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Eu sou daquele tipo de pessoa que raramente adiciona alguém à sua lista de contactos. Não estou a ver chegar o dia em que se irá esgotar o “cartão de memória”.
Algumas pessoas ainda têm uma certa desconfiança da Internet, ou porque se sentem perdidas no seu desconhecimento tecnológico ou porque simplesmente não querem partilhar o seu saber. Em tempos desconfiei dos contactos por esta via, mas já não sou desses. Nos instantes pedaços de tempo que roubo à frente de um monitor, busco por algum conhecimento. Basta que me surja um assunto duvidoso para que rapidamente o resolva com apenas alguns comandos básicos e com o auxílio de algumas ferramentas tecnológicas. Agora, sem elas, não passo de um mero ser humano.
Criei este “blogue”, este gabinete virtual que me deixa à deriva em mares de palavras e imagens. Colou-se a mim, entranhou-se profundamente. Por aqui velhos amigos me encontraram, esquecido. Outras pessoas surgiram e esperaram, em silêncio. Leram, viram, escutaram e escreveram palavras agradáveis. Pessoas que não constavam da minha lista de contactos.
“Ah… eu gosto é de conhecer pessoas reais, de carne e osso, não assim!”
Pois pensava! Para mim, conversar com uma pessoa pela Internet não seria tão verdadeiro como estar com ela frente-a-frente. Se não podemos ver a pessoa, perceber as suas reacções, ver as reacções e reagir, seria isso uma conversa verdadeira? Sim, pode ser que sim mas no contacto telefónico é diferente, sempre se percebem algumas reacções.
Aprender a comunicar é aprender as regras da comunicação, os caminhos que o meio nos permite para conseguir manter um diálogo, expressivo ou não. Nos vários tipos de conversação virtual escrita, passa-se a conhecer alguém, desconhecendo. A conversa só pode ser conversa se a troca de palavras for sincera. No frente-a-frente somos condicionados por factores visuais, enquanto pela Internet podemos imaginar, supor e avaliar aquilo que lemos e vamos escrever. É nesse ponto que a conversa ou é sincera ou não é conversa. Há um limiar entre pensar o que se vai escrever e falar, ou rir. Olhar simplesmente. Assim como, quando ficamos envergonhados e não conseguimos esconder o corar do nosso rosto, o desviar do olhar ou demais expressões desse sentimento, na conversa virtual podemos colocar o nosso estado emocional em palavras, ou com as “carinhas” .
Este Sábado encontrei pessoas, nomes. Amigos de tantas e curtas conversas digitadas num teclado qualquer. Enviadas por um simples clique, um “Enter” que faz a ponte entre a reflexão e a importância.
Pessoas verdadeiras, lindas, como outras fantásticas que ainda não vi.