o que me move. Ahhh… e postar umas palermices, de vez em quando!
É um simples espaço, o meu espaço… e que partilho contigo. Vale o que vale.
E tu, porque tens um blogue?
poste do paulofski 18 que não esperaram em silêncio
sexta-feira, setembro 12
quinta-feira, setembro 11
já não é a mesma
Passo pelas terras, mas que terras? Não é a mesma terra. Há caminhos esquecidos, há castanheiros e sobreiros, flores e cores, as mesmas cores, as mesmas videiras ao sol, e frutas maduras. As terras, são outras terras. Aquele pedaço de terra, outrora calcada num mar de pó, entre o canavial e a beira do caminho, onde jogávamos à bola quando havia bola. Era impossível enganar, a terra não nos deixava, metia-se castanha por entre os fios brancos das nossas meias, entranhava-se nos pés dentro das sapatilhas, rotas e gastas de tanta lavagem, da terra que não saia. Já não é a mesma terra. Já não se vê a terra.
Não tenho a máquina, não trouxe a máquina fotográfica. Queria continuar a caminhar mas gostava de estar aqui com a minha máquina como testemunha, e poder guardar tudo que vejo agora mesmo… Eu menino, sentado no muro junto ao tanque. Um tanque de granito cheio de água fria e clara, agora tépida e verde. O mesmo muro que era a nossa fortaleza em guerras lindas de gente pequena. A mesma fonte, do mesmo granito da vida, o fio de água pelo qual tanto trabalhou meu avô. Fortes eram os braços que a carregava em garrafões até casa. A mesma água que agora, dizem, é imprópria.
Ouve-se um comboio lá em baixo, lá longe. Avanço devagar, demorado até à casa de um desses pequenos guerreiros. Sei que já lá não mora. A mesma casa azul, com pássaros e trepadeiras a tomarem conta dela. Abrando o passo mas só escuto silêncio, não ouço a voz penetrante da Dona Olinda. A porta está aberta. Tenho receio de espreitar lá para dentro e não quero insistir... – Olhó Paulinho! E fiquei, refém.
Lá vou eu, de raminho de salsa na mão, caminho acima. Havia um cão, um cãozarrão que me fazia ter fogo nas pernas, por lá acima. Suspirei, afinal não passa de uma rafeirita de barriga grande, talvez a cuidar de ter ali mesmo a ninhada. O raminho de salsa inundava a minha mão, o meu coração, do cheiro da terra. E eu sem a máquina. Não me conseguia comover sem a máquina. A máquina que se recusaria a ver estes campos abandonados e tristes. A minha máquina que só ia focar as eiras onde brincávamos e distorcer o entulho amontoado na beira do caminho.
Algumas casas permanecem exactamente as mesmas, velhas e arruinadas. Outras herdadas e restauradas são casas de fim-de-semana, as vaidosas. Quase no fim do caminho, estreito e empedrado, paro em frente à mercearia. Na verdade não era uma mercearia, era a loja. A minha avó mandava-me à loja buscar aquilo que a terra não dava. A porta é a mesma, ainda com o degrau onde me sentava a observar o sol nos pés, a imaginar-me crescido quando fizesse dez anos, mas já não tem as mesmas coisas. Nem sei bem o que lá tem.
Faço a curva para a esquerda e entro pelo portão acolhedor da casa dos meus tios, heróis sobreviventes da mesma terra, envelhecida. Do mesmo lugar, firme. Os lírios do campo, de varanda virada para o rio, virada a nós. O caminho leva-me de volta pelo quintal, da mesma terra onde o meu avô viu brotar a água pura das profundezas. Caminho de volta. De volta à minha casa vaidosa, que foi deles, e me enche de recordações das tardes de histórias, dos mesmos jogos e sonhos. Volto, para os abraçar, para os sentir de olhos fechados. Não quero saber do limoeiro, nem do gato siamês, o chinês. Como não trouxe a máquina, acelero o passo, o mais que posso, para me esconder atrás dela.
poste do paulofski 12 que não esperaram em silêncio
quarta-feira, setembro 10
alimenta os peixinhos
Como não tenho jeito nenhum para cuidar de um aquário, e receio esquecer-me de alimentar os peixinhos, arranjei então este aquário virtual. Se me quiseres ajudar a dar-lhes comida podes fazer o seguinte:
Passa o ponteiro do rato sobre o aquário que os peixinhos irão segui-lo. Clica para atirar migalhas de comida aos peixes.
poste do paulofski 16 que não esperaram em silêncio
terça-feira, setembro 9
quem não deve não teme
Segundo o site Ciberia, desde 2003 que tem vindo gradualmente a aumentar o número de bloggers atrás das grades. A The World Information Access Project (WIA) da Universidade de Washington divulgou um relatório no qual identifica 64 autores de blogues que foram detidos ou presos devido aos conteúdos publicados nas respectivas páginas entre 2003 e 2008.
A TechCrunch, identifica a maior parte dos autores detidos como naturais do Egipto, China, Arábia Saudita e Irão, bem como de países ocidentais onde já foram presos canadianos, franceses, gregos e norte-americanos. O gráfico mostra o número crescente de bloggers detidos, facto que revela o crescente peso e popularidade dos blogues. Só no ano passado, 35 escritores independentes foram detidos. A WIA prevê que o número de prisões aumente até ao fim de 2008. Aliás, são vários os países que têm pedido uma maior regulamentação da Internet, num ano em que as atenções vão estar voltadas para as eleições nos Estados Unidos, China, Irão e Paquistão.
poste do paulofski 4 que não esperaram em silêncio
segunda-feira, setembro 8
assim tem de ser...
Após longos dias de vida boa, ar puro e muita chuva, pois o sol andou mais ou menos escondido, eis que hoje regresso ao trabalho.
