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Quem é que não conhece um? Um não, vários... Chato é aquele tipo de pessoa que nasceu para tirar um cumpridor cidadão do sério. Veio ao mundo só para chatear. E não tem jeito, uma vez chato, é chato para todo o sempre.
Há uma vasta gama deles. Há o chato deprimido, que quando o cumprimentamos, "ora viva, como vai?", o tipo arranja logo um pretexto e descarrega, nos mais ínfimos pormenores, toda a sua desgraçada vida. E um gajo aguenta ali, pobre coitado, a cumprir com a sua “boa educação”, ouvindo relatos e mais relatos deprimentes. Por mais que a gente concorde com ele, não há forma de o desopilar. Que fazer? Fugir para longe dali? Olhar para o relógio a cada minuto? Esperar que o telemóvel nos salve? Não adianta! É aguentar e aguentar.
Depois vem o chato feliz. Esse está sempre de bem com a vida, até parece que acorda a cumprimentar tudo e mais alguma coisa. É mais incomodativo de manhã e às segundas-feiras. Fala alto e não para. No resto é igual ao anterior, um super-cola 3. Ah, sim…! E não esquecer o chato que… bem, na realidade é mais uma característica das chatas. Dizia eu, não esquecer aquelas que têm a mania irritante de nos mexer em tudo enquanto exercem a chatice. É certo que todo chato procura fazer o mesmo, mas elas são incapazes de conversar sem encostar a mãozinha em nós a cada instante.
Mas o chato mais irritante da espécie, o que mais vontade dá em deixá-lo assim como um prato, chato, é aquele que pensa que é íntimo. O sujeito acredita mesmo que é o nosso amigo mais íntimo, que tem permissão total para fazer piadinhas e comentários que nem os nossos melhores amigos alguma vez teriam coragem e audácia de nos fazer. E não é que ele faz sempre aquilo que mais detestamos! Julga-se extremamente divertido e que é o centro das atenções. E não adianta nada mandar umas “indirectas”! O morcão vai achar que foi para toda a gente, menos para ele. A alternativa a considerar é atirar todo o stock de “directas” disponíveis, mas também nunca lhe acertam! Ele acaba de peito feito a agradecer a “boca” como se fosse um grande elogio. E que tal, deixar o gajo a falar sozinho? Talvez ignorá-lo seja a arma secreta? Quem sabe ele não desiste, não é? Pois é, queridos amigos... Chato que é chato nunca desiste. Qual pthirus púbis qual melga, agarra-se de tal forma à gente que infesta rapidamente. Depois de ser ignorado, de levar com uma dúzia de “bocas”, e mais não sei o quê, ainda acaba por nos conquistar e, sem nos dar conta, até acabamos por nos tornar seus amigos de infância.
Mas quem sabe, um dia, o anormal “vai mas é trabalhar oh…” dá-nos uma folga e parte para outra freguesia. E assim, livres e leves, acreditamos mesmo que a partir desse momento a nossa vida será mais tranquila. Mas não nos iludamos. Estão a ver, ali? Pois é... Outro chato!