Serei recebido como um estranho? Terei sido definitivamente substituído? Alguém se lembrará de mim? Estas são questões que me percorrem a mente por não ter memória de, alguma vez , ter gozado tão longo período de férias, e assim fora do meu gabinete de trabalho por tanto tempo. Remorsos, esses é que não tenho mesmo, nenhuns. Os dias passados na praia e no campo, a conviver com amigos ou a passear na bicicleta deixam sempre recordações e uma enorme vontade de ter mais alguns dias de férias. Mas o regresso ao trabalho é inevitável, por isso, o melhor que tenho a fazer é consciencializar-me que após estes merecidíssimos dias de repouso, sempre chega a segunda-feira indesejada e voltar à vidinha rotineira e quotidiana do trabalho. Para muitos a situação até pode tornar-se deprimente, para mim nem por isso. O primeiro dia é o que custa mais. É que os horários ainda são os das férias. O despertador, coitado, é encarado com mau humor, a vontade de sair da cama é nenhuma, e aquelas caras estranhas afinal, são as mesmas que partilham o metro do costume.
Assim, meio estremunhado, desorientado e remelento, ainda a refazer-se do barulhento despertador, Paulofski permanece sentado na beira da cama a aguardar uma reacção ou impulso. Qual vozinha da consciência, ou outra qualquer que parece vinda do fundo do quarto, ouve palavras certas e pensamentos lógicos que combatem a sua falta de vontade:
-Agora que finalmente acordaste não tenhas pensamentos negativos quanto ao teu regresso ao trabalho. Pensa antes que é parte integrante da vida e que só por trabalhares é que tens férias.
Vá lá, Só mais dez minutinhos, zzzzzzzzz…
-E ao chegares ao serviço partilha as aventuras das tuas férias com os teus colegas, mostra-lhes as fotos e o bronze. Eles irão ficar contentes em te rever.
Pois pois, até já os estou a ver a ocuparem-me o gabinete. “Imbejosos”. E os comentários? Ui, esses então!!!
-Não te estejas sempre a lamentar de que as férias acabaram e que estarias melhor a apanhar sol do que a trabalhar.
Sim sim, falar é fácil…
-Durante o dia não te atormentes a lembrar de como foi bom. Acabaram e pronto, pró ano há mais. Assim tornas impossível suportares o regresso ao trabalho.
Tens razão, é melhor nem ir…
-Isso querias tu mandrião, bora lá a levantar o rabo da cama!!!!
Pois é, ainda bem que tenho uma esposa responsável e que tudo faz para me ajudar a dar o “impulso” necessário para retornar à realidade.
Assim tem de ser... e o que tem de ser tem muita força.
poste do paulofski 9 que não esperaram em silêncio
sábado, setembro 6
as paraolímpiadas
Da mesma forma que nos Jogos Olímpicos, os números deste evento impressionam. Cerca de 1, 5 milhão de bilhetes foram colocados à venda, todos eles mais baratos do que nos Jogos Olímpicos. Além disso, a organização dos Jogos simplesmente disponibilizou bilhetes gratuitos para que qualquer pessoa com algum tipo de deficiência queira assistir ao vivo qualquer modalidade.
Esta também é a primeira vez na história dos Jogos Paraolímpicos que o comitê organizador assume as despesas de viagem, inscrição e acomodação de todos os atletas paraolímpicos do mundo inteiro.
Cerca de 400 mil voluntários já estão inscritos para auxiliar na logística do evento, que terá o slogan “acessibilidade para todos” como um de seus pontos fortes. O ComitéOlímpico da China seguiu as regras estabelecidas pelo Comité Paraolímpico Internacional e adaptou praticamente toda a cidade para receber os atletas, como autocarros, metro, combóios, restaurantes entre outros locais públicos.
Vinte modalidades irão ser disputadas em Pequim. A grande novidade é a realização do remo adaptável, até então nunca disputado em Jogos Paraolímpicos. Clica aqui e confere a programação de cada desporto para todos os dias dos Jogos.
Dos nossos, espero as merecidas medalhas.
Aqui fica um pequeno filme de promoção dos Paraolímpicos franceses:
poste do paulofski 4 que não esperaram em silêncio
sexta-feira, setembro 5
terça-feira, setembro 2
na bicicleta [2]
Sábado 30, 7 da manhã. Ainda poucos se aventuravam a colocar o nariz fora da porta e já eu dava as primeiras pedaladas para mais uma etapa ciclista até Fátima. Pela segunda vez aceitei o desafio do meu amigo
Rumo ao sul, pela marginal duriense e marítima de Gaia até Espinho, a primeira hora de pedalada foi cumprida a gosto. A partir daí, até à Figueira da Foz, pela N109, nada de especial se passou senão pedalar e pedalar, enfrentar as rajadas de vento frontal, uma chuvada forte e fazer duas bem desejadas paragens técnicas. A primeira em Aveiro para a necessária alimentação, hidratação e micção. Depois de ultrapassada a barreira psicológica dos
A certa altura, lá para os lados da Guia, saímos da N109 para uma estrada secundária, bem esburacada por sinal e propícia a furar pneus, mas que nos permitiu atalhar caminho. Mais uma paragem, mais uma litrada de água para o bucho e outra contra uma árvore, agora já na companhia do carro de apoio que haveria de nos trazer de volta. Aí, o vento já nem se sentia tanto mas o calor apertava, e bem. A hora prevista para a conclusão da etapa há muito que tinha já passado e ainda nos faltavam cumprir aqueles últimos e penosos
Depois, foi só refrescar a carcaça, trocar de equipamentos, colocar as escravas no tejadilho da viatura e voltar para casa.
poste do paulofski 15 que não esperaram em silêncio


